domingo, 26 de outubro de 2008

Ciência

Estudo revela peixes que vivem em igarapés de Oriximiná
A maioria dos estudos já realizados sobre a fauna de peixes da Bacia Amazônica tem como foco os rios de grande porte, o que termina por excluir habitats menores, como os igarapés. Tendo isso em vista, o jovem cientista Bruno Ayres, bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Científica (PIBIC) do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG), investigou a estruturação da comunidade de peixes dos igarapés do Platô Bacaba, elevação de cerca de 200 metros acima do nível do mar localizada na Floresta Nacional de Saracá-Taquera, município paraense de Oriximiná, na região do Baixo Amazonas.
Aluno do curso de Biologia da Universidade Federal do Pará (UFPA), Ayres elaborou trabalho intitulado “Composição, Riqueza e Diversidade de Peixes de Igarapés no Platô Bacaba, Flona de Saracá-Taquera, Município de Oriximiná (PA)”, que foi orientado pelo pesquisador Luciano Montag, especialista em Ictiologia – estudo de peixes – do Instituto de Ciências Biológicas, da Universidade Federal do Pará (UFPA), que já atuou no Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG) como pesquisador associado.


Montag explica que o trabalho integra o Estudo de Impacto Ambiental encomendado pela empresa Mineração Rio do Norte (MRN), que vai explorar a bauxita no Platô Bacaba. “O objetivo é verificar o que acontecerá com a fauna de peixes quando começar a extração de bauxita”, afirma o pesquisador.
O bolsista Bruno Ayres afirma que o trabalho é o primeiro a avaliar a fauna de peixes dos igarapés de Oriximiná, pois, antes dele, as pesquisas se voltaram para os peixes de habitats como rios e lagos.
Ayres acredita ser importante analisar a distribuição e a ocorrência desses animais em igarapés para conhecer ainda mais a riqueza e a diversidade dos ambientes aquáticos da Amazônia. A longo prazo, a idéia é dimensionar os impactos da extração de bauxita para a fauna de peixes dos igarapés do Platô Bacaba.
“A fauna de peixes de um igarapé é distinta da fauna do rio principal, pois os animais são adaptados para aquele ambiente de águas lentas ou quase paradas, com um curso d’água mais estreito e menos volumoso”, afirma.
Os 552 exemplares de peixes analisados na pesquisa, distribuídos em 33 espécies, foram coletados nos meses de junho e outubro de 2007, nos igarapés da nascente dos rios Saracá a Araticum, que compõem a microbacia do Rio Trombetas. Para descrever as espécies coletadas, Bruno contou com o auxílio dos pesquisadores Wolmar Benjamin Wosiacki, da Coordenação de Zoologia (CZO), do Museu Emilio Goeldi, e Flávio Lima, da Universidade de São Paulo (USP).
Troca de espécies - A coleta ocorreu nas épocas de transição entre os períodos de seca e cheia, o que permitiu constatar que a comunidade de peixes desses igarapés pode variar de acordo com o nível do rio. “Observei que as espécies que compõem a fauna desses igarapés na seca mudam quando chega a época da cheia”, sugere Ayres.
“Na seca, algumas espécies migram para outros locais em busca de um maior volume d’água, e outras sobem em direção aos igarapés, então há uma permuta de espécies entre os ambientes”, comenta o jovem pesquisador. O futuro biólogo propõe também que, na seca, quando há um volume menor de água nos igarapés, as interações bióticas (relações ecológicas como competição, exclusão, predação, reprodução etc.) são muito maiores.
Segundo Ayres, relações como competição e predação podem explicar o sumiço de algumas espécies e o aparecimento de outras quando da mudança da seca para a cheia e vice-versa. “Durante a coleta, nós capturamos dois ou três peixes predadores, como a traíra (também conhecida como sulamba), o que mostra que, se eles estão ali, é porque há uma grande disponibilidade de alimento”.

Na opinião de Bruno, a sobrevivência no igarapé depende da capacidade do animal de usufruir de todos os recursos disponíveis nesse ambiente aquático, cujo tamanho reduzido em relação ao rio intensifica relações como competição, exclusão, reprodução etc. “Isso tudo influencia na forma como o indivíduo vai se adaptar àquele ambiente”, suscita, complementando que “se a espécie conseguir utilizar os recursos do igarapé de forma eficiente, vai se sobressair”. A pesquisa mostra que espécies de piaba e bagre são as mais encontradas nas microbacias analisadas.
De acordo com o estudo, não é apenas a fauna que sofre alterações com a vazão ou cheia do igarapé. O próprio ambiente aquático também é afetado. Influenciando diretamente na cheia desses igarapés, a chuva leva muitos nutrientes da floresta adjacente, a Saracá-Taquera, para dentro desses córregos, constituindo uma matéria orgânica que é responsável pela alimentação de toda uma cadeia, até chegar nos peixes maiores. Isso pode explicar o aparecimento de traíras e outros peixes de grande porte nesses ambientes aquáticos.
Riqueza – Ayres comparou o resultado de sua pesquisa, que resultou na descrição de 33 espécies encontradas nos igarapés do Platô Bacaba, com trabalhos científicos já realizados em igarapés amazônicos e concluiu que a diversidade de peixes nesses ambientes aquáticos não varia muito, ficando em torno de 29 e 35 espécies. “Isso pode mostrar que o máximo de espécies que esse tipo de ambiente pode comportar é aquele intervalo devido ao tamanho reduzido do habitat, ao menor volume d’água e à disponibilidade de alimentos”, diz o bolsista.
O número limitado de espécies de peixes, porém, não significa que a fauna dos igarapés da Amazônia é totalmente conhecida. Prova disso é a pesquisa de Bruno Ayres, quando foi coletado um exemplar de piaba maior do que aqueles já descritos na literatura científica e que pode representar uma espécie nova para a ciência. Para isso, foi fundamental o auxílio do ictiologista da USP, Flávio Lima.
O bolsista conta que, durante o processo de descrição das espécies colhidas nos igarapés do Platô Bacaba, Flávio Lima reconheceu essa espécie de piaba e afirmou que já estava descrevendo-a. Segundo Ayres, a certeza de que se trata de uma nova espécie de peixe virá com a publicação do trabalho do pesquisador da USP, “provavelmente ainda este ano”.

