segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Alimentação e Nutrição de Peixes Ornamentais

Introdução sobre a Nutrição de peixes Ornamentais.

A nutrição de peixes é uma área relativamente complexa que gera anualmente inúmeros trabalhos científicos com o intuito de buscar as melhores dietas sob o ponto de vista de custo e benefício. Aqui não iremos subestimar os conhecimentos de vocês meus caros aquaristas, pois sabemos que a maioria de vocês não mede esforços na procura de informações. Nosso objetivo é apresentar conceitos básicos de nutrição de peixes e suas aplicações práticas no aquarismo.

Pterophyllum altum

Os peixes possuem crescimento contínuo, tendo rotas metabólicas e catabólicas gerais semelhantes a dos outros seres vivos, variando em alguns passos metabólicos devido a presença de enzimas específicas.

Entre essas diferenças podemos exemplificar a superior conversão alimentar dos peixes, quando comparadas a outras espécies de animais. Um peixe pode, proporcionalmente, comer menos e crescer mais, se compararmos a um cão, gato, ou passarinho. Um dos fatores que permitem isso é o menor gasto de energia dos peixes para realizar suas funções vitais. Sem falar que são capazes de eliminar o nitrogênio (excreção nitrogenada) pela urina, fezes e, mais de 80% pelas brânquias de maneira muito eficiente e sem maiores gastos de energia em um ambiente aquático equilibrado.


Os peixes apresentam hábitos alimentares definidos, mas não estritos.


Queremos dizer com essa frase que por mais que uma espécie seja definida categoricamente como herbívora, carnívora e onívora ela não está “bloqueada” de praticar hábitos alimentares diferentes. O canibalismo, por exemplo, muito praticado por espécies carnívoras pode ser observado em espécies classificadas como herbívoras. O aspecto mais relevante nisso tudo é o fato de que em determinada fase da vida os peixes possuem o mesmo hábito alimentar. Não importando a espécie, (na fase de pós larva) os peixes se alimenta exclusivamente de organismos zooplanctônicos. Significa que nessa fase da vida, um carnívoro, um filtrador e um herbívoro irão disputar pelos mesmos alimentos no seu ambiente natural. O hábito alimentar da espécie (definido geneticamente e formado ao longo da evolução da espécie) só irá manifestar-se posteriormente quando já um alevino.

Visualização de organismos constituintes do zooplâncton (base alimentar das pós larvas de peixes em seu ambiente natural). A utilização de "infusórios" contendo esses organismos permite uma melhora na sobrevivência das pós larvas de peixes, uma vez que é semelhante a dieta de todas as espécies nessa fase de vida no seu ambiente natural. No aquarismo existe a alternativa de rações microencapsuladas específicas para essa fase de vida, mas a sua utilização merece cuidados especiais na manutenção da qualidade da água. Foto: Rodrigo G. Mabilia

Particularidades essas que também ocorrem na definição do sexo dos peixes, visto que os peixes nascem com ambos aparelhos reprodutores. Ao contrário de aves e mamíferos que nascem sob condições normais com um dos aparelhos reprodutores (que os definem como macho e fêmea) o sexo dos peixes só será definido após o nascimento. Só não podemos fazer confusões: geneticamente o sexo dos peixes já está programado através de seus cromossomas masculinos e femininos. Apenas a manifestação do sexo é que ocorrerá posteriormente através do desenvolvimento de apenas uma das gônadas no peixe. Há uma diferença em definirmos o sexo cromossomicamente e fisiologicamente. Numa linguagem um pouco mais técnica, podemos afirmar que os peixes nascem geneticamente definidos, mas que fenotipicamente não. Podemos comprovar pelos resultados obtidos na aplicação de técnicas (como a aplicação de hormônios em rações) que revertem sexualmente um indivíduo ainda nas fases iniciais de vida.Técnicas essas muito disseminadas na piscicultura de corte, como no caso das tilápias.


PROTEÍNAS E AMINOÁCIDOS

As proteínas são compostos orgânicos formados por diversos aminoácidos. Existem diferentes tipos de proteínas caracterizadas pela proporção e posição dos aminoácidos que as compõem. Sendo assim os aminoácidos são os componentes estruturais básicos de qualquer proteína. Uma proteína sempre conterá na sua composição carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, entretanto algumas vezes poderá conter enxofre, fósforo e ferro. Os peixes possuem proteínas dispostas em uma grande variedade de tecidos tais como: ossos, pele, órgãos, musculatura, etc... A proteína corporal está constantemente sendo resposta por dois processos: anabolismo e catabolismo.

Anabolismo:
refere-se a síntese de proteína no organismo.

Catabolismo:
refere-se a quebra da proteína no organismo.

O METABOLISMO DAS PROTEÍNAS

O metabolismo das proteínas nos peixes é semelhante aos animais terrestres onde basicamente são hidrolisadas a aminoácidos e estes posteriormente são aproveitados pelo organismo. Na primeira etapa os grupamentos amino são removidos dos aminoácidos através da transaminação do alfa-cetoglutarato em gutamato. O glutamato é o único aminoácido com a capacidade de perder seu grupamento amino através da desaminação promovida pela enzima glutamato desidrogenase, resultando na liberação da amônia.
A partir deste momento surge uma diferença básica: nos animais terrestres a amônia é transportada ao fígado e entra no ciclo da uréia que é o principal produto da excreção nitrogenada; na grande maioria dos peixes a amônia é transportada como glutamina até as brânquias e convertida a glutamato e amônia pela enzima glutaminase. Esta amônia finalmente é eliminada por difusão para a água do meio ambiente. É importante salientar que os peixes de uma maneira geral alimentam-se para atender seus requerimentos de energia. Por esta razão o balanceamento entre os níveis de proteína e energia durante a formulação de dietas para peixes é muito relevante sob o ponto de vista nutricional e econômico. Os peixes possuem baixo requerimento energético e alto requerimento protéico o que agrega um elevado custo das rações comerciais. Rações ricas em energia causam restrição alimentar nos peixes e muito provável estes não satisfarão seus requerimentos protéicos acarretando numa queda na taxa de crescimento.

Detalhe de um alevino em avançado estado de desnutrição. A magreza resulta do consumo das reservas corporais de glicogênio, gorduras e proteínas. Os peixes embora sejam dotados de uma alta capacidade de permanecer em jejum podem apresentar conseqüências danosas a saúde em longos períodos sem alimento, ou em quantidade insuficiente. É sempre bom lembrar que peixes desnutridos são mais predispostos a enfermidades.

Em relação aos aminoácidos existem um grupo de 10 aminoácidos que não podem ser sintetizados por vertebrados e inclusive os peixes. Estes aminoácidos que não são sintetizados pelos peixes são denominados de aminoácidos essenciais. Desta maneira são de grande relevância sob o ponto de vista da nutrição animal, pois devem ser suplementados na dieta. Os aminoácidos essenciais são: a arginina, histidina, lisina, isoleucina, leucina, metionina, fenilalanina, triptofano, valina e treonina.
Existem uma série de outros aminoácidos que os peixes podem sintetizar em seu organismo. São denominados tecnicamente de aminoácidos não essenciais. São considerados não essenciais porque não precisam ser acrescentados na dieta obrigatoriamente. Os aminoácidos não essenciais são: a alanina, aspargina, ácido aspártico, cisteína, cistina, ácido glutâmico, glutamina, glicina, hidroxiprolina, prolina, serina e tirosina. O incremento de aminoácidos essenciais na ração procedem de duas formas: sintetizados e adicionados um a um na ração, ou através de uma fonte protéica especifica (farinha de peixe, farelo de soja, etc...). Estes cuidados na formulação representam um incremento adicional no custo de uma ração para peixes. Seria uma negligencia formular uma ração coma falta de um destes aminoácidos essenciais. Quando um aminoácido essencial está deficiente em uma dieta, este é considerado um aminoácido limitante, porque limita a síntese protéica nos diferentes tecidos. Assim se estabelece uma deficiência nutricional. Maiores detalhes sobre as deficiências nutricionais serão abordados na Parte IV desta série de artigos sobre Alimentação e Nutrição de Peixes Ornamentais. O correto balanceamento dos aminoácidos de uma ração é importantíssimo, porque quando há desbalanceamento não ocorre um aproveitamento total da proteína da dieta e maior será a excreção de proteína pelas fezes e amônia na urina e brânquias. Com estas considerações podemos compreender a importância da qualidade das proteínas na nutrição de peixes. É muito importante colocar aos prezados leitores que a qualidade da proteína é muitas vezes mais relevante que a própria quantidade deste nutriente numa ração. Anotem esta frase para quebrar um paradigma estabelecido por uma prática de marketing muito baixa: uma ração nem sempre é melhor do que a outra por conter uma quantidade maior de proteína. Algumas marcas apelam ao consumidor iludindo que o fato de sua ração conter X% de proteína a mais que seu concorrente é melhor. Lamentável esta pura falta de conhecimento de quem oferece palestras fundamentadas nesta teoria. Se vocês prezados aquaristas ouvirem uma barbaridade deste tipo não poupem esforços em suas críticas. Uma dieta hiperproteica , ao contrário pode causar danos a saúde de algumas espécies de peixes de acordo com o seu hábito alimentar e fase de vida. Altas taxas de proteína (proteína de boa qualidade obviamente) são importantíssimas para peixes jovens e espécies de hábito alimentar carnívoro e onívoro com uma certa tendência a carnívoros. Oscars, Acarás Discos, Piranhas, alguns ciclídeos africanos justificam níveis de proteína bruta (PB) na ração que podem chegar a mais de 45% mesmo na fase adulta. Já ciprinídeos como kinguios e carpas koi adultos não devem ter níveis de proteína bruta (PB) superiores a 35%, sendo afaixa ideal próxima a 30%. Infelizmente existem importantes marcas no mercado equivocadas a este respeito. E não paramos por aqui: a temperatura da água possue um papel importante nos requerimentos protéicos dos peixes. Quando a temperatura da água encontra-se dentro da zona de conforto térmico dos peixes são maiores as necessidades de proteína na dieta para atingir os melhores índices de desenvolvimento do peixe.


