terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O gênero Satanoperca e a lenda de Jurupari

Jurupari, uma derivação da palavra “Juruparipindi” de origem Tupi significa “Demônio da Floresta”.
São várias lendas que existem sobre Jurupari, essas variam de acordo com as diversas tribos da região amazônica.
Na maioria dos casos, JURUPARI, é um nome indígena que significa o sono, o pesadelo; sendo um espírito indígena que entra nos corpos de animais à noite e persegue caçadores em meio a floresta. Segundo os índios, ele segura a garganta das pessoas para que elas não gritem de medo enquanto ele as faz terem sonhos horríveis também.
Gênero Satanoperca
O gênero Satanoperca definido por Günther 1862, foi ressuscitado por Kullander em 1986 para abrigar algumas espécies anteriormente pertencentes ao gênero Geophagus, que possuem o nariz longo. A espécie tipo do gênero é Satonaperca daemon. Atualmente a o gênero apresenta sete espécies válidas, sendo elas: Satanoperca acuticeps, Satanoperca daemon, Satanoperca jurupari, Satanoperca leucosticta, Satanoperca lilith, Satanoperca mapiritensis e Satanoperca pappaterra. O nome Satanoperca deriva do grego Satan (demônio) e perca (peixe), que significa peixe do demônio. Os espécimes deste gênero possuem como adaptação um nariz longo e boca protáctil, sendo conhecidos popularmente como “Papaterra” ou “Eartheater”

Satanoperca Jurupari Heckel 1840
Satanoperca Jurupari
Descrição original: Geophagus jurupari.
Heckel, J.J.; 1840; "Johann Natterer's neue Flussfische Brasilien's nach den Beobachtungen und Mittheilungen des Entdeckers beschrieben (Erste Abtheilung, Die Labroiden)"; Annalen des Wiener Museums der Naturgeschichte; pp 325-471.
Etimologia: Jurupari é o nome do demônio da floresta da lingua Tupi na bacia amazônica, e como este peixes é identificado.
Descrito por Heckel em 1840, esta espécie pertencia às coleções feitas por Johann Natterer nas expedições feitas ao Brasil. O específico nome, Jurupari, é uma derivação da palavra “Juruparipindi,” de origem Tupi, que significa “Demônio da Floresta”, sendo este peixe conhecido pelos nativos como Juruparipindi, conforme os relatos de Natterer. Nenhuma outra explicação é fornecida por Heckel na descrição desta espécie, mas os indios temiam adentrar na selva profunda depois do anoitecer, e acreditavam que o demônio Juruparipindi, poderia assumir formas de diversos animais, e atacar caçadores inconscientes. Apresenta uma chamativa coloração, com tons em verde esmeralda e cobre. Seus olhos parecem ter em seu interior uma cor laranja que se destaca em locais com pouca iluminação.

Satanoperca daemon Heckel 1840
Satanoperca daemon
Descrição original: Geophagus daemon.
Heckel, J.J.; 1840; "Johann Natterer's neue Flussfische Brasilien's nach den Beobachtungen und Mittheilungen des Entdeckers beschrieben (Erste Abtheilung, Die Labroiden)"; Annalen des Wiener Museums der Naturgeschichte; pp 325-471.
Etimologia: daemon = espírito do mal, demônio, diabo.
Satanoperca daemon também foi descrito por Heckel a partir dos espécimes da coleção de Natterer. Embora a língua Tupi também se referisse do mesmo modo a este peixe como o “Juruparipindi,” Heckel observou varias diferenças em sua coloração e descreveu-as como uma segunda espécie. Superficialmente, o S. daemon e S. jurupari são similares na aparência, mas existem diversas diferenças. Em S. daemon, os últimos cinco raios da barbatana dorsal apresentam filamentos negros que ultrapassam a nadadeira caudal. A mancha do pedúnculo caudal de S. daemon; é maior, mais escura e rodeada em branco, alem de outras duas encontrados no corpo. Sua cor de fundo é dourado-prateado, com três pontos marcados ao longo do corpo, sendo dois no corpo e um próximo ao pedúnculo caudal. Esta última é escura e rodeada em azul anil e branco. Os últimos cinco raios da barbatana dorsal apresentam filamentos negros que ultrapassam a nadadeira caudal.