Prêmio – Durante o XVI Seminário PIBIC do Museu Goeldi, realizado em julho, o estudo“Composição, Riqueza e Diversidade de Peixes de Igarapés no Platô Bacaba, Flona de Saracá-Taquera, Município de Oriximiná (PA)” foi apontado o melhor trabalho realizado por um bolsista PIBIC em 2007 no âmbito da Coordenação de Zoologia do MPEG.


Fonte: MPEG

domingo, 19 de outubro de 2008

Nova espécie de Hemigrammus

Uma nova espécie do gênero Hemigrammus é descrita do sistema do Alto rio Paraná, na área de influência do reservatório de Ilha Solteira, estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo, sudeste do Brasil. Descrita pelos ictiólogos Manoela Marinho, Fernando Carvalho, Francisco Langeani e Flavio Tatsumi, esta foi nomeada de Hemigrammus parana.

A nova espécie difere de seus congêneres pela combinação dos seguintes caracteres: ausência de mancha umeral, presença de mancha caudal negra conspícua aproximadamente triangular ou retangular, que se estende até a extremidade dos raios medianos caudais, sua maior altura no início da base dos raios caudais e nadadeira anal com iii–iv, 18–23 raios.

Parana se refere a drenagem do rio esta espécie ocorre.
De acordo com os autores, a nova espécie é muito comum e abundante nas margens da represa, vivendo em meio as macrófitas aquáticas (Ceratophyllum sp., Egeria densa, Eichornia spp., Ludwigia sedorde, and Salvinia sp.) Um exame estomacal dos espécimes, mostrou um grande volume de alga Spirogyra, crustáceo Cladoceras, sedimentos de areia e matéria orgânica não identificada. Diversas espécies foram coletadas juntamente com Hemigrammus parana, sendo as mais comuns Astyanax altiparanae, Crenicichla britskii, Geophagus proximus, Gymnotus carapo, Hoplias malabaricus, Hyphessobrycon eques, Laetacara sp., Metynnis maculatus, Moenkhausia sp., Pamphorichthys hollandi, Roeboides descalvadensi, Satanoperca pappaterra, Serrapinnus notomelas, and Serrasalmus maculatus.”



Maiores informações: Marinho, M.M.F.; Carvalho, F.R.; Langeani, F. ; Tatsumi, F.L. A new Hemigrammus Gill from upper rio Paraná system, Southeastern Brazil (Characiformes: Characidae). Zootaxa 1724, pp. 52–60, 2008.


Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Ciência

Fóssil traz pistas sobre a transição da vida para a terra

Os primeiros animais a sair dos oceanos para colonizar a terra firme não só trocaram nadadeiras por patas, mas também tiveram de adaptar os ossos da cabeça para a vida na superfície.É o que mostra um novo estudo dos fósseis do peixe Tiktaalik roseae, realizados desde 2004 na Ilha Ellesmere, no ártico canadense, e publicados na edição desta semana da revista Nature.
A equipe de cientistas, dirigida por Ted Daeschler, da Academia de Ciências naturais de Filadélfia, e Neil Shubin, da Universidade de Chicago, examinou em detalhes os ossos da cabeça desse animal, que viveu há cerca de 375 milhões de anos.
O tiktaalik era um peixe com pulmões, predador, mas com características bem particulares: tinha brânquias, escamas e espinhos nas nadadeiras, mas crânio, costelas e apêndices semelhantes aos dos primeiros animais quadrúpedes.
O tiktaalik é considerado um fóssil de transição entre mar e terra. De grandes proporções - media de 1 metro a 2,75 metros - e com cabeça e corpo planos, acredita-se que vivia em águas rasas e caminhava sobre a terra por curtos períodos.


De acordo com o principal autor do novo estudo sobre o fóssil, Jason Downs, as características craniais dos animais terrestres foram, primeiro, adaptações à vida em águas rasas. A caixa craniana, o palato e os arcos branquiais do tiktaalik, disse o cientista, ajudam a ver como se deram essas transformações.
As mudanças, complexas, levaram a uma reestruturação completa dos ossos da cabeça e da relação ente eles. Um exemplo é o osso que, nos peixes, conecta a caixa craniana, o palato e as brânquias, coordenando os movimentos para comer e respirar.

Com a mudança de hábitat, essa peça, o osso hiomandibular, perdeu sua função original. Hoje, nos mamíferos, ele se converteu no estribo, um dos ossos do ouvido interno. No tiktaalik, esse ossos já aparece bem reduzido, diz Downs.

Fonte: Estadão

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Aniversário 2 anos + Nova espécie de Hemigrammus

Mais uma ano se passou, e o NATURE PLANET entra em seu 2º aniversário.
Tentando seguir seu propósito, de apresentar assuntos a nível cienífico, além de questões que envolvam o meio ambiente e aquarismo, de uma forma prática e dinâmica aos leitores, o NATURE PLANET vem conquistando seu lugar, contando com um público de mais de 19.000 leitores, envolvendo até o momento 94 países.
Agradeço a todos os amigos da blogosfera que fiz até o momento e a todos os leitores pelos comentários e sugestões!!

