domingo, 20 de abril de 2008

Ciência

Expedição científica encontrou estrelas gigantes nas proximidades da Nova Zelândia.

Uma expedição científica encontrou espécies marinhas gigantes no Oceano Glacial Antártico, na região próxima à Nova Zelândia, durante uma missão que terminou nesta semana. Entre os animais, estão caracóis marinhos, medusas com tentáculos de até quatro metros e estrelas-do-mar.

Cientistas mostram a estrela-do-mar gigante
A viagem durou 50 dias, e os pesquisadores percorreram um trajeto de 3,2 mil quilômetros pelo Mar de Ross, segundo informou o especialista em ciências marinhas Don Robertson

— Eu diria que há centenas de organismos previamente desconhecidos e numerosas espécies novas entre as 30 mil espécies recolhidas — disse o pesquisador.
Estrela-do-mar de cerca de 50 centímetros de diâmetro

As baixas temperaturas, o escasso número de predadores, os elevados níveis de oxigênio na água do mar e a longevidade podem explicar o tamanho de algumas espécies, disse Robertson, do Instituto Nacional de Água e Investigação Atmosférica (NIWA) de Nova Zelândia.
Estrela-do-mar com 30 centímetros de diâmetro
A missão faz parte do programa do Ano Polar Internacional, que inclui 23 países e 10 viagens de investigação ao continente gelado. A expedição deve terminar em julho de 2009.

Fonte: AP
Fotos: BBC

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Ciência

Elefante teria ancestral aquático, sugere estudo.
Cientistas americanos e britânicos analisaram resíduos químicos preservados em dentes fossilizados de dois mamíferos extintos da família dos elefantes – o Barytherium e o Moeritherium, que viveram no Egito durante o período Eoceno, há 37 milhões de anos.
A equipe da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e da Stony Brook, em Nova York, identificou, a partir da análise do esmalte dentário, que a alimentação destes animais era baseada em plantas aquáticas e eles tinham modo de vida similar ao do hipopótamo.
"O padrão preservado nos dentes é muito similar ao dos mamíferos aquáticos que vivem atualmente. Isso reforça a hipótese de que, em algum ponto da evolução dos elefantes, estes animais eram dedicados a uma vida inteiramente aquática ou anfíbia – eles provavelmente passavam a maior parte do tempo na água", disse à BBC Erik Seiffert, que liderou o estudo.
Os cientistas esperam que o estudo possa oferecer uma melhor compreensão sobre o modo de vida e o comportamento dos elefantes modernos.
Ancestral
Estudos anteriores que fizeram análises de DNA sugerem que os elefantes eram da família do peixe-boi e do dugongo (mamífero marinh encontrado na Austrália) e de outro animal terrestre, o hírax (animal parecido com um hamster, encontrado ao norte da África e no sudoeste da Ásia).
Com base nestas análises, os cientistas passaram a sugerir que os elefantes teriam evoluído de um ancestral aquático.
"Temos várias peças do quebra-cabeças; se conseguirmos encontrar mais um exemplo de um elefante aquático ou semi-aquático, isso seria extremamente convincente", disse Alexander Liu, co-autora do estudo.
De acordo com Liu, o ancestral não seria completamente aquático, já que não tinha adaptações como membros parecidos com nadadeiras ou corpo alongado.
Segundo os cientistas, ainda não está claro quando ou porque o ancestral do elefante teria deixado a água para ter uma vida terrestre. Uma teoria levantada pelos pesquisadores é a de que um possível resfriamento no fim do período Eoceno teria secado os rios e lagos, forçando os animais a viverem na terra.

Fonte: BBC

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Ciência

Um sapo sem pulmão acaba de ser descoberto na ilha de Bornéu, na Indonésia. Trata-se do primeiro caso confirmado do tipo e, segundo os cientistas responsáveis pelo estudo, a espécie aquática Barbourula kalimantanensis aparentemente respira através da pele. A descoberta será publicada em artigo no dia 17 na edição on-line e posteriormente na versão impressa da revista Current Biology. Duas populações da espécie, sobre a qual havia relatos, foram encontradas durante recente expedição dos pesquisadores. “Sabíamos que seria preciso muita sorte apenas para encontrá-lo, pois há 30 anos que muitos têm tentado”, disse David Bickford, da Universidade Nacional de Cingapura.