Detalhe de alevino (figura acima) ainda com o saco vitelínico e (abaixo) após absorção completa. O alevino na foto inferior apresenta-se desnutrido. Em aquários a maior causa de mortalidades das crias deve-se a falta de alimentação adequada. O aquarista precisa compreender que o alevino passa por uma fase de transição durante o processo de absorção do vitelo onde a partir do momento em que está apto a realizar a abertura da boca já deve receber oferta de alimento. A dica seria iniciar a oferta de alimento (ração para alevinos, nauplios de artemias e rotíferos) um pouco antes de finalizar a absorção do vitelo, pois há uma melhora na taxa da sobrevivência. Deve ainda oferecer várias vezes ao dia, porque é alta a taxa do metabolismo dos peixinhos nesta fase de vida.
____________________________________________________________________________________ NOTA TÉCNICA: Estudos com peixes ornamentais demonstraram diferentes exigências proteicas de acordo com a fase de vida dos peixes. Em "Goldfish"Carassius auratus) alto requerimento proteico foi observado para larvas (ao redor de 53% de PB), enquanto que para juvenis estes requerimentos baixaram para 29-30% de PB.

Em fêmeas de lebistes com dietas com níveis de proteínas entre 25 a 45% de proteína bruta tiveram uma alta taxa de fecundidade quando comparadas a grupos que receberam 15% de PB.

Estes estudos demonstram que os níveis de proteína na dieta são importantes tanto para o crescimento como para a reprodução dos peixes ornamentais.

ENERGIA

A energia não é considerada um nutriente, mas é oriunda do metabolismo oxidativo de proteínas, lipídeos e carboidratos. Os peixes possuem baixos requerimentos energéticos quando comparados a outras espécies de animais.


Por que os requerimentos energéticos dos peixes são baixos ?

1° os peixes são ectotermos, ou seja, não precisam de energia para manter a temperatura corporal, como acontece nos mamíferos.

2° os peixes vivem num ambiente aquático onde não sofrem tanto os efeitos da gravidade necessitando um mínimo de energia para manterem-se em suas posições. A bexiga natatória, atualmente renomeada de vesícula gasosa contribui para que o peixe mantenha-se em equilíbrio na coluna da água com muito menos atividade muscular do que teria que fazer um mamífero no ambiente terrestre.


3° Outra importante razão dos baixos requerimentos energéticos dos peixes é o fato dos peixes excretarem passivamente 85% da amônia NH3 através das brânquias. Por outro lado os mamíferos teriam que gastar energia na produção de uréia e as aves para formarem ácido úrico.
Os peixes precisam dietas contendo níveis adequados de energia. Os peixes alimentam-se até o momento de satisfazerem suas necessidades energéticas. Se uma ração possuir altos níveis de energia o peixe irá cessar mais rapidamente a ingestão de alimento e muito provavelmente não ingira o suficiente para atender as suas exigências protéicas e de outros nutrientes. A energia, portanto limita o consumo de alimento para os peixes e o crescimento.

LIPÍDEOS E ÁCIDOS GRAXOS

Os lipídeos são nutrientes essenciais para os peixes. São fontes de energia aos peixes mais prontamente disponíveis em quantidade do que proteínas e carboidratos. Os lipídeos desempenham muitas funções no organismo: lubrificação do trato digestivo, suporte de energia, fonte de ácidos graxos essenciais, serve de componente estrutural de tecidos, aumenta a palatabilidade e agem sobre a regulação de diversas funções do organismo. O excesso de gordura na dieta alimentar pode causar uma queda no desempenho ao piorar a conversão alimentar. Este efeito já pode ser observado a partir de 6% de Extrato Etéreo, conforme a espécie e fase de vida.


Detalhe do acúmulo de gordura na cavidade celomática em razão de uma dieta hiperenergética.

Os ácidos graxos essenciais: linolênico (Ômega 3) e linoleico (Ômega 6) deve ser supridos na dieta, pois os peixes têm capacidade limitada de sintetiza-los. Estes ácidos graxos são muito importantes para que os peixes mantenham a flexibilidade de suas membranas celulares sob condições de baixas temperaturas de água. A deficiências destes ácidos graxos essenciais, ou de seus precurssores na ração causam:

- diminuição de crescimento;
- piora da conversão alimentar;
- aumento de mortalidade;
- aumento de líquido nos músculos;
- ulcerações nas nadadeiras;
- degeneração gordurosa no fígado;
- aumento da taxa respiratória;
- diminuição dos níveis de hemoglobina diminuição do número de hemácias.

Problemas que podem ocorrer com a gordura de rações.

Rações de baixa qualidade, prazo de validade vencido, ou más condições de armazenamento, podem ter problemas relacionados com a peroxidação. O peróxido formado é altamente tóxico e consome toda a vitamina A e E, que são antioxidantes naturais. Como conseqüência temos sinais de:

Alterações externas
- emagrecimento;
- escurecimento da pele;
- perda de escamas;
- necrose das nadadeiras;
- palidez nas brânquias;

Alterações internas

- ascite;
- aumento de baço;
- fígado pálido amarelado;
- anemia profunda;
- estômago e intestinos vazios e com bile. Para resolver o problema administra-se antioxidantes na ração como o BHA e o BHT em níveis em torno de 0,01%. Suprimento de vitamina E na ração são preconizados como preventivo da oxidação das gorduras corporais.


Aspecto pálido-amarelado (gorduroso) de fígado de um peixe em virtude de problemas associados aos ácidos graxos da dieta. Também conhecida como lipidose hepática.


CARBOIDRATOS

Os carboidratos são um dos maiores nutrientes ao lado das proteínas e lipídeos Os carboidratos são abundantes nas plantas, pois são a forma de armazenamento de energia. Os carboidratos são classificados em três grupos principais: monossacarídeos, oligossacarídeos e polissacarídeos. Peixes de águas tropicais tendem a utilizar muito melhor o carboidrato da dieta quando comparados a peixes de água fria e peixes marinhos. O hábito alimentar também interfere diretamente na capacidade de digestão e absorção deste nutriente. Peixes herbivoros, e onívoros, mas que possuem vegetais incluidos na sua dieta como goldfish e carpas digerem com maior facilidade carboidratos devido a microflora especializada no aparelho digetsivo destas espécies.

FIBRAS


A pequena capacidade do tubo digestivo, aliada ao curto tempo de passagem, baixa temperatura do meio em que vivem e a pouca atividade microbiana levam os peixes a apresentarem baixa digestibilidade de alimentos fibrosos. O uso de altos percentuais de fibra na dieta de peixes é questionado por diversas razões: não possuem valor energético significativo, existência de trato intestinal curto e pouca utilização da fibra, aumento da motilidade do trato gastrointestinal (TGI) consequentemente aumentando a velocidade de passagem dos alimentos que diminui a absorção de outros nutrientes. Além disso, o excesso de FB limita a ingestão total. A exceção seriam peixes herbívoros que possuem o trato digestivo relativamente maior quando comparado a peixes de outros hábitos alimentares. A microbiota gástrica e intestinal permite que a fibra da dieta seja melhor aproveitada.

VITAMINAS


As vitaminas são classificadas em hidrossolúveis e lipossolúveis baseado na sua solubilidade. As vitaminas são substâncias orgânicas de extrema importância para o crescimento, saúde, reprodução, mas são requeridas em pequenas quantidades na dieta.
Cada vitamina possui uma função específica no organismo e a ausência, ou deficiência de uma não pode ser substituída, ou compensada por outra.

Vitaminas Hidrossolúveis


-
Ácido ascórbico (Vitamina C): manutenção da integridade dos tecidos de sustentação; biossíntese de colágeno e cartilagem; integridade capilar; melhora da imunidade.

- Cianocobalamina (B12): essencial na formação de elementos sangüíneos durante a eritropoiése; - Biotina: importante na função de diversas enzimas;

- Ácido fólico: eritropoiése, essencial para a síntese dos ácido nucleicos. Pode melhorar a eclodibilidade dos ovos dos peixes;

-
Niacina: componente de coenzimas do metabolismo da glicose e no metabolismo dos lipídeos;

- Ácido pantotênico (B3): integrante de coenzima A, importante no metabolismo dos carboidratos e das gorduras;

-
Piridoxina (B6): essencial no metabolismo de carboidratos, de aminoácidos e de lipídeos; - Riboflavina (B2): é coenzima essencial no metabolismo das gorduras e diversos aminoácidos. Importância no sentido da visão.

- Tiamina (B1): participa do metabolismo de carboidratos, essencial para o normal funcionamento do sistema nervoso, essencial para o apetite, digestão, crescimento e fertilidade;

- Colina: doadora de metila em reações metabólicas, precursora da AcetilCoA. Maior componente do neurotransmissor acetilcolina e essencial para o transporte de lipídeos;

-
Inositol: componente estrutural de certos tecidos , onde age prevenindo a acumulação de colesterol, como mioinositol, serve de reserva de carbohidratos CHO nos músculos;

- Ácido lipóico: biocatalizador.

Vitaminas Lipossolúveis


-
Vitamina A: requerida para regeneração da sensibilidade à luz; transporte transmembrana de cálcio; reprodução e desenvolvimento embrionário; integridade das membranas e epitélios.

- Vitamina D: estocada em grandes quantidades no fígado dos peixes. São biologicamente ativas na absorção do cálcio e do fósforo; ativa a fosfatase alcalina que é envolvida no metabolismo do fósforo.

-
Vitamina E: a atividade biológica da vit.E é através de oito compostos, sendo o alfa-tocoferol o mais ativo; atua como um antioxidante biológico protegendo os peixes da oxidação. Atua também protegendo a Vitamina A, o caroteno e a Vitamina C da ração.

- Vitamina K: essencial para síntese da protrombina. Em peixes a coagulação precisa ser extremamente eficiente devido a viverem em meio líquido.