Hoje o NATURE PLANET é o que é graças a todos vocês leitores, por isso sou muito grato a todos!!!


Papers: Aquapress

Para festejar esse segundo ano, apresentamos a descrição de uma nova espécie do gênero Hemigrammus (Gill, 1958).

Uma nova espécie de Hemigrammus do alto rio Tapajós.
Uma nova espécie do gênero Hemigrammus é descrita do rio Juruena, bacia do rio Tapajós no estado do Mato Grosso. Descrita pelos ictiólogos Heraldo Britski e Flávio Lima, esta foi nomeada de Hemigrammus silimoni, sendo endêmica da bacia do alto Tapajós.
A nova espécie é distinta de seus congêneres por apresentar uma mancha elipsóide similar a um ocelo no lobo superior da nadadeira caudal, uma característica autapomórfica que a distingue de todas as demais espécies do gênero e mesmo de outras espécies de Characidae.
Hemigrammus silimoni apresenta cinco dentes na fileira interna do prémaxilar, uma linha lateral incompleta e a nadadeira caudal com escamas em sua base, uma combinação diagnostica de Hemigrammus (Eigenmann, 1918; Géry, 1977).


Géry (1977), subdividiu a espécie Hemigrammus em cinco grupos. Dentro desta estrutura, Hemigrammus silimoni entraria no grupo "a" das ''espécie sem marcas negras no pedúnculo umeral" (sem manchas no pedúnculo, faltando o pedúnculo umeral e/ou na nadadeira dorsal). Considerando aqueles grupos, o gênero Hemigrammus, com certeza não representa entidades monofiléticas. A nadadeira caudal assimétrica e colorida, com pigmentação negra é restringido ao lóbulo da nadadeira dorsal ou ventral, característica relativamente rara dentro de Characidae. A pigmentação negra é restringida em alguns casos ao lóbulo ventral da nadadeira caudal (Hemigrammus hyanuary, Thayeria spp.) ou mais frequentemente ao lóbulo dorsal (Brycon melanopterus, Triportheus pictus, a maioria de espécie de Bryconops, Astyanax metae, e as espécies do complexo Moenkhausia lepidura).

Na localidade tipo da espécie, o rio Juruena possui aproximadamente 2 metros de profundidade, com águas rápidas e cristalinas, possuindo fundo composto por rochas e areia. A vegetação de borda era composta principalmente por gramíneas, intercaladas por mata de galeria.
Nos espécimes coletados foram encontrados em seus intestinos matéria de origem vegetal e principalmente algas.
Silimoni se refere a Keve Z. Silimon, em reconhecimento aos seus esforços longos e contínuos em documentar a ictiofauna do Mato Grosso.

Para mais informação: Britski, HA;Lima, FCT. A new species of Hemigrammus from the upper Rio Tapajós basin in Brazil (Teleostei: Characiformes: Characidae). Copeia, 2008, pp. 565–569, 2008.

Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke
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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Filogenia dos ciclídeos da subfamília Etroplinae

Duas novas espécies do gênero Paretroplus são descritas da bacia do rio Sófia. na Ilha de Madagascar Descrita pelo ictiólogo do Museu de História Natural dos Estados Unidos, John Sparks, as espécies foram nomeadas de Paretroplus gymnopreopercularis e Paretroplus lamenabe, sendo endêmicas da Ilha de Madagascar. As descrições fazem parte de um estudo maior nos relacionamentos filogenéticos da subfamília de ciclídeos Etroplinae (a qual pertencem o gênero indiano Etroplus e o gênero malgaxe Paretroplus) e da revisão taxonômica de Paretroplus.

Paretroplus gymnopreopercularis é distinto de seus congêneres, exceto em Paretroplus kieneri pela presença de um padrão manchado nas cores dourado-marrom e laranja-marrom, ausência de barras verticais, padrão horizontal de tiras nos flancos e a presença de um focinho que se estende dos lábios a face.

Paretroplus gymnopreopercularis

Paretroplus lamenabe é distinto de seus congêneres, exceto em Paretroplus nourissati e Paretroplus tsimoly, pela presença de duas faixas grandes marron escura a negras aba, representando a segunda ou terceira, ou terceira e quarta barras em série.
Paretroplus lamenabe é distinto de Paretroplus nourissati e Paretroplus tsimoly, por possuir um corpo mais alto 47% a 54.3% contra 38.1% a 43.5% em Paretroplus nourissati e 41.1% a 46.8% em Paretroplus tsimoly e pela presença de nadadeiras pélvicas que se estendem além da origem da nadadeira caudal nos adultos.

Seu nome vem da lingua malgaxe, onde lamena significa vermelho e be significa grande, em referência a sua coloração em vida e o tamanho dos membros deste clado.
Sua localidade tipo é a província de Majunga, na região noroeste de Madagascar, da bacia do rio Mahajamba, vivendo em águas rápidas com fundos rochosos.
Sua conservação não é avaliada pela IUCN.