Barbourula kalimantanensis

Sobre a espécie existiam relatos, mas nenhuma confirmação de existência. “Mesmo quando o achamos e fizemos as primeiras dissecações – lá mesmo no campo –, confesso que não acreditava que ele não tivesse pulmões. É algo que não parecia possível. Por isso, foi uma grande surpresa descobrir que era verdade para todos os espécimes que encontramos”, contou Bickford. De todos os tetrápodes, vertebrados terrestres com quatro membros, sabe-se que a ausência de pulmões ocorre apenas em anfíbios. São conhecidas algumas espécies de salamandras sem o órgão, além de uma de cobra-cega. Para os autores do estudo, a descoberta em uma rara espécie de sapo em Bornéu reforça a idéia de que pulmões sejam uma característica maleável nos anfíbios.

Floresta da Indonésia

Como o B. kalimantanensis vive em água corrente e fria, a ausência de pulmões poderia ser uma adaptação para uma combinação de fatores, como um meio com mais oxigênio, o baixo metabolismo do animal, o achatamento do corpo que aumenta a área superfícial da pele e a preferência por afundar em relação a boiar. Os pesquisadores alertam que estudos futuros dessa notável espécie podem ser prejudicados pela sua raridade e pela ameaça de extinção. Por conta disso, eles pedem que sejam tomadas medidas para encorajar a conservação do anfíbio em seu hábitat natural.

Fonte: Terra da Gente

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Crime Ambiental

Peixes Ornamentais são devolvidos à Bacia do Rio Araguaia
O Ibama devolveu no último dia 28 de março, à Bacia do rio Araguaia cerca de 11 mil alevinos. Os peixes ornamentais estavam sendo transportados em oito sacos plásticos na parte traseira de uma ambulância da Prefeitura Municipal de Aruanã, cidade às margens do rio Araguaia.

Apistogramma borellii

Após denúncia anônima, o motorista foi parado pelo Batalhão Ambiental da Polícia Militar do estado de Goiás no Posto Policial da rodovia 070, localizado na entrada de Goiânia-GO. Ele levava os peixes para um criadouro sem nenhuma documentação - nota fiscal, documento de comprovação da origem, nem Guia de Transporte de Animais (GTA). Os policiais encaminharam o motorista e os peixes à Delegacia Estadual de Meio Ambiente (DEMA) que acionou o Ibama.

Hyphessobrycon eques

Os fiscais do Ibama aplicaram multa de R$ 710, conforme Artigo 19, inciso III do Decreto 3.179/99. A Lei dos Crimes Ambientais prevê pena de reclusão de um a cinco anos.

Inpaichthys Kerri



Fonte: IBAMA

segunda-feira, 24 de março de 2008

Peixes do Pantanal


Foi lançado recentemente a 2º edição do livro Peixes do Pantanal: manual de identificação dos autores Heraldo Antonio Britski, Keve Zobogany de Szonyl de Silimon e Balzac Santana Lopes.
O livro
Peixes do Pantanal - Manual de Identificação traz após revisão, a descrição de 269 espécies da região, além de outras cuja ocorrência verifica-se na bacia do rio Paraguai. Além de dezenas de fotos, a publicação traz 150 ilustrações, das quais 40 em aquarela e 110 em nanquim e bico-de-pena e mais um glossário com toda a terminologia utilizada nos textos descritivos. A edição, além de contribuir com o desenvolvimento da pesca e da aqüicultura, é um importante instrumento para a formulação da política brasileira para o setor. É indicada para pesquisadores, estudantes e público interessado no tema. A produção é da Embrapa Pantanal e a edição da Embrapa Informação Tecnológica.

Hyphessobrycon eques

Fonte: Biblioteca Embrapa
Fotos: SBI, Embrapa

sexta-feira, 21 de março de 2008

Dia Internacional da Água

O Dia Internacional da Água é uma oportunidade para as pessoas e os administradores públicos pensarem em evitar o desperdício.