MINERAIS


Os minerais são classificados de acordo com a quantidade necessária pelo organismo. os macrominerais são requeridos em larga escala pelo organismo e os microminerais são necessários apenas traços destes no organismo.


Macrominerais
Ca e P:
o requerimento é bastante baixo e depende da relação entre o cálcio da dieta/cálcio do ambiente. Cerca de 90% das necessidades de cálcio vêm da água e somente 10% da dieta. O CaCO3 da água assume vital importância neste contexto. O fósforo é um dos minerais mais importantes da dieta dos peixes, pois é essencial para o crescimento, processo de mineralização óssea, metabolismo de lipideos e carboidratos.

Magnésio:
70% do magnésio do corpo é encontrado no tecido ósseo. Uma relação adequada de magnésio é essencial para o metabolismo do cálcio e fósforo.

Sódio e Potássio: o potássio é o tercerio elemento em abundância no corpo ficando atrás somente do cálcio e do fósforo. O sódio e potássio estão estritamente relacionados com a manutenção da pressão osmótica. São importantes também na manutenção do equilíbrio ácido básico interno dos peixes. O potássio participa no processo de relaxamento muscular e é utilizado em diversas reações enzimáticas, já o sódio participa no processo de contração muscular.

Microminerais
Cromo:
o cromo é um elemento essencial que não atua sozinho no organismo. Junto com outras substâncias atua no controle do metabolismo geral, insulina, importantes enzimas, DNA e RNA.

Cobalto:
é componente da cianocobalamina (vitamina B12)

Cobre:
está relacionado com o metabolismo do ferro, uma vexz que facilita a absorção do ferro no trato intestinal e seu armazenamento no fígado. O cobre é cofator de importantes enzimas que atuam no metabolismo da energia. Os peixes são muito susceptíveis a intoxicação pelo cobre contido na água, principalmente se a alcalinidade da água (KH) estiver baixa. Veremos um pouco mais sobre esta questão na parte III do artigo Alimentação e nutrição de Peixes Ornamentais que abordará a Ictiopatologia nutricional.

Iodo: o iodo é componente essencial de hormônios da tireóide. Conseqüentemente tem está relacionado ao metabolismo geral dos animais como o crescimento, funções teciduais nervosas e musculares, ativação do metabolismo da circulação, etc...

Ferro: é um mineral essencial para a formação das céllulas vermelhas sanguíneas. O ferro combina-se com proteínas para formar a hemoglobina das hemáceas. O ferro está envolvido no transporte de oxigênio pelas hemáceas. É componente de algumas enzimas requeridas no metabolismo energético também.

Manganês:
atua na formação óssea, coagulação sanguínea e funções ad insulina e síntese de colesterol. É ativador de importantes enzimas envolvidas no metabolismo de proteínas, lipídeos, carbohidratos e ácidos nucléicos.

Selênio:
o selênio é importante para manutenção da saúde de peixes sobre condições estressantes. A vitamina E, os aminoácidos metionina e cisteína podem ser substitutos parciais do selênio para algumas funções. O selênio participa na ativação de uma importante enzima (a glutation preoxidase) que impede a toxicidade dos peróxidos provenientes da oxidação da gordura dos alimentos. Incrementos de vitamina E e selênio nas rações comerciais são muito benéficos aos peixes.

Zinco:
o zinco é de vital importância no processo de calcificação óssea, além de participar no processo de transferência de dióxido de carbono CO2 para as hemáceas. É importante também para a síntese protéica e ácidos nucléicos.

Carotenoides

Os pigmentos carotenoides são um dos principais grupos de pigmentos naturais da pele e musculatura dos peixes. Os mais encontrados são: luteina, taraxantina, astaxantina, tunaxantina, alfa doradexantina, beta doradexantina e zeraxantina. Como os peixes não podem sintetizar estes pigmentos estes são necessários estar incluidos na dieta. Isto tornou-se um importante aspecto a ser explorado pela industria de rações para peixes ornamentais. ____________________________________________________________
NOTA TÉCNICA 2: Estudos revelaram que a coloração avermelhada de kingyos e carpas koi é atribuída a astaxantina. Este carotenóide pode ser metabolizado a partir da zeaxantina e em menor quantidades pelo beta caroteno, justificando o incremento destes pigmentos na ração.

A Spirulina, muito encontrada na formulação de rações para peixes ornamentais, também exerce um papel importante na coloração. A razão de se uso deve-se a sua capacidade de fixar/acumular carotenoides promovendo indiretamente a intensificação da coloração da pele e musculatura.


Estratégias Nutricionais para Manter os Peixes Saudáveis Para manter peixes saudáveis é preciso compreender três aspectos básicos relacionados à alimentação: qualidade, quantidade e freqüência. Esta tríade compõe o que denominamos de estratégia nutricional. Um aquarista consciente sempre buscará infromações e o melhor alimento para seus peixes. Uma alimentação saudável previne o surgimento de inúmeras enfermidades dos peixes. Sob o aspecto de comportamento há um incremento de vitalidade, acentuação da coloração e melhoria da atividade reprodutiva dos peixes. Não esqueça que uma boa ração deve conter os seguintes pré-requisitos: - alimento completo para a espécie e fase de vida da mesma. - conter somente ingredientes de boa qualidade. - rico complexo vitamínico com complexo B, vitamina E, além de quantidades elevadas de vitamina C próximas a 500mg. - rico complexo mineral. Por exemplo, sempre conter maior quantidade em relação a quantidade de fósforo, sendo este último em pequenas quantidades. - não deve alterar a coloração da água. - não conter excesso de gordura (Extrato etéreo), principalmente em formulações para peixes adultos. Rações que oferecem níveis acima de 8% de extrato etéreo podem ter a intenção de mascarar a falta de palatabilidade e sofrer com maiores riscos de peroxidação desta matéria prima. Mais grave ainda é o fato de que o excesso de gordura restringe o consumo alimentar e pode dificultar a assimilação de alguns nutrientes da ração. - conter níveis de proteína bruta entre 30 a 35% (kinguios e carpas koi, por exemplo) e níveis superiores para peixes carnívoros e onívoros com tendência a carnívoros. Para acarás discos, por exemplo, estes níveis de proteína bruta ultrapassam 46%.

Belos exemplares de carpas koi de um lago ornamental. No mercado existem linhas de rações destinadas para estas espécies. Muitas destas linhas de rações vem com a denominação "ponds" e devem sempre ter preferência na hora da escolha. Não somente por atender as exigências nutricionais, mas pelo baixo potencial de poluição que pode deteriorar a qualidade da água dos lagos de jardim.

Casal de Acarás Discos exibindo vitalidade. Os Discos são muito exigentes quanto a alimentação e podem adoecer facilmente se houver algum desbalanço de nutrientes.

Na foto é possível visualizar alevinos de carpas coloridas com o ventre moderadamente retraído. Na compra de peixes, quando visualizarmos um peixe nestas condições devemos suspeitar de algum problema. A dica é sempre solicitarmos que alguém alimente os peixe que queremos comprar na loja para observarmos se há, ou não apetite. Peixes enfermos geralmente perdem o apetite, ok?


A qualidade do alimento


a) Deve-se a presença dos ingredientes que contenham os nutrientes necessários para que o peixe realize suas atividades basais (respiração, nado, etc...), crescimento e reprodução dos peixes.
Os ingredientes de uma ração correspondem, por exemplo, ao óleo de soja, de milho, de peixe, os farelos e farinhas de peixe, de arroz, glúten, etc... Os nutrientes estão inseridos nestes ingredientes. Assim, a escolha dos melhores ingredientes está baseada na quantidade e necessidade dos nutrientes que a ração necessita para atender as exigências nutricionais de um peixe. Ingredientes de qualidade inferior geralmente são encontrados em rações mais baratas. Rações mais caras, provavelmente devem conter ingredientes de qualidade superior. O alto custo de algumas marcas de rações podem ser compensados pelos benefícios. É verdade que nem tudo que é mais caro necessariamente é melhor, mas com certeza merece uma atenção especial. O que for barato demais devemos suspeitar, pois muitas fezes são utilizadas matérias primas de qualidade inferior e técnicas de fabricação com o emprego de tecnologias menos eficazes no processo de fabricação. O aquarista precisa ser muito crítico sobre este aspecto e atento para estratégias de marketing enganosas executadas por quem não entende de aquarismo. Diferentes espécies e fases de vida implicam em diferentes exigências nutricionais. Estas exigências estão relacionadas aos hábitos alimentares. Vale lembrar que hábitos alimentares dos peixes ornamentais classificam-se basicamente em carnívoros, onívoros e herbívoros. O aquarista, sempre que precisa, deve procurar informar-se sobre quais as melhores alternativas de alimentação para as espécies de peixes que cultiva.


b) A combinação adequada de nutrientes como aminoácidos, vitaminas e minerais.
A combinação destes nutrientes é fundamental. Um bom exemplo é a relação entre os minerais cálcio e fósforo. Na formulação das rações há uma proporção padronizada de 1,5:1 aproximadamente. Outro exemplo seria o uso da vitamina E que além de um nutriente serve como antioxidante para preservar a gordura das rações (Extrato Etéreo). Uma deficiência de aminoácidos essenciais e vitamínas pode inclusive ocasionar algumas patologias de causa nutricional.

c) Estabilidade na água.
A ração deve causar o menos possível de lixiviação. A lixiviação é a perda de nutrientes da ração em contato com a água. É o quanto a ração polui a água do aquário. Um bom exemplo é o caso de rações que liberam excesso de fósforo e proteína na água. Rações de baixa digestibilidade também se enquadram neste contexto. A vitamina C, por exemplo é hidrossolúvel e necessita estar protegida no pellet. O aquarista deve deixar de lado na prateleira rações com baixos níveis de vitamina C.