Para mais informação: Sparks, J.S. Phylogeny of the cichlid subfamily Etroplinae and taxonomic revision of the Malagasy cichlid genus Paretroplus (Teleostei: Cichlidae). Bulletin of the American Museum of Natural History 314, pp. 1–151, 2008.
Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke
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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Ciência

Novas terras submarinas


Pesquisadores que estudam os recifes de corais do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, a mais antiga reserva natural dos mares brasileiros, acreditavam conhecer bem a área, até que em 2000 pescadores locais avisaram que havia recifes profundos fora dos mapas. Foram ver e encontraram novas terras submarinas: a área de recifes conhecida em Abrolhos dobrou e vem permitindo conhecer como aquele trecho do litoral se formou ao longo dos últimos milênios. “Essa descoberta casual gerou um projeto ambicioso”, conta o biólogo Rodrigo Moura, coordenador do programa Marine Management Area Science da Conservação Internacional (CI) do Brasil. Formado por cinco ilhotas de origem vulcânica a 70 quilômetros da costa no sul da Bahia, o parque abriga mais do que as baleias-jubarte, que atraem turistas entre julho e novembro. Ali estão os chapeirões, estruturas em forma de cogumelo cujos topos às vezes se unem e formam colunatas por onde circulam barracudas, garoupas, moréias e pequenos peixes coloridos. Das 16 espécies de coral de Abrolhos, metade é exclusiva do Brasil, como o coral-cérebro (Mussismilia braziliensis), principal construtor de recifes na região.


Sparisoma amplum

O banco dos Abrolhos, maior conjunto de recifes do Atlântico Sul, é maior que os 900 quilômetros quadrados preservados. No total são 40 mil quilômetros quadrados, área semelhante à do Espírito Santo, que só agora começa a ser investigada a fundo. O grupo de Moura explorou o fundo do mar ao longo de 100 quilômetros da costa – entre a foz do rio Jequitinhonha, sul da Bahia, e a do rio Doce, norte do Espírito Santo –, em 19 linhas que partiam do litoral mar adentro, até a queda da plataforma continental, onde a profundidade aumenta subitamente. “Percorrer cada uma dessas linhas demorava dois dias”, lembra o geólogo Alex Bastos, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que participou de algumas expedições no barco equipado com um sonar que produzia imagens tridimensionais do fundo do oceano. O geólogo da Ufes se surpreendeu por encontrar, a profundidades de até 50 metros, paleocanais formados há cerca de 15 mil anos, quando o que hoje é coberto por mar era terra. “Esses canais indicam por onde os rios passavam naquela época”, explica. Como estão preservados, sugerem que o nível do mar subiu rapidamente na região.


Pomacanthus paru

O grupo selecionou pontos de destaque nas imagens do sonar e retornou com um robô capaz de filmar locais a que um mergulhador teria dificuldade de descer. As imagens do robô mostraram corais-negros, típicos de águas profundas, pela primeira vez registrados na região, e algas calcáreas, com um esqueleto de carbonato de cálcio que lembra seixo. Em setembro os pesquisadores pretendem usar o robô para investigar outras áreas dos recifes e mergulhar a 90 metros, a fim de verificar se há corais por ali. Paulo Sumida, oceanógrafo da Universidade de São Paulo (USP) que coordena a análise dos dados biológicos, deve instalar nos recifes câmeras que automaticamente registram uma imagem por hora, a fim de estudar a dinâmica da vida marinha ali.
Embora o levantamento ecológico esteja no início, Rodrigo Moura e o biólogo Ronaldo Francini-Filho, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), já constataram que os recifes profundos abrigam uma biomassa de peixes com valor comercial 30 vezes maior do que os rasos. Em artigo a ser publicado na Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems, eles compararam a população de peixes de recifes profundos e rasos – alguns protegidos e outros com acesso livre para pescadores. Viram que áreas com restrição à pesca são mais ricas em peixes carnívoros de grande porte, como a garoupa, em geral os primeiros a desaparecer das áreas de pesca, que demoram até 40 anos para chegar à idade adulta. Com o escasseamento dos grandes carnívoros , os pescadores passam a capturar os herbívoros, como os budiões. O problema é que, sem budiões, as algas cobrem os recifes e os corais morrem. Hoje menos de 1% da área de Abrolhos está protegida. E não há planos de preservação dos recifes profundos. Segundo Francini-Filho, seria preciso preservar 20% de cada zona para manter a biodiversidade. As reservas marinhas beneficiam todos. Como os limites só valem para as pessoas, a população de peixes aumenta rapidamente e muitos migram até 1.200 metros fora das reservas, de acordo com publicado on-line na Fisheries Research. Mesmo em áreas protegidas, parte dos corais de Abrolhos se encontra ameaçada. Francini-Filho constatou que uma bactéria – provavelmente do gênero Vibrio, que chegou a Abrolhos em 2005 – está matando sobretudo o coral-cérebro.


Mussismilia braziliensis

Os pesquisadores estimam que, se nada for feito, em cem anos só restarão 40% dos corais dessa espécie em Abrolhos. É uma estimativa otimista. Se a temperatura da água subir 1° Celsius por causa do aquecimento global, bastarão de 50 a 70 anos para extinguir os corais de Abrolhos. Com mais calor as bactérias proliferam mais depressa e surgem outros problemas como o branqueamento, decorrente da morte de microalgas que vivem no interior dos corais. Conter o aquecimento global requer ação de todos os países, mas é possível reduzir o nível de bactérias com a coleta e o tratamento do esgoto das cidades costeiras.


Fonte:
Agência FAPESP

sábado, 20 de setembro de 2008

Simpsonichthys e Nematolebias

Foi lançado recentemente o livro "Simpsonichthys e Nematolebias" do biólogo Dalton Nielsen. O Livro "Simpsonichthys e Nematolebias" apresenta os aspectos gerais dos gêneros abordados, tratando tudo sobre histórico, sistemática, morfologia, alimentação, comportamento reprodutivo, reprodução em cativeiro, doenças, distribuição geográfica e ecologia das espécies em questão. A publicação ainda traz a ficha técnica de 52 espécies com fotos coloridas, ilustrações, gráficos e tabelas em 235 páginas.