Satanoperca acuticeps Heckel 1840
Satanoperca acuticeps
Descrição original: Geophagus acuticeps.
Heckel, J.J.; 1840; "Johann Natterer's neue Flussfische Brasilien's nach den Beobachtungen und Mittheilungen des Entdeckers beschrieben (Erste Abtheilung, Die Labroiden)"; Annalen des Wiener Museums der Naturgeschichte; pp 325-471.
Etimologia: acutus = afilado, abrupto, aguçado (Latim) + ceps = cabeça (Latim); referindo-se ao seu perfil com cabeça afilada.
Satanoperca acuticeps foi o terceiro geophagine descrito por Heckel (l840) na coleção de Natterer. Apresentam a coloração de fundo dourada, com faixas escuras nos flancos que são apenas visíveis de acordo com o estado do peixe. Apresenta um ocelo negro na parte superior do pedúnculo caudal.

Satanoperca lilith Kullander & Ferreira, 1988
Satanoperca lilith
Descrição original: Satanoperca lilith.
Kullander, Sven O. & E. J. G. Ferreira; 1988; "A new Satanoperca species (Teleostei, Cichlidae) from the Amazon River basin in Brazil"; Cybium; pp. 343-355.
Etimologia: Lilith se refere a primeira esposa de Adam.
Apresenta coloração de fundo dourada, com dois ocelos no corpo, um no meio deste e outro na parte superior do pedúnculo caudal. Possui na parte inferior da nadadeira caudal, uma coloração vermelha, assim como na anal.

Satanoperca mapiritensis Fernández-Yépez, 1950
Satanoperca mapiritensis
Descrição original: Geophagus mapiritensis.
Fernández Yépez, Agustin; 1950; "Notas sobre la fauna ictiológica de Venezuela"; Memorias de la Sociedad de Ciencias Naturales La Salle ; v. 10 pp. 111-118.
Etimologia: De acordo com a localidade tipo

Satanoperca pappaterra Heckel, 1840
Satanoperca pappaterra
Descrição original: Geophagus pappaterra.
Heckel, J.J.; 1840; "Johann Natterer's neue Flussfische Brasilien's nach den Beobachtungen und Mittheilungen des Entdeckers beschrieben (Erste Abtheilung, Die Labroiden)"; Annalen des Wiener Museums der Naturgeschichte; pp 325-471.
Localidade tipo: Rio Guaporé, Mato Grosso, Brazil.
Apresenta coloração de fundo dourada-prateada. S. pappaterra caracteriza-se por apresentar uma faixa negra lateral no centro do corpo, que normalmente aparece interrompida. Abaixo a nadadeira dorsal apresenta de 5 a 7 pontos de forma quadrada que se estendem em forma de barras verticais.

Satanoperca leucosticta (Müller & Troschel, 1849)
Satanoperca leucosticta
Descrição original: Geophagus leucostictus.
Müller, J. & F. H. Troschel; 1849; "Fische"; Reisen in Britisch-Guiana in den Jahren 1840-44 Im Auftrag Sr. Mäjestat des Königs von Preussen ausgeführt von Richard Schomburgk.; pp. 618-644.
Etimologia: leucos = branco (grego); sticktos = pontos (grego), em refrencia aos pontos brancos no corpo.

Fontes: TFH Magazine
The Cichlids Roon Company
Fotos: The Cichlids Ronon Company
Hygen Ltda.

Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke
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domingo, 28 de dezembro de 2008

Ordem Cyprinodontiformes

Os peixes da ordem Cyprinodontiformes possuem uma única nadadeira dorsal, a nadadeia anal raramente possui espinhos e presença de escamas ciclóides no corpo. O corpo é fusiforme, geralmente pequeno, não excedendo 30 cm nas grandes espécies, mas alcançando 8 cm na maioria. Não existe nadadeira adiposa, nem linha lateral e a boca é usualmente grande e superior.

