sábado, 10 de janeiro de 2009

Hematologia de peixes Teleósteos

Fatores que Interferem na Hematopoiese.

A água com pH alcalino induz a redução do número de eritrócitos e de neutrófilos maduros no rim e no baço, enquanto os hemoblastos linfóides e os reticolócitos aumentam com o grau de acidez e com o tempo de exposição.


Origem e desenvolvimento das células sanguíneas nos peixes teleósteos.

Downey (1909) – estudando o tecido renal de Polyodon spathula, observou pequenos e grandes linfócitos assim como monócitos e concluiu que os linfócitos se desenvolveriam formando os pequenos monócitos.

Jordan & Speidle (1924) – propuseram a idéia de que o linfócito seria a célula fonte pluripotente para todos os tipos de células sanguíneas, denominada teoria monofilética.
Duthie (1939) – propôs que uma célula pluripotente denominada grande hemoblasto linfóide originaria os granulócitos por transformação direta. Após divisão mitótica formaria os pequenos hemoblastos linfóides, os quais originariam os eritrócitos, trombócitos e linfócitos.



Catton (1951) – Considerou que o grande hemoblasto linfóide, derivado da transformação de células reticulares, seria o precursor dos granulócitos enquanto os pequenos linfóides originados de células endoteliais seriam os precursores dos eritrócitos, linfócitos e trombócitos.




Características hematológicas de peixes teleósteos.




O tamanho e o número dos eritrócitos refletem a posição na escala evolutiva. Os maiores eritrócitos, e o seu menor número, são observados em vertebrados primitivos na escala zoológica (Wintrobe 1934). Os agnatas possuem eritrócitos de maior tamanho quando comparados aos cartilaginosos e osteíctes e isso pode ser considerado característica primitiva entre os vertebrados aquáticos.




Tandon & Joshi (1976) – Estudando os eritrócitos de 33 espécies de teleósteos de 23 gêneros, pertencentes a 13 famílias dos dulciaqüícolas concluíram que as espécies de menor porte, geralmente, possuem menor quantidade de eritrócitos que as maiores. No entanto, as espécies menores tem hábitos relativamente ativos, indo de um local a outro e de alto a baixo, sendo sua demanda de oxigênio compatível com sua quantidade de eritrócitos. Peixes adaptados a baixos níveis de oxigênio exibem elevados valores de hematócrito, concentração de hemoglobina e número de eritrócitos, provavelmente para carrear mais eficientemente o pouco gás disponível.




Leucócitos




São as células brancas do sangue responsáveis pela defesa do organismo. Os mesmos podem variar de tamanho, podendo assemelhar-se a linfócitos ou pequenos monócitos. Quando imaturos recebem diferentes denominações: hemoblastos, células blásticas, hemoblastos linfóides e células imaturas.


Linfócitos, neutrófilos, monócitos, eosinófilos e basófilos são os leucócitos, usualmente observados na circulação dos peixes.. Não existe diferença na formação das células sanguíneas de peixes teleósteos dulcícolas e marinhos, e comparando os mesmos com aves e mamíferos, todos são iguais.




Linfócitos




São células predominantemente arredondadas, de tamanho variado, com o citoplasma basofílico e sem granulações visíveis. O núcleo possui forma arredondada, cromatina densa, sendo elevada a sua relação com o citoplasma. Os linfócitos, em geral, apresentam projeções citoplasmáticas, o que facilita diferencia-los dos trombócitos nas extensões sanguíneas. Entre os leucócitos, os linfócitos ocorrem em maior porcentagem na circulação dos peixes das famílias: Anostomidae, Pimelodidae, Erythrinidae, Ictaluridae, Characidae, Prochilodontidae, Cichilidae, Mugilidae e Cyprinidae.





Durante a contagem diferencial de leucócitos é comum a observação de linfócitos com tamanhos distintos, classificados em pequenos ou grandes. Os linfócitos pequenos possuem receptores de superfície para eritrócitos, sendo análogos aos linfócitos T dos mamíferos. Os linfócitos grandes são análogos aos linfócitos B dos mamíferos, apresentando imunoglobulinas de superfície e a capacidade de citoaderência ao organismo invasor. Já as células Natural Killer dos mamíferos, correspondem as células linfóides dos peixes.