Significado de Lixiviação de nutrientes: é o termo técnico utilizado na hora de expressarmos a perda dos nutrientes em um pellet, ou floco de ração na água. Rações pouco estáveis e fabricadas com processos de baixa tecnologia permitem a lixiviação de nutrientes (desde proteína até vitaminas e minerais). Quando mais lixiviação mais poluição teremos no ambiente aquático. Poluição essa causada pela ração que coloca em risco o equilíbrio do ambiente aquático em que vivem nossos peixes. As conseqüências já sabemos: aumento dos níveis de amônia (lixiviação de proteína) e proliferação de algas (lixiviação de fósforo e do nitrogênio protéico).


Nessa imagem, podemos ver um pellet de ração de baixíssima qualidade perdendo nutrientes (lixiviação de nutrientes) e absorvendo uma grande quantidade de água.


Visualização da ração que vai ao fundo rapidamente após absorver água. Característica essa indesejável, quando pretendemos alimentar espécies que tem o hábito de se alimentar na superfície da água. é fato que uma grande quantidade dessa ração entra em decomposição e deprecia a qualidade da água dos lagos, tanques e aquários.


d) Capacidade em atrair os peixes. A palatabilidade e a cor são os principais fatores para atrair os peixes. O aquarista precisa estar atento que os peixes possuem preferências e podem algumas vezes não demonstrar tanta voracidade em comer a ração logo após alguma mudança de marca. Isto não é uma regra, mas peixes condicionados a comer uma mesma ração por muito tempo podem inclusive rejeitar a nova ração. A flutuabilidade da ração, por sua vez também colabora para atrair mais, ou menos um peixe. Algumas espécies como corydoras, botias preferem pellets que afundam rapidamente. Já os discos alimentam-se muito bem no meio da coluna de água e tornam-se muito desajeitados ao comer na superfície da água. Converse com o lojista, e discutam as melhores opções para os peixes que você compra. O lojista deve estar preparado para responder estas questões.

e) Granulometria
A granulometria corresponde ao tamanho e a forma de apresentação do pellet da ração. Preconiza-se um tamanho de pellet próximo de 20% da abertura da boca do peixe. Pellets grandes demais para peixes pequenos são prejudiciais pela mesma razão que pellets pequenos são prejudiciais para peixes grandes. A razão é fundamentada na maior demanda de energia para que o peixe consiga fazer a apreensão e ingestão de uma quantidade suficiente de ração para atender suas exigências nutricionais. Um desajuste da granulometria reflete em redução da taxa de crescimento.

Na imagem podemos obsevar uma acentuada desuniformidade dos grânulos da ração para peixes de lagos de jardim. Os efeitos prejudiciais de uma granulometria inadequada são mais evidentes em fases de vida mais jovens como o caso de alevinos e juvenis. Os peixes de menor porte terão dificuldades de ingerir pellets que tiverem desvios acima da granulometria estabelecida para a faixa etária. Nas pisciculturas ornamentais que registram seus custos de produção e monitoram os desempenhos dos lotes é possível comprovar na prática os efeitos desastrosos do uso de granulometrias inadequadas.

Quantidade de Alimento Oferecida: Para peixes ornamentais de aquários, em geral a maneira mais prática de determinar a quantidade de ração a ser oferecida é através do apetite dos peixes. É possível oferecer ração a vontade desde que: - seja rapidamente consumida; - não ocorram sobras; - não causem um grande aumento repentino da cavidade celomática dos peixes. Na época de reprodução aconselha-se aumentar a oferta de alimento, bem como a freqüência de alimentação para que os peixes produzam gametas de melhor qualidade que resultará em embriões, larvas e alevinos mais resistentes. Há também uma alternativa técnica que pode ser aplicada em pisciculturas ornamentais, lagos de kinguios e carpas koi. Baseia-se no cálculo da quantidade de ração diária em função do percentual de biomassa. Isso é interessante para quem quer aproveitar o melhor desempenho dos peixes durante a fase de crescimento, reduzir os custos com alimentação e estimar a duração de seu estoque de ração.

Procedimento: Capture uma amostra de peixes do lago, ou tanque de peixes ornamentais. Após faça a contagem dos exemplares capturados. Deve-se sempre calcular o somatório do peso dos peixes tendo como resultado a biomassa total de peixes. Por exemplo: Um lago que irá receber 8 kinguios onde o somatório do peso dos peixes (biomassa) foi de 2,620kg. Quanto oferecer de ração diária ? Resposta: Biomassa total do lago, ou tanque X percentual de biomassa (em ração).

2,620 X 0,03% (3% da biomassa de peixes em ração) = 78,6g de ração por dia.
Vou responder mais três questões que não foram expostas:

1- O que é percentual de biomassa ?
É o percentual de ração que devemos oferecer em relação a biomassa total (somatório do peso de todos os peixes). Existe uma tabela de referência deste percentual para kinguios e carpas koi de acordo com a fase de vida e a temperatura da água. Isto porque os peixes possuem diferentes exigências nutricionais em cada fase de vida. Já a temperatura influencia diretamente no consumo de alimento. Temperaturas elevadas estimulam os peixes a comerem mais, por outro lado as mais baixas induzem os peixes a comerem menos.

2- Como saber que percentual de biomassa utilizar ?
Basta seguir a tabela referente ao percentual de biomassa oferecido diariamente para carpas e kinguios de acordo com a fase de vida e a temperatura da água.


* Temperaturas e épocas do ano impróprias para criação de alevinos de kinguios e carpas.


3- Quantas vezes ao dia devo oferecer a ração calculada ?
O total de ração estimado no exemplo acima foi de 78,6g. Lembram ? Pois bem, esta quantidade deve ser fracionada para ser oferecida de duas a quatro vezes ao dia para peixes adultos, ou juvenis e seis a oito vezes para alevinos. Se decidir oferecer 02 vezes diárias será 39,3 g na parte da manhã e 39,3 g na parte da tarde. - Freqüência de alimentação: Quando o criador, ou aquarista não optarem pelo programa nutricional que envolve o percentual de biomassa para estimar a quantidade de ração deve-se oferecer ração duas vezes ao dia. Se quiser oferecer mais vezes ao dia não há problemas. Não há uma regra geral desde que não seja oferecida em excesso. O pior erro do aquarista é oferecer ração em excesso, pois além de não fazer bem a saúde dos peixes contribui para prejudicar a qualidade da água.

Ictiopatologia Nutricional

Para finalizar esta série de artigos referentes a Alimentação e Nutrição de Peixes Ornamentais disponibilizaremos uma lista com as principais doenças causadas por desordens nutricionais.

1.0 Problemas Nutricionais relacionados as Proteínas.

Nos peixes o desbalanço de aminoácidos na dieta alimentar pode ser atribuído tanto pelo excesso como pela deficiência de alguns aminoácidos essenciais. As conseqüências diretas refletem-se sobre os baixos índices produtivos e aumento nas taxas de mortalidade, principalmente na fase de alevino. Entre os sinais clínicos sugestivos de deficiências de aminoácidos destaca-se as deformidades de coluna vertebral, nadadeiras, opérculos e opacidade dos olhos.


O DESBALANÇO DE AMINOÁCIDOS

Os aminoácidos mais associados as deficiências em peixes são: a lisina, metionina, triptofano, leucina, arginina e histidina. A excreção nitrogenada dos peixes pode ser influenciada tanto pelos níveis protéicos como pelo desbalanço de aminoácidos da dieta alimentar. Trabalhos recentes comprovaram alterações nas taxas de excreção de amônia e uréia em peixes cultivados. Em trutas arco-íris (Oncorhynchus mykiss), por exemplo o excesso do aminoácido arginina na dieta foi capaz de promover nesta espécie um aumento da amônia plasmática e de uréia. Esta alteração metabólica acarretou em uma diminuição da taxa de crescimento promovida pelo maior gasto de energia para eliminação destes metabólitos.
As desordens nutricionais atribuídas a proteínas e aminoácidos estão muito relacionadas a alterações da excreção nitrogenada e já identificam-se hoje diversas espécies de peixes que são capazes de realizar o ciclo da uréia sob condições alimentares e ambientais especificas. Em traíras (Hoplias malabaricus) a indução do ureotelismo já foi comprovada em pesquisa como uma resposta adaptativa desta espécie frente a uma condição adversa.

SINTOMAS CAUSADOS PELA DEFICIÊNCIA DE AMINOÁCIDOS

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Deficiência de Lisina: lordose e erosão de nadadeiras.
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Deficiência de Metionina: catarata com opacidade dos olhos.
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Deficiência de Triptofano: escoliose, lordose, catarata e erosão da nadadeira caudal.
-
Deficiência de Leucina, Arginina e Histidina: lordose


Goldfish apresentando deformidade da coluna vertebral e emagrecimento acentuado atribuído a deficiência de aminoácidos essenciais na dieta.


Acará disco com erosão e degeneração das nadadeiras associada a deficiência nutricional. Caso clínico resolvido em poucos dias com o oferecimento de uma ração balanceada.


Um exemplar de alevino de carpa com uma grave deformidade na coluna vertebral, além de perda da resistência das escamas. Caso clínico também associado a deficiência de aminoácidos essenciais na dieta.

SINTOMAS CAUSADOS PELA INTOXICAÇÃO POR AMINOÁCIDOS


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Excesso de Leucina: escoliose, deformação de opérculos e deformação de escamas.

2.0 Problemas Nutricionais relacionados aos Lipídeos.


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Deficiência, ou Excesso de Ácidos Graxos Essenciais na Alimentação: diminuição do crescimento e da eficiência alimentar. 3.0 Problemas Nutricionais relacionados aos Minerais. - Deficiência de fósforo: redução de crescimento e ganho de peso, desmineralização óssea e aumento do conteúdo adiposo dos músculos.
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NOTA TÉCNICA 3: Estudos em guppies revelaram que a deficiência de fósforo na dieta está associada a perda do apetite, deformidades de coluna (escoliose e lordose).

- Deficiência de cálcio:
deficiências de cálcio não são comuns, pois os peixes podem extrair até 85% do cálcio contido na água. No entanto quando ocorre causa perda do apetite e crescimento reduzido.