Simpsonichthys constanciae

O grupo ocorre predominantemente em águas doces tropicais (exceto Austrália e Nova Guiné), mas muitas espécies são encontradas nos estuários e/ou áreas da região temperada da América do Norte, planícies costeiras mediterrâneas e no mar Negro. As aproximadamente 850 espécies conhecidas sendo distribuídas em 9 famílias e duas sub-ordens dentro dessa ordem.
A ordem Cyprinodontiformes é dividida conforme abaixo (Segue algumas fotos das espécies pertencentes a essas subordens e famílias) :


Subordem Aplocheiloidei, Bleeker 1860

Família Rivulidae, Myers 1925

Rivulus xiphidius

Simpsonichthys zonatus

Austrolebias nigripinnis var. albina

Leptolebias aureogutattus

Pterolebias phasianus


Família Aplocheilidae, Bleeker 1860

Nothobranchius rachovii

Fundulopanchax gardneri

Aphyosemion sjoestedti

Epiplatys annulatus


Subordem Cyprinodontoidei, Gill 1865

Família Fundulidae, Jordan & Gilbert 1883

Fundulus catenatus

Família Goodeidae, Jordan 1923

Crenichthys baileyi

Família Profundulidae, Hoedeman & Bronner 1951

Profundulus sp.

Família Valenciidae, Parenti 1981

Valencia hispanica

Família Cyprinodontidae, Gill 1865

Aphanius iberus

Jordanella floridae

Família Anablepidae, Garman 1895

Anableps anableps


Família Poeciliidae, Garman 1895

Poecilia wingei

Fluviphylax pigmaeus

Xiphophorus helleri

Xenotoca eiseni

Poecilia latipinna


Referências Bibliográficas

COSTA, W. J. E. M. . Phylogeny And Classification Of The Cyprinodontiformes (Euteleostei: Atherinomorpha): A Reappraisal. Phylogeny and Classification of Neotropical Fishes. 1 ed. Porto Alegre: Edipucrs, 1998, v. , p. 537-560.

MENEZES, N. A.; WEITZMAN, S. H.; OYAKAWA O. T.; LIMA, F. C. T.; CASTRO, R. M.; WEITZMAN, M. J. Peixes de água doce da mata atlântica. – Sâo Paulo: Museu de Zoologia - USP, 2007 408 p.

OYAKAWA, O.; AKAMA, A.; MAUTARI, K.C. Peixes de Riachos da Mata Atlântica – São Paulo Editora Neotópica, 2006 201 p.

Fotos

Alf Person
Bernd Kaufmann
Cristo Cristov
FFalcon

Grandjean
Jay Luto
Olaf Deters
Peter Kaclik
Rod Morris
Vasco Gomes

Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Nova espécie de Knodus

Uma nova espécie do gênero Knodus é descrita nos arredores do rio Maranon em Iquitos, no Peru. O mesmo durante cerca de 40 anos foi erroneamente distribuido ao comércio aquarístico com o nome de Boehlkea fredcochui (Géry, 1966). Descrito pelo ictiólogo alemão Axel Zarske, a nova espécie foi nomeada de Knodus borki.


Knodus borki distingue-se de Boehlkea fredcochui pela dentição do osso maxilar (três a quatro dentes tricuspides versus 11 a 21 dentes tricuspides), linha lateral incompleta (com 6 a 14 escamas) versus linha lateral completa (com as 15 a 37 escamas), e tambem na coloração (B. fredcochui apresenta uma barra negra na nadadeira caudal e esta é ausente em K. borbi).
Knodus borki é estreitamente relacionado a K. megalops, mas difere na linha lateral (incompleta em k. borki versus completa em K. megalops), no tamanho do olho (2.46-3.24 vezes do comprimento padrão em K. borki versus 2.2 em K. megalops), na altura do corpo a frente da nadadeira dorsal (2.91-3.34 vezes do comprimento padrão em K. borki versus 2.9 em K. megalops), no comprimento principal (3.94-4.65 vezes do comprimento padrão em K. borki 3.8 em K. megalops) e na coloração.