Plasmócitos




Caracterizam-se por apresentarem grande quantidade de retículo endoplasmático e complexo de Golgi bem desenvolvido. Estão presentes tanto no sangue como nos tecidos hematopoiéticos. Curiosamente, sob microscopia comum, os plasmócitos são caracterizados por possuir núcleo esférico e citoplasma abundante.


São raramente observados na circulação de peixes, e sua existência é contestada por diversos autores




Neutrófilos






Nos peixes teleósteos os neutrofilos são arredondados,, e seu citoplasma possui granulações acidófilas muito finas. O núcleo apresenta forma de bastonete, com a cromatina nuclear pouco compactada e sem nucléolo visível.


Os neutrófilos possuem grande quantidade de peroxidase, uma enzima lisossômica presente em células fagocíticas e que promovem a oxidação de certos compostos pelo peróxido de hidrogênio no processo de fagocitose.Eles podem aderir às células endoteliais e transmigrar para o foco inflamatório atraídos por quimiotaxinas. Os imunoestimuladores e os adjuvantes aumentam a mobilização enzimática e a atividade fagocítica dos mesmos.




Monócitos


Seu citoplasma possui grande quantidade de mitocôndrias e vacúolos, algum retículo endoplasmático e complexo de Golgi; sendo considerados verdadeiras células em trânsito no sangue periférico. Realizam reação inflamatória e resposta imunológica nas quais ocorre a fagocitose, sendo de extrema importância nos mecanismos de defesa do hospedeiro. São descritos tanto para peixes teleósteos quanto cartilaginosos.



Além da atividade fagocitária, os monócitos possuem habilidade citotóxica não-específicas, apresentando um aumento da atividade fagocítica de antígenos bacterianos,sendo induzida pela liberação de fatores ativadores de macrófagos através da inoculação dos patógenos mortos ou de seus produtos.
Célula granulocítica especial





Geralmente grandes e muito semelhantes aos neutrófilos. O núcleo é pequeno, excêntrico,com a cromatina densa e não se observa a presença de nucléolo. O retículo endoplasmático granular é bem desenvolvido, apresentando cistemas longas e curtas. A quantidade de ribossomos livres é grande, enquanto a de mitocôndrias é pequena.



Também é conhecido como Leucócito Granular PAS- positivo, por ser precursora do basófilo e do mastócito. Sua função, assim como os demais leucócitos, não está bem esclarecida. Sugere-se que tal granulócito seja mais freqüente em peixes portadores de parasitoses.




Eosinófilos




Apresentam-se como células arredondadas e relativamente pequenas. O citoplasma é escasso e ocupado por grânulos de coloração alaranjada evidenciada por corante ácido-básico. O núcleo é geralmente excêntrico e ocupa grande parte da célula. Os eosinófilos muitas vezes estão ausentes no sangue periférico dos peixes mas quando aparecem apresentam freqüência relativa baixa.





* Em peixes as funções dos esosinófilos ainda estão por ser esclarecidas. Existem relatos que os mesmo possuem função microbicida e fagocitária de bactérias.




Basófilos




Apresentam células arredondadas, com núcleo excêntrico, pouca cromatina e nucléolo difícil de observar. Seu citoplasma é irregular, com grandes projeções citoplasmáticas e grande quantidade de mitocôndrias e ribossomos. Não ocorre no sangue circulante, é encontrado no rim cefálico e raras vezes no baço.


No sangue periférico, comportam-se como os mastócitos dos tecidos, apresentando grânulos ricos em histamina, que são receptores de alta afinidade para a porção Fc da IgE, liberados na anafilaxia. Ainda sua função não esta toda esclarecida, mas os mesmos apresentam resposta alérgica e imunológica.




Trombócitos




Comparando com as plaquetas dos mamíferos que são anucleadas, os trombócitos de peixes são células completas. Possuem células elípticas com núcleo fusiforme, e se diferenciam dos linfócitos graças a sua intensa vacuolização.

Tanto em peixes marinhos quanto dulcícolas, possuem a função de defesa do organismo,através da atividade fagocítica, podendo ser hemostática e homeostática. Também possuem a função semelhante as plaquetas dos mamíferos, reduzindo a predisposição a infecções.