- Deficiência de Potássio:
perda do apetite, redução do crescimento e ganho de peso. - Deficiência de Magnésio: perda do apetite, crescimento e ganho de peso reduzidos, flacidez muscular, aumento da taxa de mortalidade.

- Deficiência de Ferro:
perda do apetite, redução de crescimento e Peso, anemia, catarata e erosôes das nadadeiras.

- Deficiência de Manganês:
perda do apetite, catarata, crescimento anormal da nadadeira caudal. - Deficiência de Cobre: redução de crescimento e catarata.

- Deficiência de Selênio: aumento da taxa de mortalidade, distrofia muscular, rescimento reduzido, catarata e anemia.

- Deficiência de Iodo:
hiperplasia da tireóide e redução do crescimento.

4.0 Problemas Nutricionais relacionados as Vitaminas.

AS DEFICIÊNCIAS VITAMINICAS


As vitaminas são substâncias orgânicas de extrema importância para o crescimento, saúde, reprodução, mas são requeridas em pequenas quantidades na dieta. Cada vitamina possui uma função específica no organismo e a ausência, ou deficiência de uma não pode ser substituída, ou compensada por outra.

Voltaremos nossas atenções para o efeito da vitamina C sobre o crescimento e imunidade dos peixes, uma vez que está é constante objeto de estudo na nutrição de peixes. A manifestação da deficiência de vitamina C na dieta de peixes manifesta-se através dos seguintes sinais clínicos: perda do apetite, redução de crescimento, diminuição da imunidade, anemia microcítica normocrômica e magaloblástica, produção desordenada de colágeno, cicatrização prolongada, cartilagem retorcida, escoliose e lordose, hemorragias externas e internas, erosões e perda de escamas, além de causar mortalidade elevada.

Diversos estudos sobre a deficiência e suplementação de Vitamina C na dieta já foram conduzidos em peixes. É consumado que ela aumenta a resistência dos peixes mediante a agentes estressores. Os peixes suplementados com vitamina C na dieta suportam melhor as condições de transporte, apresentam maior resistência a choque osmótico durante a aclimatação e maior resistência a enfermidades. A vitamina C é responsável pela manutenção da integridade dos tecidos de sustentação, biossíntese de colágeno e cartilagem, integridade capilar; melhora da imunidade. A vitamina C é hidrossolúvel e seu incremento na ração deve ser realizado em fórmulas estabilizadas para que esta não seja perdida para o meio ambiente por lixiviação. A fórmula estabilizada mais usual são as fosfatadas como o caso da L-ascorbyl-polifosfato (LAPP). Estudos recentes de suplementação com vitamina C em
Lateolabrax japonicus identificaram efeitos significativos sobre o crescimento e imunidade favoráveis para os grupos que receberam os maiores níveis desta vitamina justificando a sua importância e aplicação na alimentação de peixes.

OS SINTOMAS CAUSADOS PELA DEFICIÊNCIA DE VITAMINAS


Deficiência de Ácido Ascórbico (Vitamina C):
perda do apetite, redução de crescimento, diminuição da imunidade, anemia microcítica normocrômica e magaloblástica, produção desordenada de colágeno, cicatrização prolongada, cartilagem retorcida, escoliose e lordose, hemorragias externas e internas, erosões e perda de escamas, além de causar mortalidade elevada.
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NOTA TÉCNICA 4: Diversos estudos sobre a deficiência e suplementação de Vitamina C na dieta foram já conduzidos em peixes ornamentais. Grupos de Oscars, Acarás Bandeiras e Guppies apresentaram maior resistência a agentes estressores quando comparados a grupos destes mesmos peixes sem suplementação de vitamina C na dieta. Peixes suplementados com vitamina C na dieta suportam melhor as condições de transporte, apresentam maior resistência a choque osmótico durante a aclimatação e maior resistência a enfermidades. Em alevinos de Acarás bandeiras, por exemplo, níveis ótimos acima de 320mg de vitamina C foram necessários para o máximo de estocagem tecidual. Estes dados sugerem a todos nós dar preferência a rações que possuam níveis elevados de vitamina C na sua formulação.

Deficiência de Ácido Pantotênico (B3):
redução de crescimento e peso, anorexia, obstrução branquial, exoftalmia, natação anormal e aumento da mortalidade.

Deficiência de Piridoxina (B6): redução do crescimento, desordens nervosas, hiper-irritabilidade, natação irregular, perda de equilíbrio, perda de escamas, anorexia baixa taxa de conversão alimentar, redução de crescimento.

Deficiência de Riboflavina (B2): redução de crescimento e peso ,anorexia, opacidade da córnea (catarata), hemorragias nos olhos, narinas e opérculo, nado irregular. Fotofobia, mudanças de coloração (escurecimento) e taxa de mortalidade elevada.

Deficiência de Cianocobalamina (B12):
redução de crescimento, anemia microcítica hipocrômica e megaloblástica, anorexia, pigmentação escura.

Deficiência de Tiamina (B1):
redução de crescimento e peso, anorexia, opacidade da córnea, movimentação sinuosa, síndrome da curvatura do tronco, degeneração vascular e hemorragia nas nadadeiras, transtornos nervosos e mudanças de coloração.

Deficiência de Biotina:
redução de crescimento e peso, anorexia, diminuição da atividade, natação anormal, mortalidade elevada.

Deficiência de Ácido Fólico:
anemia macrocítica normocrômica, redução de crescimento e peso, anorexia, letargia e perda gradual de coloração.

Deficiência de Niacina:
redução de crescimento e peso, perda do apetire, mudança de coloração (despigmentação), hemorragia na pele, hipersensibilidade a luz solar, vulnerabilidade a queimaduras solares, natação anormal, mortalidade elevada.

Deficiência de Vitamina E (Tocoferol):
redução do crescimento, perda do apetite, anemia, ascite, cerosidade do fígado, baço e rins, arcos brânquiais retorcidos, distrofia muscular, diminuição da imunidade, edema no pericárdio, fragilidade das hemácias.

Deficiência de Inositol: redução de crescimento, anorexia, hemorragia nas nadadeiras, pele e perda da mucosa e coloração escura.

Deficiência de Vitamina A (retinol): redução de crescimento e peso, ascite (barriga dágua), edema, exoftalmia, degeneração da retina, anorexia e despigmentação, hemorragia renal e aumento da mortalidade.

Deficiência de Vitamina D3:
redução de crescimento e peso, anorexia, elevado conteúdo lipídico no fígado e músculos, baixa concentração de hemoglobina e diminuição da relação hepatossomática.

Deficiência de Vitamina K3: retardo no tempo de coagulação, anemia, hemorragia branquial, ocular, na pele e em tecidos Vasculares.


Visualização de deformidade de nadadeiras atribuída a problemas na síntese de colágeno pela deficiência de vitamina C na dieta.

Visualização de células sangüíneas de peixe. Hemáceas nucledas caracterrísticas dos peixes e uma únuca célula de defesa ao centro. Diversas deficiências vitamínicas ocasionam anemias e baixa da imunidade predispondo os peixes a diversas enfermidades.


HIPERVITAMINOSES Os peixes acumulam vitaminas lipossolúveis quando as quantidades ingeridas ultrapassam as necessidades metabólicas. Uma acumulação muito elevada pode causar um estado tóxico: HIPERVITAMINOSE.

Hipervitaminose A: diminuição do crescimento, alterações hematológicas, necrose e erosão de nadadeiras, escoliose, lordose, fígado gorduroso e aumento da mortalidade. Hipervitaminose D: diminuição do crescimento, letargia e coloração escura. Hipervitaminose E: alterações hematológiccas.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AI, Q.; MAI, K.; ZHANG, C.; XU, W.; DUAN, Q.; TAN, B. LIUFU, Z. Effects os dietary vitamin C on groeth and imune response of Japanese seabass, Latelobrax japonicus. Aquaculture 242: 489-500, 2004.

ALTINOL, I.; GRIZZLE, J. M. Excretion of ammonia and urea by phylogenetically diverse fish species in low salinities. Aquaculture 238: 499-507, 2004.

CHONG, A. S. C.; ISHAK, S. D.; OSMAN, Z.; HASHIM, R. Effect of dietary protein level on the reproductive performance of female swordtails Xiphophorus helleri (Poeciliidae). Aquaculture 234: 381-392, 2004.

ENGIN, K.; CARTER, C.G. Ammonia and urea excretion rates of juvenile Australian short-finned eel (Anguilla australis australis) as influenced by dietary protein level. Aquaculture 194: 123-136, 2001.

FOUNIER, V.; GOUILLOU-COUSTANS, M. F.; MÉTAILLER, R.; VACHOT, C.; MORICEAU, J.; DELLIOU, H. L.; HUELVAN, C.; DESBRUYERES, E.; KAUSHIK, S.J. Excess dietary arginine affects urea excretion but does not improve N utilization in rainbow trout Oncorhynchus mykiss and turbot Psetta maxima. Aquaculture 217: 559-576, 2003.

IBRAHIM, E. H. a review of some fish nutrition methodologies. Bioresource Technology 96: 395-402, 2005.

Mabilia, R.G.; Souza, S.M.G.; Braccini, Neto.J.; Barcellos, L.G. The relation between length and mounth size in Rhamdia fish. IX WORLD CONFERENCE ON ANIMAL PRODUCTION, 2003.

MORAES, G.; POLEZ, V. L. P. Ureotelism is inducible in the neotropical freshwater Hoplias malabaricus (Teleostei, Erythrinidae). Braz. J. Biol. V. 64, N°2. 2004.

Nutrient Requeriments of warmwater fishes and shellfishes, Washington: Revised edition. National Academy Press, p. 101, 1983

SALES, J.; JANSSENS, G. P. J. Nutrient requeriments of ornamental fish. Aquat. Living Resour. 16: 533-540, 2003.