Borki se refere a Herrn Dieter Bork, um grande amigo aquarista que contribuiu ao desenvolvimento do hobby.

No artigo também é redescrita a espécie Boehlkea fredcochui.


Para saber mais:
Knodus borki sp. n. – ein neuer Salmler aus Peru mit einer ergänzenden Beschreibung von Boehlkea fredcochui Géry, 1966 (Teleostei: Characiformes: Characidae) Vertebrate Zoology 58, pp. 159–171.

Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke
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domingo, 14 de dezembro de 2008

Descoberta de novas espécimes de peixes em Brasília

Biólogos da UnB descobrem 12 espécies em córregos do Parque Nacional de Brasília
A apenas 15 minutos do centro do Distrito Federal, o Parque Nacional de Brasília abriga as mais novas espécies de peixes do cerrado brasileiro registradas pela ciência. A descoberta foi feita pelo biólogo Pedro de Aquino e sua equipe da Universidade de Brasília (UnB), que estudou as espécies do parque durante dois anos para a dissertação de mestrado. Em riachos das bacias de Santa Maria Torto e Bananal, Aquino identificou, ao todo, 28 espécies de peixes, das quais 12 novas para a ciência.
O objetivo da pesquisa era analisar os diferentes padrões de distribuição dos cardumes nas bacias do Parque Nacional de Brasília, unidade de conservação de proteção integral do Distrito Federal que fornece água potável à capital. A descoberta das espécies acabou sendo uma “cereja sobre o bolo” que enriqueceu ainda mais o estudo.

Microlepidogaster sp. Uma das novas espécies encontradas em Brasília, é conhecido como “cascudo” e pertence à família Loricariidae

Mas a descoberta não é surpreendente, na avaliação do biólogo. Segundo ele, a imensa variedade de flora e fauna do parque contribui para a realização das pesquisas. “Já esperávamos encontrar novas espécies, porque os cardumes ainda são pouco estudados, apesar da riqueza da região”, reconhece.
Aquino conta que escolheu 14 pontos diferentes ao longo dos córregos para a pesquisa, realizada simultaneamente com a da bióloga Mariana Schneider, que coletou os peixes para análise de seus hábitos alimentares. Os resultados do trabalho foram submetidos para publicação em periódicos especializados e aguardam avaliação.

Espécies endêmicas

Duas das 12 novas espécies identificadas no estudo – Heptapterus sp. e Ctenobrycon sp. – são consideradas endêmicas do Parque Nacional. As outras dez foram encontradas em outros trechos da bacia fora do território delimitado para o parque brasiliense.
A espécie que apresentou o maior número de peixes coletados no estudo, com quase 6.000 indivíduos, foi a Knodus moenkhausii, que já havia sido descrita pela ciência. Em segundo lugar ficou a nova Astyanax sp., com quase dez vezes menos espécimes coletados.

Entre as 12 novas espécies identificadas no estudo, o Astyanax sp. (à esquerda) é aquela que teve o segundo maior número de exemplares coletados. Essa espécie é encontrada em todos os trechos dos riachos que deságuam no lago Paranoá, assim como o Hasemania sp. (à direita), que é 1 cm menor que o Astyanax sp. (fotos: Pedro De Podestà Uchôa de Aquino).

Esta é uma das novas espécies que nada desde a cabeceira até a foz dos riachos. Aquino explica que isso foi possível graças ao tamanho desse peixe: “Por atingir um maior porte, o Astyanax sp. é capaz de se deslocar com mais facilidade e, por isso, pode ser visto em todos os trechos. Já as espécies com pequeno porte ficam isoladas nos diversos trechos da bacia”.
Segundo o biólogo, o isolamento dessas pequenas populações nas cabeceiras permitiu que elas se diferenciassem até configurar novas espécies, com o passar de milhares de anos – fenômeno que os biólogos chamam de especiação alopátrica ou geográfica.