Neste dia 22 de março comemora-se o Dia Internacional da Água e o ano de 2008 foi escolhido pela ONU como o Ano Internacional do Saneamento. É uma ótima oportunidade para mudarmos a forma de pensar a questão da água no Brasil. Em pesquisa recente da H2C - Consultoria e Planejamento de Uso Racional da Água, notou-se que o brasileiro gasta, em média, cinco vezes mais água do que o volume indicado como suficiente pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A organização recomenda o consumo diário de 40 litros diários por pessoa, enquanto no Brasil são consumidos 200 litros dia/pessoa, em média. Gastamos 5 vezes mais água que o necessário.

É preciso lembrar que, das águas da Terra, apenas 2,5% são doces e, destas, mais de dois terços não estão disponíveis para consumo humano. O Brasil detém cerca de 12% da água doce disponível no mundo, mas mais da metade (54%) desse total localiza-se na Amazônia e na bacia do rio Tocantins, onde está a menor população por quilômetro quadrado do País. Essa situação faz com que metrópoles dos Estados do Sul/Sudeste e Nordeste brasileiros sejam obrigadas a buscar água em mananciais cada vez mais distantes, devido à poluição das águas por dejetos humanos e industriais e ao assoreamento de rios, lagos e represas, a um custo que aumenta exponencialmente e com danos ao meio ambiente.

Para o consultor e especialista em projetos de Uso Racional da Água, Paulo Costa, as prefeituras, os governos estaduais e federal deveriam começar dando o exemplo. “Se os prédios públicos, as escolas, hospitais adotassem medidas racionalizadoras seria, além de um belo exemplo para a sociedade, uma economia gigantesca no gasto da água. Além disso, com o dinheiro economizado essas autarquias poderiam investir em campanhas de conscientização através de ações educativas junto à comunidade, esclarecendo sobre as maneiras de evitar o desperdício”, explica.



10 Mandamentos da Economia de água

1- Quando estiver lavando pratos com a mão, não deixe a água escorrer enquanto enxaguando. Encha uma vasilha com água de lavar e outra com água de enxaguar.

2- Coloque a funcionar sua máquina de lavar louças ou roupas quando estiverem cheias. Você pode economizar 3.600 litros de água por mês.

3- Use uma vassoura no lugar de uma mangueira para limpar suas calçadas e economize água, tempo e dinheiro.

4- Se o seu chuveiro enche um vasilhame de 5 litros em menos de 15 segundos, troque o seu chuveiro por um mais eficiente.
5- Reduza o seu tempo de banho em 1 ou 2 minutos e você economizará até 540 litros de água por mês.

6- Ao usar a lavadora de roupa, verifique o nível da água para a carga da máquina.

7- Feche a torneira enquanto escova os dentes e economize até 1.000 litros de água por mês.

8- Feche a água enquanto você ensaboar seus cabelos e economize até 500 litros de água por mês.

9- Feche a torneira enquanto faz a barba e economize ate 1.000 litros de água em um mês.

10- Lave seu carro sobre o gramado e você molhará a grama ao mesmo tempo.


Fonte: H2C

sábado, 8 de março de 2008

killifishes Sul-Americanos

Uma revisão feita no gênero Simpsonichthys pelo ictiólogo Wilson Costa que envolve cerca de 50 espécies válidas, subdivide-o em cinco subgêneros: (Simpsonichthys, Hypsolebias, Ophthalmolebias, Xenurolebias e Spectrolebias)


Xenurolebias, encontrados nas planícies litorâneas do Brasil oriental, incluindo somente S. myersi.


Xenurolebias myersi


Ophthalmolebias, encontrado ao longo das bacias dos rios que desaguam no litoral do Brasil oriental, incluindo S. constanciae, S. suzarti, S. bokermanni, S. perpendicularis e S. rosaceus.

Ophthalmolebias constanciae


Simpsonichthys, no Brasil central, no alto rio Paraná, alto Araguaia e nas bacias superiores do rio São Francisco, compreende o S. cholopteryx, o S. parallelus, o S. nigromaculatus, o S. punctulatus, o S. boitonei, o S. santanae e o S. zonatus.

Simpsonichthys boitonei

Spectrolebias, no médio rio Tocantins, nas bacias do médio Araguaia, Xingu, Mamoré e Paraguai; incluindo Brasil, Bolívia e Paraguai, ondem constam o S. reticulatus, S. costai, S. chacoensis, S. filamentosus e o S. semiocellatus.