Simpsonichthys boitonei

A edição é um importante instrumento para o conhecimento dessas espécies, uma vez que cerca de 90% da população brasileira não conhecem a diversidade de espécies da família Rivulidae. É indicada para pesquisadores, estudantes e público interessado no tema. A produção é da Editora e Livraria Universitária Cabral.

Para adquirir o livro, basta entrar em contato no segunite e-mail: dnielsen@uol.com.br

Dalton Nielsen é Biólogo formado pela UNITAU ( Universidade de Taubaté). Desde 1983 estuda a ordem Cyprinodontiforme, com maior atenção a família Rivulidae, tendo descrito em conjunto com Wilson Costa cerca de 25 novas espécies para a ciência.


Nematolebias whitei

Alguns de seus trabalhos científicos realizados:

Autor do livro “Simpsonichthys e Nematolebias” Editora Cabral. Maio de 2008.

Pituna xinguensis, new species . Zootaxa 1410:1-41. 22 Feb 2007.

Plesiolebias altamira , new species. Zootaxa 1410:1-41. 22 Feb 2007.

Plesiolebias canabravensis , new species. Zootaxa 1410:1-41. 22 Feb 2007.

Cynolebias paraguaensis n. sp. (Teleostei: Cyprinodontiformes: Rivulidae) a new seasonal killifish from the brazilian Caatinga, Paraguaçu River Basin. Aqua,Internacional Journal of Ichthyology. Aqua vol12 nº3, 10 July, 2007.

Simpsonichthys carlettoi (Cyprinodontiformes: Rivulidae) a new annual fish from the Rio Sao Francisco basin, north-eastern Brazil . Aqua, Journal of Ichthyology and Aquatic Biology, 8 (3): 125-130, 2004.

Simpsonichthys reticulatus n. sp. (Cyprinodontiformes: Rivulidae): a new annual fish from the Rio Xingu flood plains, Brazilian Amazon. Aqua, Journal of Ichthyology and Aquatic Biology, 7 (3): 119-122, 2 figs., 1 tab, 15 Set 2003.

Caracterização morfológica e dimorfismo sexual em Brycon opalinus (Pisces - Caracidae) no Parque Estadual da Serra do Mar, Núcleo Santa Virgínia. In: V Encontro de Iniciação Científica e I Mostra de Pós Graduação - UNITAU, 2000.

Simpsonichthys auratus, um novo peixe anual do afluente do rio Paracatu, bacia do São Francisco, Brasil. (Cyprinodontiformes: Rivulidae) Ichthyol.Explor.Freshwaters, vol.11, nº 1,11jan 1999.

Descrição de uma nova espécie de peixe anual do gênero Simpsonichthys (Cyprinodontiformes: Rivulidae) da bacia do rio São Francisco, Brasil. Revue fr. Aquariol.,23(1996),1-2, 30 juin 1996 .

Um novo gênero e espécie de peixe anual (Cyprinodontiformes: Rivulidae) da bacia do Araguaia, Brasil central. Ichthyol.Explor.Freshwaters, vol.7,nº3 16 Sept 1996 .

Distribuição de Leptolebias aureoguttatus (Cyprinodontiformes: Rivulidae) e descoberta de Oito novas populações. JKNF, vol3, nº 3, 21 Jun 1991.

domingo, 14 de setembro de 2008

História da descoberta do Tetra Cardinal e Prêmio

História da descoberta do Tetra Cardinal

Mistério
Autor de uma extensa pesquisa sobre a questão social em torno dos peixes ornamentais do Médio Rio Negro e integrante do Projeto Piaba, Gregory Prang descreve mistérios que envolvem a descoberta do cardinal tetra.
Tudo começou com rumores, no início da década de 1950, de que um “novo neon” teria sido descoberto na bacia do Amazonas. Numa carta de 1953 para um colega alemão, um pesquisador do Instituto Agronômico do Norte em Belém, Harald Siole, relatou que percebera lindos peixinhos brilhantes nas águas marrons do rio Negro, que inicialmente pensou serem neon tetras (Hyphessobrycon innesi).

Paracheirodon innesi

Comentou o fato com pelo menos duas pessoas, Dietrich Horie, de Belém, que trabalhava com a Paramount Aquarium, e o Capitão Mauro, piloto da Panair entusiasmado por peixes ornamentais, que fazia vôos semanais para a região. Este último, teria dito que já tinha pedido a índios encontrarem este peixinho para ele.
A história diz que o Capitão vendia cardinais para colecionadores paulistanos e cariocas em 1957. Mas um depoimento da alemã Amanda Bleher indica a existência destes peixinhos em São Paulo, já em 1953. Ela foi a primeira pessoa que levou esta espécie para a Europa.

Duplicidades
Mais um mistério: em 1956, os primeiros cardinais chegaram aos EUA, porém há dúvidas sobre quem foi o autor da proeza: Fred Cochu, do Paramount Aquarium, ou Herbert Axelrod, a quem muitos atribuem não apenas este feito, como também a descoberta do cardinal tetra para o mundo. Numa carta pessoal que Prang localizou, Axelrod diz saber que seus concorrentes jamais revelariam de onde tiraram o cardinal.
A duplicidade não para aí. Em 1956, duas revistas especializadas publicaram simultaneamente descrições do nosso peixinho, conferindo-lhes dois nomes científicos diferentes. A comissão de nomenclaturas zoológicas teve de ser acionada, e acabou por optar pelo nome: Cheirodon axelrodi.