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Publicado com autorização de Rodrigo G. Mabilia - Médico Veterinário, Msc. pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

domingo, 2 de novembro de 2008

Ciência

Peixe do tempo das bandeiras volta a povoar o Alto Tietê

Nas artes, ela é citada por Mário de Andrade no poema "A Meditação sobre o Tietê". Na ciência, o ciclo reprodutivo da tabarana, espécie de peixe que está sendo recolocada nas cabeceiras do próprio Tietê, ficou documentado pelo famoso zoólogo Rodolpho von Ihering (1883-1939), nas várzeas do rio "Tamanduatey", entre as estações "Ypiranga" e São Caetano, ou seja, em plena zona metropolitana de São Paulo.
É bem possível que os bandeirantes e os jesuítas pescassem a espécie, que também vivia no "famoso" riacho do Ipiranga, na Vila de Piratininga (peixe seco, em tupi). Mas a poluição chegou ao longo do século 20. Do rio Tietê, a história é conhecida: no trecho em que corta a capital paulista, morreu. A tabarana (Salminus hilarii) acabou aprisionada na cabeceira do rio.


"Hoje, nesta região, ela ocorre até Mogi das Cruzes na Grande São Paulo, e existe também nos rios Biritiba e Paraitinga", afirma o pesquisador Alexandre Hilsdorf, que está tocando um projeto de repovoamento de tabaranas patrocinado pelo Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo) --que tem vários reservatórios na região e, por isso, é obrigado por lei a cuidar da fauna que existe em suas águas.
Pelas contas do pesquisador da UMC (Universidade Mogi das Cruzes), 4.000 tabaranas jovens já foram soltas no Alto Tietê nos últimos anos. Junto com esses primos do dourado, que podem chegar a 30 cm de comprimento, mais 10 mil lambaris-de-rabo-vermelho foram soltos. As tabaranas são migradoras. E comem lambaris.
O projeto na cabeceira do Tietê, que já dura cinco anos, tem um objetivo de campo e outro de laboratório. Uma das preocupações, afirma Hilsdorf, é com toda a cadeia ecológica da região. "A tabarana é carnívora e está no topo da teia alimentar. Ter essa espécie em boas condições na região é uma certeza de que todo o ecossistema também está bem."
Dentro do laboratório, as pesquisas estão identificando todo o ciclo reprodutivo das tabaranas, algo que não havia sido feito ainda. Esta parte do trabalho está sob responsabilidade de Renata Guimarães Moreira, da USP. A tabarana, apesar de não ser um peixe pequeno, é muito sensível -e não se reproduz em cativeiro.
Hoje, nos tanques do projeto que ficam em Salesópolis, ao lado da barragem Ponte Nova, que represa as águas ainda limpas do Tietê, existem 141 reprodutores selvagens. Depois de alguns anos de tentativa, os cientistas finalmente conseguiram reproduzir o peixe. Com uma injeção de hormônio, é possível estimular a desova de forma artificial. A fecundação é feita no tanque.
Na natureza, o período de reprodução ocorre entre a primavera e o verão. E os peixes sobem o rio atrás de áreas de remanso para a desova, cada vez mais difíceis de achar. "Um dos problemas que tivemos que enfrentar foi o canibalismo entre os jovens", diz o biólogo. "Agora já se sabe que a oferta de Artemia [um pequeno crustáceo] para os animais impede que um coma o outro dentro dos tanques."


Os pesquisadores calculam que, no ano que vem, 5.000 alevinos sejam produzidos para a reposição no Alto Tietê. Um dos obstáculos para as tabaranas, por causa dos reservatórios, é ultrapassar as barragens para subir os rios. "Mas, mesmo assim, já encontramos algumas tabaranas dentro dos reservatórios", disse Hilsdorf.
Numa madrugada, relembra o cientista, 80 tabaranas foram localizadas dentro de um poço próximo a uma das barragens. Os peixes entraram, mas como aquele corpo d'água foi esvaziado depois, eles não conseguiram sair. Foram todos resgatados, mas morreram nos tanques devido a um parasita.
Nos próximos anos, Hilsdorf afirma que o importante será analisar a qualidade do processo de repovoamento. "Do ponto de vista genético, precisamos ver como anda a variabilidade da espécie. Nossa intenção é desenvolver marcadores de DNA para ver o quanto de material reintroduzido está sendo realmente recrutado (distribuído na população)."
Existe até a suspeita de que a barreira química do Tietê possa estar fazendo com que a tabarana de Mogi e região esteja virando uma nova espécie. O status de vulnerabilidade das tabaranas é uma incógnita. Mas Hilsdorf é otimista: "Caso um dia a barreira química na cidade de São Paulo desapareça, será possível voltar a pescar tabarana no Tamanduateí."

Fonte: Folha

domingo, 26 de outubro de 2008

Ciência

Estudo revela peixes que vivem em igarapés de Oriximiná
A maioria dos estudos já realizados sobre a fauna de peixes da Bacia Amazônica tem como foco os rios de grande porte, o que termina por excluir habitats menores, como os igarapés. Tendo isso em vista, o jovem cientista Bruno Ayres, bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Científica (PIBIC) do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG), investigou a estruturação da comunidade de peixes dos igarapés do Platô Bacaba, elevação de cerca de 200 metros acima do nível do mar localizada na Floresta Nacional de Saracá-Taquera, município paraense de Oriximiná, na região do Baixo Amazonas.
Aluno do curso de Biologia da Universidade Federal do Pará (UFPA), Ayres elaborou trabalho intitulado “Composição, Riqueza e Diversidade de Peixes de Igarapés no Platô Bacaba, Flona de Saracá-Taquera, Município de Oriximiná (PA)”, que foi orientado pelo pesquisador Luciano Montag, especialista em Ictiologia – estudo de peixes – do Instituto de Ciências Biológicas, da Universidade Federal do Pará (UFPA), que já atuou no Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG) como pesquisador associado.


Montag explica que o trabalho integra o Estudo de Impacto Ambiental encomendado pela empresa Mineração Rio do Norte (MRN), que vai explorar a bauxita no Platô Bacaba. “O objetivo é verificar o que acontecerá com a fauna de peixes quando começar a extração de bauxita”, afirma o pesquisador.
O bolsista Bruno Ayres afirma que o trabalho é o primeiro a avaliar a fauna de peixes dos igarapés de Oriximiná, pois, antes dele, as pesquisas se voltaram para os peixes de habitats como rios e lagos.
Ayres acredita ser importante analisar a distribuição e a ocorrência desses animais em igarapés para conhecer ainda mais a riqueza e a diversidade dos ambientes aquáticos da Amazônia. A longo prazo, a idéia é dimensionar os impactos da extração de bauxita para a fauna de peixes dos igarapés do Platô Bacaba.
“A fauna de peixes de um igarapé é distinta da fauna do rio principal, pois os animais são adaptados para aquele ambiente de águas lentas ou quase paradas, com um curso d’água mais estreito e menos volumoso”, afirma.
Os 552 exemplares de peixes analisados na pesquisa, distribuídos em 33 espécies, foram coletados nos meses de junho e outubro de 2007, nos igarapés da nascente dos rios Saracá a Araticum, que compõem a microbacia do Rio Trombetas. Para descrever as espécies coletadas, Bruno contou com o auxílio dos pesquisadores Wolmar Benjamin Wosiacki, da Coordenação de Zoologia (CZO), do Museu Emilio Goeldi, e Flávio Lima, da Universidade de São Paulo (USP).
Troca de espécies - A coleta ocorreu nas épocas de transição entre os períodos de seca e cheia, o que permitiu constatar que a comunidade de peixes desses igarapés pode variar de acordo com o nível do rio. “Observei que as espécies que compõem a fauna desses igarapés na seca mudam quando chega a época da cheia”, sugere Ayres.
“Na seca, algumas espécies migram para outros locais em busca de um maior volume d’água, e outras sobem em direção aos igarapés, então há uma permuta de espécies entre os ambientes”, comenta o jovem pesquisador. O futuro biólogo propõe também que, na seca, quando há um volume menor de água nos igarapés, as interações bióticas (relações ecológicas como competição, exclusão, predação, reprodução etc.) são muito maiores.
Segundo Ayres, relações como competição e predação podem explicar o sumiço de algumas espécies e o aparecimento de outras quando da mudança da seca para a cheia e vice-versa. “Durante a coleta, nós capturamos dois ou três peixes predadores, como a traíra (também conhecida como sulamba), o que mostra que, se eles estão ali, é porque há uma grande disponibilidade de alimento”.

Na opinião de Bruno, a sobrevivência no igarapé depende da capacidade do animal de usufruir de todos os recursos disponíveis nesse ambiente aquático, cujo tamanho reduzido em relação ao rio intensifica relações como competição, exclusão, reprodução etc. “Isso tudo influencia na forma como o indivíduo vai se adaptar àquele ambiente”, suscita, complementando que “se a espécie conseguir utilizar os recursos do igarapé de forma eficiente, vai se sobressair”. A pesquisa mostra que espécies de piaba e bagre são as mais encontradas nas microbacias analisadas.
De acordo com o estudo, não é apenas a fauna que sofre alterações com a vazão ou cheia do igarapé. O próprio ambiente aquático também é afetado. Influenciando diretamente na cheia desses igarapés, a chuva leva muitos nutrientes da floresta adjacente, a Saracá-Taquera, para dentro desses córregos, constituindo uma matéria orgânica que é responsável pela alimentação de toda uma cadeia, até chegar nos peixes maiores. Isso pode explicar o aparecimento de traíras e outros peixes de grande porte nesses ambientes aquáticos.
Riqueza – Ayres comparou o resultado de sua pesquisa, que resultou na descrição de 33 espécies encontradas nos igarapés do Platô Bacaba, com trabalhos científicos já realizados em igarapés amazônicos e concluiu que a diversidade de peixes nesses ambientes aquáticos não varia muito, ficando em torno de 29 e 35 espécies. “Isso pode mostrar que o máximo de espécies que esse tipo de ambiente pode comportar é aquele intervalo devido ao tamanho reduzido do habitat, ao menor volume d’água e à disponibilidade de alimentos”, diz o bolsista.
O número limitado de espécies de peixes, porém, não significa que a fauna dos igarapés da Amazônia é totalmente conhecida. Prova disso é a pesquisa de Bruno Ayres, quando foi coletado um exemplar de piaba maior do que aqueles já descritos na literatura científica e que pode representar uma espécie nova para a ciência. Para isso, foi fundamental o auxílio do ictiologista da USP, Flávio Lima.
O bolsista conta que, durante o processo de descrição das espécies colhidas nos igarapés do Platô Bacaba, Flávio Lima reconheceu essa espécie de piaba e afirmou que já estava descrevendo-a. Segundo Ayres, a certeza de que se trata de uma nova espécie de peixe virá com a publicação do trabalho do pesquisador da USP, “provavelmente ainda este ano”.