Spectrolebias reticulatus

Hypsolebias, no rio São Francisco, Tocantins, médio Jequitinhonha e bacias mais baixas do rio Jaguaribe e bacias litorânes isoladas no nordeste do Brasil, compreendendo o S. ocellatus, o S. rufus, o S. stellatus, o S. nielseni, o S. notatus, o S. radiosus, o S. similis, o S. gibberatus, o S. virgulatus, o S. trilineatus, o S. auratus, o S. hellneri, o S. adornatus, o S. fulminantis, o S. carlettoi, o S. magnificus, o S. picturatus, o S. antenori, o S. macaubensis, o S. mediopapillatus, o S. ghisolfii, o S. igneus, o S. flavicaudatus, o S. flagellatus, o S. janaubensis, o S. marginatus, o S. delucai, o S. alternatus, o S. fasciatus, o S. multiradiatus, o S. flammeus e o S. brunoi.


Hypsolebias fulminantis

A revisão estudou todas as 50 espécies detalhadamente, gerando esta nova classificação através das chaves de identificação.


Hypsolebias picturatus

Para mais informação, veja: Costa, WJEM (2007) Taxonomic revision of the seasonal South American killifish genus Simpsonichthys (Teleostei: Cyprinodontiformes: Aplocheiloidei: Rivulidae). Zootaxa 1669, pp. 1–134.


Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke
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domingo, 2 de março de 2008

Nova Espécie de Ciclídeo Africano

Nova espécie de Ciclídeo descoberta no lago Tanganyica


Benthochromis horii

Una nova espécie do gênero Benthochromis foi descoberta no lago Tanganyika e descrita por Tetsumi Takahashi da universidade de Kyoto. A espécie nova, nomeada Benthochromis horii em honra a primeira pessoa que o reconheceu como uma espécie distinta (Michio Hori). Benthochromis horii é distinto de outras espécies do gênero (Benthochromis melanoides e Benthochromis tricoti ) por possuir um olho menor, uma boca mais larga e um numero diferente de raios na nadadeira dorsal (geralmente 30 a 31 contra 28 a 29).

Lago Tanganyca visto do espaço

O número dos dentes externos nos pré-maxilares tende a ser menor na nova espécie do que nos seus congêneres, embora as escalas sobreponham pela maior parte entre a espécie (46·6±4·9 no B. horii contra. 54·9±7·4 do B. tricoti e 53·1±8·8 do B. melanoides). Os machos grandes da nova espécie, também são distinguidos dos seus congêneres devido sua nadadeira pélvica ser mais longa (30 % maior que as outras espécies desse gênero), a presença de três linhas longitudinais verde pérola pelo corpo e a nadadeira peitoral e caudal terminam em fitas compridas.

Lago Tanganyica

Benthochromis horii foi encontrado nas águas profundas da região sul do lago Tanganyika, fora de Mtondwe no Zâmbia.

Para mais informação: Takahashi, 2008 - Descrição de uma nova espécie Ciclídeo do genero Benthochromis (Perciformes: Cichlidae) do lago Tanganyika. Jornal da biologia 72 dos peixes, pp. 603-613.

Fonte: practicalfishkeeping

Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke
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domingo, 24 de fevereiro de 2008

Ciência

Peixe ornamental contará com programa do Governo Federal

Mais de US$ 500 milhões. Cerca de 1 bilhão de peixes de aproximadamente 4 mil espécies continentais e 1400 espécies marinhas. É o que movimenta no mundo o comércio de peixes ornamentais. Pequenas belezas dos rios e mares transformadas em animais de estimação. O Brasil, país rico em belezas naturais, é um dos mais importantes fornecedores de espécies do clima tropical, mas convive com uma série de problemas, entre eles a criminalização da atividade, a exportação irregular e a pesca predatória.
Paracheirodon axelrodi
Para debater essas questões e anunciar medidas para o ordenamento e desenvolvimento da atividade no País, o ministro da pesca e da aqüicultura, Altemir Gregolin, realizou em janeiro o Encontro dos Pescadores Artesanais de Barcelos-AM – evento que integra a programação do Festival de Peixes Ornamentais - um dos mais importantes do setor. O diretor de ordenamento controle e estatística da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca do Governo Federal (Seap), Mauro Rufino, também participa do evento e apresentará ações e programas do governo para a pesca e cultivo de peixes artesanais. Entre elas a melhoria da infra-estrutura de produção e a necessidade de alfabetização e capacitação dos pescadores. Ações voltadas à pesquisa com peixes ornamentais também devem ser apresentadas. O governo está formulando e pretende implementar o Programa Nacional de Apoio ao Desenvolvimento da Aqüicultura Ornamental.