Paracheirodon axeroldi

O exato ponto onde viviam os peixinhos permaneceu um mistério. Prang localizou um documento justificando o fato: se se revelasse de onde vinham os cardinais, 159 outros importadores iriam encontrá-lo, quebrando a exclusividade da Paramount e, com isso, o valor comercial.
Prang conclui que, apesar de hoje se dizer que Axelrod descobriu o cardinal, foi Harald Sioli quem o localizou, numa época em que os próprios exploradores coletavam os peixes, vendendo o que conseguiam carregar.
Só no final da década de 1950, informa a pesquisa, o comércio começou a se organizar de uma nova forma, aproveitando-se sempre das linhas aéreas que ligavam Mauaus aos EUA.

Mudança no Sistema extrativista
Axelrod teve um papel importante para o crescimento do setor. Em 1958, o indianista Harald Schulz, apresentou-lhe Hans Willy Schwartz, com quem Axelrod se associou para fundar a primeira empresa de exportação formal, Aquário Rio Negro, em Manaus, que hoje existe com outro nome: é a Turkys, do atual presidente da Acepoam (associação local dos exportadores).
Se a criação do escafandro, por Jacques Cousteau, foi fundamental para incrementar exploração do fundo do mar (facilitando, para a decepção do inventor, até sua super-exploração), a descoberta de alguns instrumentos impulsionou o comércio internacional dos ornamentais, como o uso de saco plástico para transportá-los, onde, além da água, insere-se um suplemento de oxigênio.

Paracheirodon simulans

Mais um dado interessante do estudo de Prang: o início do ciclo de coleta de cardinais na Amazônia coincidiu com a decadência da exploração do látex na Amazônia. Para as famílias que não deixaram a região, a extração de piabas transformou-se em perspectiva de renda.
Pagava-se pouco ao piabeiro, mas não mais como no antigo sistema de aviamento, quando havia um único comprador para o produto, que também era dono da venda, comercializando produtos básicos por preços exorbitantes.
Segundo Prang, o piabeiro - apesar de sempre receber muito pouco pelo produto de sua coleta - deixou de ser obrigado a vender para um único comprador, e a fazer suas compras do dia-a-dia na venda deste intermediário, como ocorre em regime de semi-escravidão. “Muitas vezes, o intermediário que compra do piabeiro para vender em Manaus é parente de quem coleta os peixinhos”, complementa o professor Ning Chao, apresentando mais uma faceta desta complexa atividade.

Fonte: AIPA

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Doenças de Peixes

Enfermidades de Peixes Ornamentais e suas relações com os fatores ambientais mantidos em ambientes artificiais.

A qualidade da água é essencial para a saúde dos peixes confinados em ambientes artificiais, como um aquário. É fundamental um controle rígido sobre a água a ser utilizada, pois sua má qualidade acarreta estresse, tornando-os mais sensíveis às enfermidades, devido ao seu equilíbrio fisiológico e conseqüente alteração de seu sistema imunológico, debilitando sua capacidade de reagir aos patógenos. Entre os principais fatores a serem observados na qualidade da água estão o oxigênio dissolvido, pois sua redução pode facilitar o ataque das mais variadas espécies de patógenos; a temperatura da água, por serem animais ectotérmicos e em caso de oscilações bruscas, afeta seu metabolismo, expondo os peixes a vários patógenos; o pH, que tem ação direta na sua mobilidade e influência na quantidade de amônia dissolvida; a renovação da água, o principal fator devido à retirada de grandes concentrações de substâncias tóxicas e/ou parasitas; e a densidade populacional, que merece atenção especial, pois elevadas taxas de densidade influenciam negativamente o desenvolvimento dos peixes, provocando estresse fisiológico e facilitando a proliferação e a transmissão de doenças. Os peixes mantidos em condições artificiais, como aquários ou tanques, favorecem condições da existência de uma enorme quantidade de patógenos, pois em condições naturais seu estado nutricional e fisiológico está devidamente ajustado ao meio em que vivem. Ao se montar um aquário, assume-se a responsabilidade não só de alimentar os peixes, mas também de propiciar condições para que vivam em um ambiente próximo ao natural. Para tanto, é de extrema importância conhecer suas exigências biológicas, manter as condições básicas para sua sobrevivência. Assim procedendo, evita-se além de gastos desnecessários e o desânimo com hobby escolhido. O aquário deve propiciar alegria e satisfação para que o mantém.



No aquário deve existir equilíbrio entre a saúde do peixe, a proliferação de patógenos e as condições do ambiente aquático. Sendo assim, a má qualidade da água, redução do oxigênio dissolvido, alterações bruscas de temperatura, alta densidade populacional de peixes e a nutrição desequilibrada são fatores capazes de produzirem estresse nos peixes, influenciando a ação de infecções bacterianas, fúngicas e parasitárias. Deve ser lembrado que esses microrganismos estão normalmente presentes no ambiente, no corpo e mesmo nas vísceras dos peixes e caso ele sofra certo desequilíbrio fisiológico, esta aberta à porta de entrada para tais infecções. A matéria orgânica sedimentada no fundo, tais como folhas mortas, fezes e sobras de ração, contribui para a liberação da amônia no ambiente aquático, que somada a amônia proveniente da excreção nitrogenada dos peixes pelas brânquias e urina, causam danos a eles quando encontrados em níveis tóxicos, como infecções bacterianas devido ao estresse fisiológico. Para garantir a total saúde dos peixes é necessário garantir a qualidade da água do aquário, através da sifonagem do substrato retirando partículas em decomposição do fundo do aquário, trocando semanalmente cerca de 20% de água e a limpeza do filtro quinzenalmente; fornecer alimentação de qualidade e em quantidade suficiente a ser consumida pelos peixes em no máximo cinco minutos; e fazer quarentena nos novos habitantes adquiridos para evitar a introdução de alguma doença no tanque principal e evitar o estresse dos peixes.