Prêmio – Durante o XVI Seminário PIBIC do Museu Goeldi, realizado em julho, o estudo“Composição, Riqueza e Diversidade de Peixes de Igarapés no Platô Bacaba, Flona de Saracá-Taquera, Município de Oriximiná (PA)” foi apontado o melhor trabalho realizado por um bolsista PIBIC em 2007 no âmbito da Coordenação de Zoologia do MPEG.


Fonte: MPEG

domingo, 19 de outubro de 2008

Nova espécie de Hemigrammus

Uma nova espécie do gênero Hemigrammus é descrita do sistema do Alto rio Paraná, na área de influência do reservatório de Ilha Solteira, estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo, sudeste do Brasil. Descrita pelos ictiólogos Manoela Marinho, Fernando Carvalho, Francisco Langeani e Flavio Tatsumi, esta foi nomeada de Hemigrammus parana.

A nova espécie difere de seus congêneres pela combinação dos seguintes caracteres: ausência de mancha umeral, presença de mancha caudal negra conspícua aproximadamente triangular ou retangular, que se estende até a extremidade dos raios medianos caudais, sua maior altura no início da base dos raios caudais e nadadeira anal com iii–iv, 18–23 raios.

Parana se refere a drenagem do rio esta espécie ocorre.
De acordo com os autores, a nova espécie é muito comum e abundante nas margens da represa, vivendo em meio as macrófitas aquáticas (Ceratophyllum sp., Egeria densa, Eichornia spp., Ludwigia sedorde, and Salvinia sp.) Um exame estomacal dos espécimes, mostrou um grande volume de alga Spirogyra, crustáceo Cladoceras, sedimentos de areia e matéria orgânica não identificada. Diversas espécies foram coletadas juntamente com Hemigrammus parana, sendo as mais comuns Astyanax altiparanae, Crenicichla britskii, Geophagus proximus, Gymnotus carapo, Hoplias malabaricus, Hyphessobrycon eques, Laetacara sp., Metynnis maculatus, Moenkhausia sp., Pamphorichthys hollandi, Roeboides descalvadensi, Satanoperca pappaterra, Serrapinnus notomelas, and Serrasalmus maculatus.”



Maiores informações: Marinho, M.M.F.; Carvalho, F.R.; Langeani, F. ; Tatsumi, F.L. A new Hemigrammus Gill from upper rio Paraná system, Southeastern Brazil (Characiformes: Characidae). Zootaxa 1724, pp. 52–60, 2008.


Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Ciência

Fóssil traz pistas sobre a transição da vida para a terra

Os primeiros animais a sair dos oceanos para colonizar a terra firme não só trocaram nadadeiras por patas, mas também tiveram de adaptar os ossos da cabeça para a vida na superfície.É o que mostra um novo estudo dos fósseis do peixe Tiktaalik roseae, realizados desde 2004 na Ilha Ellesmere, no ártico canadense, e publicados na edição desta semana da revista Nature.
A equipe de cientistas, dirigida por Ted Daeschler, da Academia de Ciências naturais de Filadélfia, e Neil Shubin, da Universidade de Chicago, examinou em detalhes os ossos da cabeça desse animal, que viveu há cerca de 375 milhões de anos.
O tiktaalik era um peixe com pulmões, predador, mas com características bem particulares: tinha brânquias, escamas e espinhos nas nadadeiras, mas crânio, costelas e apêndices semelhantes aos dos primeiros animais quadrúpedes.
O tiktaalik é considerado um fóssil de transição entre mar e terra. De grandes proporções - media de 1 metro a 2,75 metros - e com cabeça e corpo planos, acredita-se que vivia em águas rasas e caminhava sobre a terra por curtos períodos.


De acordo com o principal autor do novo estudo sobre o fóssil, Jason Downs, as características craniais dos animais terrestres foram, primeiro, adaptações à vida em águas rasas. A caixa craniana, o palato e os arcos branquiais do tiktaalik, disse o cientista, ajudam a ver como se deram essas transformações.
As mudanças, complexas, levaram a uma reestruturação completa dos ossos da cabeça e da relação ente eles. Um exemplo é o osso que, nos peixes, conecta a caixa craniana, o palato e as brânquias, coordenando os movimentos para comer e respirar.

Com a mudança de hábitat, essa peça, o osso hiomandibular, perdeu sua função original. Hoje, nos mamíferos, ele se converteu no estribo, um dos ossos do ouvido interno. No tiktaalik, esse ossos já aparece bem reduzido, diz Downs.

Fonte: Estadão

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Aniversário 2 anos + Nova espécie de Hemigrammus

Mais uma ano se passou, e o NATURE PLANET entra em seu 2º aniversário.
Tentando seguir seu propósito, de apresentar assuntos a nível cienífico, além de questões que envolvam o meio ambiente e aquarismo, de uma forma prática e dinâmica aos leitores, o NATURE PLANET vem conquistando seu lugar, contando com um público de mais de 19.000 leitores, envolvendo até o momento 94 países.
Agradeço a todos os amigos da blogosfera que fiz até o momento e a todos os leitores pelos comentários e sugestões!!

Hoje o NATURE PLANET é o que é graças a todos vocês leitores, por isso sou muito grato a todos!!!


Papers: Aquapress

Para festejar esse segundo ano, apresentamos a descrição de uma nova espécie do gênero Hemigrammus (Gill, 1958).

Uma nova espécie de Hemigrammus do alto rio Tapajós.
Uma nova espécie do gênero Hemigrammus é descrita do rio Juruena, bacia do rio Tapajós no estado do Mato Grosso. Descrita pelos ictiólogos Heraldo Britski e Flávio Lima, esta foi nomeada de Hemigrammus silimoni, sendo endêmica da bacia do alto Tapajós.
A nova espécie é distinta de seus congêneres por apresentar uma mancha elipsóide similar a um ocelo no lobo superior da nadadeira caudal, uma característica autapomórfica que a distingue de todas as demais espécies do gênero e mesmo de outras espécies de Characidae.
Hemigrammus silimoni apresenta cinco dentes na fileira interna do prémaxilar, uma linha lateral incompleta e a nadadeira caudal com escamas em sua base, uma combinação diagnostica de Hemigrammus (Eigenmann, 1918; Géry, 1977).


Géry (1977), subdividiu a espécie Hemigrammus em cinco grupos. Dentro desta estrutura, Hemigrammus silimoni entraria no grupo "a" das ''espécie sem marcas negras no pedúnculo umeral" (sem manchas no pedúnculo, faltando o pedúnculo umeral e/ou na nadadeira dorsal). Considerando aqueles grupos, o gênero Hemigrammus, com certeza não representa entidades monofiléticas. A nadadeira caudal assimétrica e colorida, com pigmentação negra é restringido ao lóbulo da nadadeira dorsal ou ventral, característica relativamente rara dentro de Characidae. A pigmentação negra é restringida em alguns casos ao lóbulo ventral da nadadeira caudal (Hemigrammus hyanuary, Thayeria spp.) ou mais frequentemente ao lóbulo dorsal (Brycon melanopterus, Triportheus pictus, a maioria de espécie de Bryconops, Astyanax metae, e as espécies do complexo Moenkhausia lepidura).

Na localidade tipo da espécie, o rio Juruena possui aproximadamente 2 metros de profundidade, com águas rápidas e cristalinas, possuindo fundo composto por rochas e areia. A vegetação de borda era composta principalmente por gramíneas, intercaladas por mata de galeria.
Nos espécimes coletados foram encontrados em seus intestinos matéria de origem vegetal e principalmente algas.
Silimoni se refere a Keve Z. Silimon, em reconhecimento aos seus esforços longos e contínuos em documentar a ictiofauna do Mato Grosso.

Para mais informação: Britski, HA;Lima, FCT. A new species of Hemigrammus from the upper Rio Tapajós basin in Brazil (Teleostei: Characiformes: Characidae). Copeia, 2008, pp. 565–569, 2008.

Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke
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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Filogenia dos ciclídeos da subfamília Etroplinae

Duas novas espécies do gênero Paretroplus são descritas da bacia do rio Sófia. na Ilha de Madagascar Descrita pelo ictiólogo do Museu de História Natural dos Estados Unidos, John Sparks, as espécies foram nomeadas de Paretroplus gymnopreopercularis e Paretroplus lamenabe, sendo endêmicas da Ilha de Madagascar. As descrições fazem parte de um estudo maior nos relacionamentos filogenéticos da subfamília de ciclídeos Etroplinae (a qual pertencem o gênero indiano Etroplus e o gênero malgaxe Paretroplus) e da revisão taxonômica de Paretroplus.

Paretroplus gymnopreopercularis é distinto de seus congêneres, exceto em Paretroplus kieneri pela presença de um padrão manchado nas cores dourado-marrom e laranja-marrom, ausência de barras verticais, padrão horizontal de tiras nos flancos e a presença de um focinho que se estende dos lábios a face.

Paretroplus gymnopreopercularis

Paretroplus lamenabe é distinto de seus congêneres, exceto em Paretroplus nourissati e Paretroplus tsimoly, pela presença de duas faixas grandes marron escura a negras aba, representando a segunda ou terceira, ou terceira e quarta barras em série.
Paretroplus lamenabe é distinto de Paretroplus nourissati e Paretroplus tsimoly, por possuir um corpo mais alto 47% a 54.3% contra 38.1% a 43.5% em Paretroplus nourissati e 41.1% a 46.8% em Paretroplus tsimoly e pela presença de nadadeiras pélvicas que se estendem além da origem da nadadeira caudal nos adultos.