Symphysodon discus
No Brasil a maior parte dos peixes ornamentais é proveniente de capturas. O Norte do Pais é pioneiro na pesca e comércio desses animais. Os primeiros registros da atividade datam de 1930. Atualmente os peixes de captura são os mais exportados, enquanto os de cultivo são mais presentes no mercado interno. No mercado interno também são mais comuns os peixes de origem continental. O comércio de peixes marinhos é considerado mais elitista, uma vez que os custos para manutenção dos aquários são maiores.


Pterophyllum scalare
É permitido pela legislação brasileira o extrativismo para fins ornamentais de 172 espécies de águas continentais e 135 marinhas. A produção de aqüicultura de peixes ornamentais no País é quase totalmente voltada para espécies de águas continentais e para o mercado interno, principalmente fornecendo para São Paulo e Rio de Janeiro.


Corydoras britskii

Tradicionalmente, as espécies de águas continentais representam um volume de comercialização superior ao de espécies marinhas. Do volume total comercializado, cerca de 90% é representado por espécimes de águas continentais e 10% por espécimes marinhos. No mundo os maiores fornecedores de peixes ornamentais são: Cingapura, República Tcheca, Estados Unidos, Hong Kong, Japão, Indonésia, Filipinas, Malásia, Israel e Marrocos. Na América do Sul, que representa em torno de 6% do total exportado mundialmente, os países mais representativos são a Colômbia, o Brasil e o Peru, que juntos exportam 96% dos peixes ornamentais desse Continente. O Brasil é o segundo maior exportador da América do Sul, e o décimo sétimo no ranking global em 2005, tendo exportado nesse ano, mais de US$ 4 milhões.

Fonte: SEAP

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Ciência

Instituto de Pesca observa peixes para avaliar a degradação ambiental. A análise dos peixes revela impactos da ação humana.


A presença de peixes encanta os observadores, especialmente se for ampla a diversidade de cores e formas. Silenciosos, esses seres podem dizer muito - para a ciência. É o que mostra a pesquisa desenvolvida no Instituto de Pesca (IP-APTA), da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios. O estudo busca avaliar a comunidade de peixe de riachos sob os aspectos da composição e da abundância e os impactos de ações urbanas e rurais. A pesquisa também está adaptando um método para avaliar a qualidade ambiental, tendo como parâmetro a ictiofauna.

Ribeirão Guamium

O estudo envolve a microbacia do Ribeirão Guamium, uma das oito que compõem a bacia hidrográfica do Rio Piracicaba, que abrange a região de Campinas e abastece 2,9 milhões de habitantes. O objetivo é avaliar até que ponto os diferentes usos do solo influenciam os riachos, considerando que o Guamium compreende uma região agrícola e urbana, drenando 7 mil hectares, com 17 quilômetros de extensão.

“Procuramos elaborar o método para observar se alguns parâmetros da comunidade indicam degradação ambiental”, diz a pesquisadora do IP-APTA Katharina Eichbaum Esteves. Comparando com outros riachos da região, o estudo apontou que não há perda significativa de espécies – foram identificadas 38, número similar a de outros riachos. Porém, observou-se redução de algumas espécies e proliferação de outras – desequilíbrio que afeta o ecossistema. “Às vezes há espécies predadoras que se alimentam de peixes forrageiros; ao eliminar a base da cadeia alimentar a relação entre as espécies pode ser prejudicada.”

João Paulo Feijão Teixeira, pesquisador e coordenador da APTA, ressalta o valor da pesquisa ao considerar que a biodiversidade tem valor intrínseco. “Não dá para quantificar a eliminação de espécies, há reflexos para o ecossistema como um todo”, diz Feijão.

O Guamium insere-se em uma região agrícola, nos seus trechos iniciais, e em uma região urbana, nos trechos finais, desaguando no Rio Piracicaba. Segundo Katharina Esteves, na área urbana, onde há lançamento de esgotos no riacho, detectou-se a perda de algumas espécies e a explosão populacional de outras, que passam a ser dominantes por se adaptarem às condições. “O chamado “tambiú” adapta-se bem e representa 90% da comunidade nos pontos sob influência do esgoto doméstico”, explica a pesquisadora. Outra espécie dominante é o guarú, indicando que esses grupos apresentam tolerância à poluição, podendo ser indicativas de condições de maior degradação.