A seguir são apresentadas algumas doenças típicas que acometem os peixes ornamentais e suas principais causas:

Oodinium limneticum: conhecida também como Oodinose, causada por um protozoário altamente patogênico que acomete principalmente espécies de peixes tropicais. É comumente chamada de doença do veludo e seu ciclo de vida completo varia de acordo com a temperatura da água e dura aproximadamente 5 a 7 dias. Depois de atingido o estado de maturação, o protozoário destaca-se do hospedeiro e transforma-se em um cisto esférico, onde ira se multiplicar no substrato. O resultado desta multiplicação é a produção de inúmeros esporos flagelados que podem nadar e infestar um novo hospedeiro. Os sinais clínicos iniciais são pequenas irritações cutâneas, aumento da produção de muco e distúrbios natatórios. Em níveis mais avançados, surgem manchas brilhantes acastanhadas na superfície do corpo em forma de veludo e os peixes já apresentam disfunção respiratória e danos nas brânquias causados pelo parasito. Para tratamento, o indicado é usar medicamentos composto a base de formalina em baixas concentrações.



Ichthyophthirius multifiliis: Conhecido como Ictío ou doença dos pontos brancos, é uma das principais doenças parasitárias ocorridas em peixes no mundo. Na piscicultura de corte é responsável por grandes gastos em relação a perda dos peixes e medicamentos. Seu ciclo de vida dura aproximadamente 5 a 7 dias. Atingido o estado de maturação, o protozoário destaca-se do hospedeiro e transforma-se em um cisto esférico, onde ira se multiplicar no substrato. O resultado desta multiplicação é a produção de inúmeros esporos flagelados que podem nadar e infestar um novo hospedeiro. O sinal clínico evidente é a presença de inúmeros pontos brancos de 0,5 a 1 mm na pele e nadadeiras, e a irritação cutânea, nadadeiras fechadas e perda do apetite. No tecido branquial são responsáveis por considerável perda funcional do órgão. A maneira mais adequada para se evitar a ictiofitiríase é levar em conta a boa qualidade da água, e evitar o estresse, principalmente o motivado pelas oscilações térmicas bruscas. Um dos principais meios de combate ao ciclo desse protozoário é o aumento da temperatura e a administração de azul de metileno em baixas concentrações.



Hidropisia ou barriga d’ água: É um conjunto de sintomas e sinais que surgem através da ação de certas doenças. Ocorre quando há retenção de líquidos na cavidade abdominal, músculos e pele dos peixes, afetando todos os seus órgãos. Seu sangue fica muito diluído, devido à diminuição do nível de proteínas do sangue, ocorrendo insuficiência dos rins e do coração do peixe, e consequentemente o inchamento e as escamas eriçadas, pois ele não consegue eliminar água de seu organismo. É causada por bactérias do gênero Aeromonas hydrophila e Pseudomonas fluorescens, e também pelo vírus Rhabdovirus carpio. Para se evitar este conjunto de sintomas que desencadeiam a hidropisia, é necessário a correta alimentação através de uma ração balanceada e manter a boa qualidade da água. Não é conhecida cura totalmente eficaz nos dias de hoje.



Columnariose: É uma doença bacteriana muito freqüente em peixes ornamentais, sendo provocada pela bactéria Flavobacterium columnaris, também conhecida como Flexibacter columnaris e Cytophaga columnari. Peixes acometidos pela doença apresentam lesões na cabeça, dorso, nadadeiras e brânquias, caracterizadas por manchas esbranquiçadas, acinzentadas e brilhantes, que nas brânquias causam necrose e a morte rápida do peixe. A qualidade e a temperatura da água são os principais fatores que influenciam a ocorrência da doença nos peixes ornamentais. A cura é feita através de antibióticos como tetraciclina, eritromicina, entre outros, de preferência aplicados na comida do peixe.



Estreptococos: Conhecida também como doenças dos olhos saltados, esta é uma doença septicemica que afeta principalmente peixes de água doce, causada principalmente por Streptococcus iniae. Os principais sinais clínicos da infecção bacteriana causada pelo Streptococcus são os olhos saltados, podendo também observar a presença de congestão e hemorragias na base das nadadeiras peitorais, caudal e na boca do peixe. A ocorrência desta doença está associada a altas temperaturas e seu tratamento é feito com uma associação de antibióticos e parasiticidas.



Micobacteriose: A micobacteriose é uma doença que pode afetar várias espécies de peixes, incluindo-se as espécies utilizadas em criações comerciais. É uma doença crônica, denominada tuberculose ou micobacteriose de peixes. Os principais sinais clínicos são o emagrecimento constante e a perda do apetite, e com o passar do tempo, a deformação da coluna vertebral. Quando apresentam este estágio de debilidade, possuem uma natação irregular na superfície da água, ou permanecem parados no fundo. O tratamento não é simples, pois na maioria dos casos os peixes são velhos e possuem o sistema imune enfraquecido e incapaz de desencadear uma recuperação. Uma forma de evitar a tuberculose de peixes é oferecer uma alimentação de boa qualidade e variada, bem como a manutenção regular do aquário, com trocas parciais de água, sifonagem do substrato e limpeza dos filtros.