Seu nome vem da lingua malgaxe, onde lamena significa vermelho e be significa grande, em referência a sua coloração em vida e o tamanho dos membros deste clado.
Sua localidade tipo é a província de Majunga, na região noroeste de Madagascar, da bacia do rio Mahajamba, vivendo em águas rápidas com fundos rochosos.
Sua conservação não é avaliada pela IUCN.

Para mais informação: Sparks, J.S. Phylogeny of the cichlid subfamily Etroplinae and taxonomic revision of the Malagasy cichlid genus Paretroplus (Teleostei: Cichlidae). Bulletin of the American Museum of Natural History 314, pp. 1–151, 2008.
Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke
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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Ciência

Novas terras submarinas


Pesquisadores que estudam os recifes de corais do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, a mais antiga reserva natural dos mares brasileiros, acreditavam conhecer bem a área, até que em 2000 pescadores locais avisaram que havia recifes profundos fora dos mapas. Foram ver e encontraram novas terras submarinas: a área de recifes conhecida em Abrolhos dobrou e vem permitindo conhecer como aquele trecho do litoral se formou ao longo dos últimos milênios. “Essa descoberta casual gerou um projeto ambicioso”, conta o biólogo Rodrigo Moura, coordenador do programa Marine Management Area Science da Conservação Internacional (CI) do Brasil. Formado por cinco ilhotas de origem vulcânica a 70 quilômetros da costa no sul da Bahia, o parque abriga mais do que as baleias-jubarte, que atraem turistas entre julho e novembro. Ali estão os chapeirões, estruturas em forma de cogumelo cujos topos às vezes se unem e formam colunatas por onde circulam barracudas, garoupas, moréias e pequenos peixes coloridos. Das 16 espécies de coral de Abrolhos, metade é exclusiva do Brasil, como o coral-cérebro (Mussismilia braziliensis), principal construtor de recifes na região.


Sparisoma amplum

O banco dos Abrolhos, maior conjunto de recifes do Atlântico Sul, é maior que os 900 quilômetros quadrados preservados. No total são 40 mil quilômetros quadrados, área semelhante à do Espírito Santo, que só agora começa a ser investigada a fundo. O grupo de Moura explorou o fundo do mar ao longo de 100 quilômetros da costa – entre a foz do rio Jequitinhonha, sul da Bahia, e a do rio Doce, norte do Espírito Santo –, em 19 linhas que partiam do litoral mar adentro, até a queda da plataforma continental, onde a profundidade aumenta subitamente. “Percorrer cada uma dessas linhas demorava dois dias”, lembra o geólogo Alex Bastos, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que participou de algumas expedições no barco equipado com um sonar que produzia imagens tridimensionais do fundo do oceano. O geólogo da Ufes se surpreendeu por encontrar, a profundidades de até 50 metros, paleocanais formados há cerca de 15 mil anos, quando o que hoje é coberto por mar era terra. “Esses canais indicam por onde os rios passavam naquela época”, explica. Como estão preservados, sugerem que o nível do mar subiu rapidamente na região.


Pomacanthus paru

O grupo selecionou pontos de destaque nas imagens do sonar e retornou com um robô capaz de filmar locais a que um mergulhador teria dificuldade de descer. As imagens do robô mostraram corais-negros, típicos de águas profundas, pela primeira vez registrados na região, e algas calcáreas, com um esqueleto de carbonato de cálcio que lembra seixo. Em setembro os pesquisadores pretendem usar o robô para investigar outras áreas dos recifes e mergulhar a 90 metros, a fim de verificar se há corais por ali. Paulo Sumida, oceanógrafo da Universidade de São Paulo (USP) que coordena a análise dos dados biológicos, deve instalar nos recifes câmeras que automaticamente registram uma imagem por hora, a fim de estudar a dinâmica da vida marinha ali.
Embora o levantamento ecológico esteja no início, Rodrigo Moura e o biólogo Ronaldo Francini-Filho, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), já constataram que os recifes profundos abrigam uma biomassa de peixes com valor comercial 30 vezes maior do que os rasos. Em artigo a ser publicado na Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems, eles compararam a população de peixes de recifes profundos e rasos – alguns protegidos e outros com acesso livre para pescadores. Viram que áreas com restrição à pesca são mais ricas em peixes carnívoros de grande porte, como a garoupa, em geral os primeiros a desaparecer das áreas de pesca, que demoram até 40 anos para chegar à idade adulta. Com o escasseamento dos grandes carnívoros , os pescadores passam a capturar os herbívoros, como os budiões. O problema é que, sem budiões, as algas cobrem os recifes e os corais morrem. Hoje menos de 1% da área de Abrolhos está protegida. E não há planos de preservação dos recifes profundos. Segundo Francini-Filho, seria preciso preservar 20% de cada zona para manter a biodiversidade. As reservas marinhas beneficiam todos. Como os limites só valem para as pessoas, a população de peixes aumenta rapidamente e muitos migram até 1.200 metros fora das reservas, de acordo com publicado on-line na Fisheries Research. Mesmo em áreas protegidas, parte dos corais de Abrolhos se encontra ameaçada. Francini-Filho constatou que uma bactéria – provavelmente do gênero Vibrio, que chegou a Abrolhos em 2005 – está matando sobretudo o coral-cérebro.


Mussismilia braziliensis

Os pesquisadores estimam que, se nada for feito, em cem anos só restarão 40% dos corais dessa espécie em Abrolhos. É uma estimativa otimista. Se a temperatura da água subir 1° Celsius por causa do aquecimento global, bastarão de 50 a 70 anos para extinguir os corais de Abrolhos. Com mais calor as bactérias proliferam mais depressa e surgem outros problemas como o branqueamento, decorrente da morte de microalgas que vivem no interior dos corais. Conter o aquecimento global requer ação de todos os países, mas é possível reduzir o nível de bactérias com a coleta e o tratamento do esgoto das cidades costeiras.


Fonte:
Agência FAPESP

sábado, 20 de setembro de 2008

Simpsonichthys e Nematolebias

Foi lançado recentemente o livro "Simpsonichthys e Nematolebias" do biólogo Dalton Nielsen. O Livro "Simpsonichthys e Nematolebias" apresenta os aspectos gerais dos gêneros abordados, tratando tudo sobre histórico, sistemática, morfologia, alimentação, comportamento reprodutivo, reprodução em cativeiro, doenças, distribuição geográfica e ecologia das espécies em questão. A publicação ainda traz a ficha técnica de 52 espécies com fotos coloridas, ilustrações, gráficos e tabelas em 235 páginas.

Simpsonichthys boitonei

A edição é um importante instrumento para o conhecimento dessas espécies, uma vez que cerca de 90% da população brasileira não conhecem a diversidade de espécies da família Rivulidae. É indicada para pesquisadores, estudantes e público interessado no tema. A produção é da Editora e Livraria Universitária Cabral.

Para adquirir o livro, basta entrar em contato no segunite e-mail: dnielsen@uol.com.br

Dalton Nielsen é Biólogo formado pela UNITAU ( Universidade de Taubaté). Desde 1983 estuda a ordem Cyprinodontiforme, com maior atenção a família Rivulidae, tendo descrito em conjunto com Wilson Costa cerca de 25 novas espécies para a ciência.


Nematolebias whitei

Alguns de seus trabalhos científicos realizados:

Autor do livro “Simpsonichthys e Nematolebias” Editora Cabral. Maio de 2008.

Pituna xinguensis, new species . Zootaxa 1410:1-41. 22 Feb 2007.

Plesiolebias altamira , new species. Zootaxa 1410:1-41. 22 Feb 2007.

Plesiolebias canabravensis , new species. Zootaxa 1410:1-41. 22 Feb 2007.

Cynolebias paraguaensis n. sp. (Teleostei: Cyprinodontiformes: Rivulidae) a new seasonal killifish from the brazilian Caatinga, Paraguaçu River Basin. Aqua,Internacional Journal of Ichthyology. Aqua vol12 nº3, 10 July, 2007.

Simpsonichthys carlettoi (Cyprinodontiformes: Rivulidae) a new annual fish from the Rio Sao Francisco basin, north-eastern Brazil . Aqua, Journal of Ichthyology and Aquatic Biology, 8 (3): 125-130, 2004.

Simpsonichthys reticulatus n. sp. (Cyprinodontiformes: Rivulidae): a new annual fish from the Rio Xingu flood plains, Brazilian Amazon. Aqua, Journal of Ichthyology and Aquatic Biology, 7 (3): 119-122, 2 figs., 1 tab, 15 Set 2003.

Caracterização morfológica e dimorfismo sexual em Brycon opalinus (Pisces - Caracidae) no Parque Estadual da Serra do Mar, Núcleo Santa Virgínia. In: V Encontro de Iniciação Científica e I Mostra de Pós Graduação - UNITAU, 2000.

Simpsonichthys auratus, um novo peixe anual do afluente do rio Paracatu, bacia do São Francisco, Brasil. (Cyprinodontiformes: Rivulidae) Ichthyol.Explor.Freshwaters, vol.11, nº 1,11jan 1999.

Descrição de uma nova espécie de peixe anual do gênero Simpsonichthys (Cyprinodontiformes: Rivulidae) da bacia do rio São Francisco, Brasil. Revue fr. Aquariol.,23(1996),1-2, 30 juin 1996 .

Um novo gênero e espécie de peixe anual (Cyprinodontiformes: Rivulidae) da bacia do Araguaia, Brasil central. Ichthyol.Explor.Freshwaters, vol.7,nº3 16 Sept 1996 .

Distribuição de Leptolebias aureoguttatus (Cyprinodontiformes: Rivulidae) e descoberta de Oito novas populações. JKNF, vol3, nº 3, 21 Jun 1991.