Parque Nacional de Brasília

Por isso, Aquino destaca a importância da preservação do Parque Nacional para as espécies nativas da região, longe da poluição e do crescimento urbano. “A preservação é fundamental para a manutenção da biodiversidade do cerrado. Se essa região não fosse conservada, talvez as espécies não seriam encontradas, já que o Parque Nacional fica dentro do Distrito Federal”, enfatiza o biólogo.

Fonte: Ciência Hoje

domingo, 7 de dezembro de 2008

Nova espécie de Apistogramma

Uma nova espécie do gênero Apistogramma é descrita para as drenagens do baixo Mamoré na província de Beni na Bolívia. Descrita pelos ictiólogos alemães Wolfgang Staeck and Ingo Schindler, a nova espécie foi nomeada de Apistogramma erythrura.


Apistogramma erythrura é relacionado com Apistogramma trifasciata, pois ambas as espécies possuem a nadadeira dorsal altamente prolongada na parte dianteira nos machos, uma nadadeira caudal redonda, uma faixa lateral larga que se estende até a cauda, sem um ponto caudal.


Apistogramma erythrura pode ser reconhecido e separado de Apistogramma trifasciata pelas seguintes características:
Forma do corpo: corpo mais profundo (mais alto na parte traseira) em relação a A. trifasciata, fazendo Apistogramma erythrura parecer maior, embora ambos apresentem o mesmo comprimento.
Faixa lateral: a faixa lateral de
Apistogramma erythrura é mais larga do que A. trifasciata, pois ela alarga-se na base da cauda. Tal faixa é mais distinta na metade traseira dos peixes e é frequentemente pálida ou nao visível do corpo até o opérculo.


Opérculo: Em muitos machos do Apistogramma erythrura, a parte posterior mais baixa do do opérculo mostra uma mancha vermelha brilhante. Ja em Apistogramma trifasciata, nenhuma população foi encontrada com tal características.
Marcações abdominais: Apistogramma erythrura não possui a listra diagonal escura que estende das nadadeiras peitorais ao ânus, muito evidente em Apistogramma trifasciata.
A nadadeia caudal do macho pode ser vermelha ou azul ou mesmo uma combinação das duas cores.


Erythrura tem origem do grego, onde erythro significa vermelho e ura significa cauda, uma referência a cor da nadadeira caudal na maioria dos machos adultos.

De acordo com os autores,
Apistogramma
erythrura é encontrado quase exclusivamente nos lagos, ou em áreas mais lentas de córregos. Vivem em águas límpidas e transparentes, com pH em torno de 5,5 a 6.5 e temperaturas de 30ºC.



sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Nova espécie de Platydoras

Uma nova espécie do gênero Platydoras é descrita para as drenagens costeiras do nordeste do Brasil (rios Pindaré a Parnaíba). Descrita pelos ictiólogos Nivaldo Piorski, Julio César Garavello, Mariangeles Arce e Mark Sabaj Pérez, esta foi nomeada de Platydoras brachylecis.
Difere de seus congêneres pela exclusiva combinação dos seguintes caracteres: faixa amarelo-pálida a branco iniciando acima das órbitas, continuando médio-lateralmente sobre o corpo e atingindo os raios medianos da nadadeira caudal; pele das axilas dos espinhos médio-laterais sem concentração de pequenas pintas negras; escudos médio-laterais baixos (altura do décimo escudo 8.8-11.9% do comprimento padrão) e escudos médio-laterais do pedúnculo caudal distintamente separados das placas médio-dorsais e médio-ventrais da mesma região por uma faixa de pele. Também apresenta diferença no formato da bexiga natatória )órgão interno do peixe para controlar a posição dele em uma coluna d'água).