Pleistophora ou doença do Néon: O Pleistophora é um parasito obrigatório intracelular, ao contrário da maioria dos outros parasitos que são externos. Essa doença atinge principalmente peixes do gênero Paracheirodon, sendo conhecida no exterior por Néon Tetra Disease, mas pode atingir varias outras espécies de peixes. Os sintomas são a perda da coloração, nado irregular e a irregularidade da coluna devido à formação de cistos do parasito. O ciclo de vida do parasito se inicia quando os peixes ingerem esporos, pois a transmissão desses é feita por via oral. Quando chega ao trato intestinal, os esporos se transformam em suas formas embrionárias, que ultrapassam o epitélio intestinal, chegando à via sanguínea e atingindo diversos órgãos, e principalmente a musculatura onde se inicia a formação de cistos. Os tecidos atingidos sofrem severa reação inflamatória seguida de necrose e morte do tecido. É uma doença considerada aguda, pois de 12 a 18 horas, já é possível verificar os primeiros peixes moribundos. A melhor maneira de evitar essa doença é proporcionar uma alimentação de boa qualidade, garantir a qualidade da água que é um fator de extrema importância, evitar mudanças bruscas de pH e ao adquirir novos habitantes mantê-los em quarentena antes de introduzi-los no aquário principal. Não é conhecida cura totalmente eficaz nos dias de hoje.


Doenças Fúngicas: A classificação dos fungos se resume basicamente em saprófitos, os quais apresentam vida livre e se alimentam de matéria orgânica em decomposição; e os parasitos, os quais se alimentam à custa de um hospedeiro. Tanto no aquarismo como na piscicultura de corte, os fungos da família Saprolegniaceae são os principais causadores das doenças, com destaque para os gêneros Saprolegnia, Achlya e Aphanomyces. Os sinais clínicos das doenças fúngicas são facilmente identificados através de lesões esbranquiçadas ou a presença de tufos de algodão na pele, nas nadadeiras, na cabeça e na boca. Em infecções severas o fungo pode atingir 80% do corpo dos peixes, ocorrendo erosões graves na epiderme e derme, facilitando sua associação com infecções bacterianas. Os peixes infectados apresentam estado doentio, permanecendo sempre parados no fundo do tanque e durante o nado apresentam perda de equilíbrio. A manifestação das doenças fúngicas esta relacionada à condição de estresse fisiológico, sendo muito comum seu surgimento nas oscilações de temperatura e também em ferimentos geralmente ocasionados por brigas entre os peixes. Como medida preventiva para evitar a infecção por fungos deve-se sempre garantir a qualidade da água, fornecer alimentos de qualidade e manter o controle da temperatura do aquário ou tanque. Os tratamentos mais eficazes utilizados atualmente para controlar doenças fúngicas consistem na aplicação de formalina, sulfato de cobre e verde de malaquita.



Os peixes geralmente são submetidos a um estresse fisiológico desde a captura até o transporte as lojas, a alimentação inadequada e a qualidade da água inadequada, tornam-os mais susceptíveis às doenças ictiológicas. Esse estresse favorece a proliferação de diversos patógenos, principalmente os obrigatórios que, encontram maior disposição e facilidade de infestações. É preciso ter em mente que o ambiente aquático é um meio no qual o acesso e a penetração de agentes patogênicos são facilitados e o confinamento dos peixes favorece ainda mais o aparecimento das doenças.Uma sugestão para se evitar tais transtornos, é manter a correta alimentação dos peixes, tal atitude garante boa qualidade de água e assim evita a superpopulaçãodentro do aquário ou tanque de criação, permitindo assim a saúde dos indivíduos nele contidos.


Referências Bibliográficas

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MABILIA, R. V. Artigos – Doenças. 2005. Disponível em: Acesso em 01 de abril de 2008

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Nova espécie de Australoheros

Uma nova espécie do gênero Australoheros é descrita da bacia do rio Ribeira de Iguape. Descrita pelos ictiólogos brasileiros Felipe Ottoni, Osvaldo Oyakawa e Wilson Costa, esta espécie foi nomeada de Australoheros ribeirae, sendo endêmica da bacia do rio Ribeira de Iguape e distinguindo-se das demais espécies do gênero devido a caracteres de coloração, osteológicos, morfometricos e por apresentar um ectopterigoide fino.


Australoheros ribeirae, difere de A. facestus, A. Kaaygua, A. scitulus; por possuir os seguintes caracteres: 9-10 raios na nadadeira dorsal, 6-7 espinhos na nadadeira caudal, 8 raios na nadadeira anal, 14 vertebras pré-caudal, 12 vertebras caudal, 26 vertebras ao todo, 24-26 escamas na serie longitudinal, 16-18 escamas na linha lateral superior. Altura da cabeça 95.4–98.9 % da medida padrão, comprimento do ultimo espinho da nadadeira dorsal 16–16.8 % da medida padrão, altura do corpo 47.4–51.3 % da medida padrão, comprimento da nadadeira pélvica 32.4–37.2 % da medida padrão, comprimento da pré-dorsal 47.1–49.6 % da medida padrão, profundidade do pré-orbital 64.2–73.3 % da medida padrão, largura da cabeça 48.9–53.6 % da medida padrão. Apresenta coloração marrom-avermelhada com barras negras verticais.
Ribeirae se refere a bacia do rio Ribeira de Iguape, a localidade da nova espécie. A localidade tipo da espécie é o município de Sete Barras, próximo a estrada Sete Barras - Eldorado (SP).


Fig. 2 - Bacia do Rio Ribeira de Iguape


Para saber mais: Ottoni, F.P., Oyakawa, O.T. & Costa, W.J.E.M. : A new species of the genus Australoheros from the rio Ribeira do Iguape basin, Sao Paulo, Brazil (Labroidei: Cichlidae: Cichlasomatinae). Vertebrate Zoology, 58 (1): 75-81, 2008.

Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke
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