Astyanax bimaculatus


O estudo, que resultou na dissertação de mestrado de Cleber Valim Alexandre no curso de Pós-Graduação em Pesca e Aqüicultura do IP-APTA, mostrou também que nos trechos de ocupação urbana há aumento de fósforo, nitrato e nitrito, indicando eutrofização, relacionada ao lançamento de esgoto. Essa condição favorece o aumento da produção de algas, grandes consumidoras de oxigênio, indicando que o meio está recebendo uma grande quantidade de nutrientes. Espécies consideradas intolerantes, como o lambari-do-rabo amarelo, ocorreram apenas nos trechos de melhor qualidade de água.

Embora o Guamium passe por grande área de produção de cana-de-açúcar, nesse estudo não foi observada alteração na comunidade de peixes causada por impacto agrícola. A preservação, nesse caso, pode estar associada à presença da vegetação ripária, que protege o entorno do riacho.
De acordo com Katharina Esteves, muitos são os benefícios da mata, que contribui para reduzir a erosão do solo, responsável pelo aumento de partículas de solo na água, que, por sua vez, aumenta a turbidez e prejudica os peixes que dependem de boa visibilidade para se comunicar ou para buscar abrigo. Ressaltam-se ainda os problemas de saúde causados aos peixes pela ausência da mata ciliar. “A ausência de árvores também pode aumentar a temperatura da água e mudar a estrutura da comunidade de peixes”, explica. A vegetação interfere ainda na cadeia alimentar, já que algumas espécies se alimentam de larvas de insetos, cujos adultos estão nas matas, e as folhas contribuem para a formação de material de fundo de rio, os detritos que são utilizados pelos peixes detritívoros.

Phalloceros caudimaculatus

Bioindicadores reduzem custo de avaliação da degradação

O método que utiliza bioindicadores de condição ambiental é ainda pouco usado no Brasil, mas bastante aplicado nos Estados Unidos. Dentre as vantagens da utilização de recursos bióticos como indicadores da qualidade dos ecossistemas, está o menor custo na avaliação de degradação ambiental, quando comparado, por exemplo, à análise química da água para avaliar a presença de pesticidas, herbicidas ou metais pesados.

O método considera fatores como o número total de espécies, o número de espécies de vida longa, de insetívoros, de piscívoros, de indivíduos com anomalias ou doentes, dentre outras categorias analisadas.

Financiado pela FAPESP, o estudo é feito em comparação com áreas de referência – ou seja, é preciso ter, dentro da mesma bacia hidrográfica, um rio impactado e outro naturalmente preservado. O problema é que, muitas vezes, não há rio em condições naturais em regiões industrializadas. “Por isso é importante estudar a biodiversidade dentro de áreas de conservação para se ter uma idéia de quais espécies ocorrem em condições naturais, sem influência antrópica”, diz a pesquisadora do IP-APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

Astyanax bimaculatus


O sistema aponta as conseqüências do problema, como a redução de espécies. “O método é de biomonitoramento, depois o estudo deve buscar as causas do problema”, diz. Esse método poderá ser adaptado para outras regiões e para a avaliação de outros organismos aquáticos, com vistas à indicação de alterações ambientais. "A tecnologia desenvolvida nessa pesquisa poderá ser aplicada em outras áreas do Estado, com a devida adaptação, e contribuir para avaliação da degradação em outras bacias hidrográficas”, afirma Feijão.

Entenda o estudo

Na prática, o trabalho consiste em coletar as espécies de peixes, agrupá-las de acordo com determinadas características biológicas, que vão desde a presença de doenças e anomalias até a tolerância às condições ambientais, verificando quais respondem melhor às alterações na qualidade do ambiente. A partir dessa adaptação, é possível propor a realização periódica de monitoramentos desses ambientes aquáticos. Viabiliza-se a identificação dos trechos mais impactados, da variação desses impactos ao longo do tempo e, conseqüentemente a ação dos agentes perturbadores no ecossistema.



Fonte - APTA