Holótipo de Platydoras brachylecis, MZUSP 43593, 137.7 mm SL,

Brachylecis deriva do grego, onde brachy signifca curto e lekis significa placa, no que diz respeito ao tamanho das placas laterais do peixe.


Mais três espécies de Platydoras são reconhecidas como válidas: P. armatulus (distribuída pelas drenagens do baixo Orinoco, Amazônia e Paraguai-Paraná), P. costatus (drenagens costeiras do Suriname e Guiana Francesa) e P. hancockii (drenagens do Negro, Essequibo, Demerara e alto Orinoco). As espécies nominais P. dentatus e P. helicophilus são provisoriamente consideradas sinônimos juniores de P. costatus.

Para mais informações:
Piorski, N.M; Garavello, J.C.; Arce, M.; Pérez, M. H.S. Platydoras brachylecis, a new species of thorny catfish (Siluriformes: Doradidae) from northeastern Brazil. Neotropical. ichthyology. 2008, v. 6, n. 3, pp. 481-494.

Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Estratégias reprodutivas dos peixes do Pantanal

Para os peixes do Pantanal foram identificadas quatro estratégias reprodutivas. A primeira refere-se aos peixes de piracema ou migradores, que realizam longas migrações ascendentes para a cabeceira dos rios para a desova, de Novembro a Fevereiro e retornam posteriormente para a planície de inundação, onde se alimentam e se recuperam do desgaste energético da viagem e acumulam reservas para o próximo período reprodutivo.


Hyphessobrycon eques

O segundo grupo é composto por aqueles que desovam em planície e que realizam pequenas movimentações transversais, saindo da planície de inundação e entrando para o canal principal do rio para se reproduzir na época das enchentes. O terceiro e quarto grupos são constituídos por espécies residentes que se reproduzem na seca ou na enchente/cheia na própria planície de inundação.
A maioria das espécies de peixes do Pantanal enquadram-se na categoria de espécies residentes que se reproduzem na seca ou na enchente. Como as espécies residentes resolvem as restrições ao sucesso reprodutivo como a predação na seca e as condições deficientes de oxigênio na enchente/cheia?
Dessas espécies residentes, cerca de um quarto apresentam cuidados parentais para proteção da prole e pertencem às famílias Erythrinidae (traíras), Serrasalmidae (piranhas), Gymnotidae (tuviras), Callichthyidae (camboatás), Loricariidae (cascudos, rapacanoas) e Cichlidae (carás, joana-guensa).
No caso da traíra, Hoplias malabaricus, foram observados adultos cuidando dos ovos depositados em escavações em áreas rasas durante a enchente. Para as espécies de piranhas dos gêneros Serrasalmus e Pygocentrus, a literatura cita que os pais cuidam dos ovos que são depositados nas raízes das macrófitas durante a cheia. No caso das tuviras como, Gymnotus inaequilabiatus a reprodução ocorre na cheia e o macho cuida dos ovos e da prole recém eclodida.

Hoplias malabaricus

Entre os camboatás, são conhecidas espécies que fazem ninhos de espuma, onde depositam os ovos e exercem vigilância sobre os mesmos, geralmente no período da enchente. Na família Loricariidae, foi observado que os machos de Loricariichthys platymetopon (rapacanoa) carregam os ovos em uma expansão da porção do lábio superior. Mesmo após a eclosão, os jovens permanecem aglomerados nessa expansão por algum tempo. O cascudo preto, Liposarcus anisitsi, reproduz-se na cheia. O macho escava buracos/tocas no fundo ou na barranca do rio onde os ovos são colocados e cuidados até a eclosão. Alguns barrancos do rio Paraguai, nas proximidades de Corumbá, mostram muitos buracos/tocas, visíveis na seca, possivelmente escavados pelos cascudos. Cascudos escavando o fundo e as laterais de um aterro foram observados no baixo rio Miranda, onde a água apresentava uma boa visibilidade.A cheia é um período em que o oxigênio dissolvido está baixo em decorrência da decomposição da vegetação alagada. Possivelmente, como Liposarcus possui respiração aérea acessória, os machos tomam o ar atmosférico e liberam o ar nas câmaras de incubação, garantindo o oxigênio necessário a essa fase de desenvolvimento. Tanto em G. inequilabiatus como em L. anisitsi, os machos não mostram um grande crescimento dos testículos como é observado na maioria das espécies. Estará isso associado ao fato de cuidarem da prole ou mesmo ao tipo de fertilização que efetuam?

Pygocentrus natereri

As questões de ordem ambiental envolvem uma legislação que seja ao mesmo tempo capaz de promover a conservação ambiental e o uso dos recursos naturais para produção. O atendimento às normas legais é dificultado pela pulverização dos entes federativos que necessitam ser consultados para a implantação da atividade.
Os Cichidae, popularmente conhecidos como carás ou acarás, reproduzem-se na seca, onde geralmente os machos cuidam dos ovos depositados em ninhos ou mesmo após a eclosão, colocando os juvenis na cavidade bucal por ocasião de uma possível predação. Muitas dessas espécies depositam ovos mais de uma vez durante um ciclo reprodutivo. Para as espécies residentes, sem cuidados parentais, como a corvina, Plagioscion ternetzi, as estratégias reprodutivas para serem bem sucedidas são desconhecidas. A literatura cita que a reprodução é evitada no período seco quando há a concentração dos peixes nos ambientes aquáticos mais reduzidos e a predação é inevitável mesmo que a disponibilidade de alimento seja elevada.

Crenicichla sp.

Um fator a favor são as altas temperaturas do período que favorecem o desenvolvimento e eclosão rápida dos ovos (para muitas espécies, ao redor de 24h) o que poderia reduzir a predação para as espécies residentes que se reproduzem nesse período. Na enchente/cheia, as condições da qualidade de água podem não ser as melhores, mas a possibilidade de predação seria mais reduzida, período que deve ter sido adotado por muitas espécies residentes de pequeno porte para reprodução. A maior parte das espécies pertencentes à categoria de migradores de longa distância é composta por espécies de médio a grande porte como a pacu-peva, Mylossoma orbygnianum, os armados, Oxydoras kneri e Pterodoras granulosus, o pacu, Piaractus mesopotamicus, o dourado, Salminus brasiliensis, e o pintado, Pseudoplatystoma corruscans dentre outras. Reproduzem-se nos trechos superiores dos rios no período das chuvas, geralmente de novembro a fevereiro.

Liposarcus anisitsi

Os migradores de curta distância realizam pequenos movimentos entre a planície de inundação (baías, lagos, corixos) e a sua conexão com o rio entre o final do período da seca e o início da enchente. Muitas espécies ficam aglomeradas nas “bocas” de baías ou corixos aguardando as chuvas ou o início da enchente para se reproduzir, ou realizam migrações ascendentes de curta distância para se reproduzir em águas turvas e bem oxigenadas do canal do rio.A esta categoria pertencem algumas espécies de pacu-peva como Metynnis maculatus, Metynnis mola, Myloplus
levis, os pequenos lambaris dos gêneros Astyanax e Moenkhausia, e algumas espécies da família Anostomidae como os piaus, Leporinus lacustris e Leporinus striatus.

Leporinus friderici

O sairu-boi, (Potamorhina squamoralevis) é muito interessante, pois parte da população realiza curtas migrações das baías e corixos até a boca do canal principal para se reproduzir e parte da população migra até próximo aos trechos superiores desses mesmos rios para se reproduzir. Seria ela uma espécie que está em transição entre migradora de curta para de longa distância?
Enfim, são muitas as estratégias reprodutivas de peixes de ambientes inundáveis, estratégias essas que propiciam diferentes formas de aproveitamentos dos habitats disponíveis ao longo de um ciclo hidrológico ou pulso de inundação.

Moenkhausia oligolepsis

Por Emiko Kawakami de Resende - Boletim SBI