Referências Bibliográficas




TAVARES-DIAS, M.; MORAES, F. R. Hematologia de peixes teleósteos, 144 pag., 2004
Adaptado por Ricardo Britzke
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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O gênero Satanoperca e a lenda de Jurupari

Jurupari, uma derivação da palavra “Juruparipindi” de origem Tupi significa “Demônio da Floresta”.
São várias lendas que existem sobre Jurupari, essas variam de acordo com as diversas tribos da região amazônica.
Na maioria dos casos, JURUPARI, é um nome indígena que significa o sono, o pesadelo; sendo um espírito indígena que entra nos corpos de animais à noite e persegue caçadores em meio a floresta. Segundo os índios, ele segura a garganta das pessoas para que elas não gritem de medo enquanto ele as faz terem sonhos horríveis também.
Gênero Satanoperca
O gênero Satanoperca definido por Günther 1862, foi ressuscitado por Kullander em 1986 para abrigar algumas espécies anteriormente pertencentes ao gênero Geophagus, que possuem o nariz longo. A espécie tipo do gênero é Satonaperca daemon. Atualmente a o gênero apresenta sete espécies válidas, sendo elas: Satanoperca acuticeps, Satanoperca daemon, Satanoperca jurupari, Satanoperca leucosticta, Satanoperca lilith, Satanoperca mapiritensis e Satanoperca pappaterra. O nome Satanoperca deriva do grego Satan (demônio) e perca (peixe), que significa peixe do demônio. Os espécimes deste gênero possuem como adaptação um nariz longo e boca protáctil, sendo conhecidos popularmente como “Papaterra” ou “Eartheater”

Satanoperca Jurupari Heckel 1840
Satanoperca Jurupari
Descrição original: Geophagus jurupari.
Heckel, J.J.; 1840; "Johann Natterer's neue Flussfische Brasilien's nach den Beobachtungen und Mittheilungen des Entdeckers beschrieben (Erste Abtheilung, Die Labroiden)"; Annalen des Wiener Museums der Naturgeschichte; pp 325-471.
Etimologia: Jurupari é o nome do demônio da floresta da lingua Tupi na bacia amazônica, e como este peixes é identificado.
Descrito por Heckel em 1840, esta espécie pertencia às coleções feitas por Johann Natterer nas expedições feitas ao Brasil. O específico nome, Jurupari, é uma derivação da palavra “Juruparipindi,” de origem Tupi, que significa “Demônio da Floresta”, sendo este peixe conhecido pelos nativos como Juruparipindi, conforme os relatos de Natterer. Nenhuma outra explicação é fornecida por Heckel na descrição desta espécie, mas os indios temiam adentrar na selva profunda depois do anoitecer, e acreditavam que o demônio Juruparipindi, poderia assumir formas de diversos animais, e atacar caçadores inconscientes. Apresenta uma chamativa coloração, com tons em verde esmeralda e cobre. Seus olhos parecem ter em seu interior uma cor laranja que se destaca em locais com pouca iluminação.

Satanoperca daemon Heckel 1840
Satanoperca daemon
Descrição original: Geophagus daemon.
Heckel, J.J.; 1840; "Johann Natterer's neue Flussfische Brasilien's nach den Beobachtungen und Mittheilungen des Entdeckers beschrieben (Erste Abtheilung, Die Labroiden)"; Annalen des Wiener Museums der Naturgeschichte; pp 325-471.
Etimologia: daemon = espírito do mal, demônio, diabo.
Satanoperca daemon também foi descrito por Heckel a partir dos espécimes da coleção de Natterer. Embora a língua Tupi também se referisse do mesmo modo a este peixe como o “Juruparipindi,” Heckel observou varias diferenças em sua coloração e descreveu-as como uma segunda espécie. Superficialmente, o S. daemon e S. jurupari são similares na aparência, mas existem diversas diferenças. Em S. daemon, os últimos cinco raios da barbatana dorsal apresentam filamentos negros que ultrapassam a nadadeira caudal. A mancha do pedúnculo caudal de S. daemon; é maior, mais escura e rodeada em branco, alem de outras duas encontrados no corpo. Sua cor de fundo é dourado-prateado, com três pontos marcados ao longo do corpo, sendo dois no corpo e um próximo ao pedúnculo caudal. Esta última é escura e rodeada em azul anil e branco. Os últimos cinco raios da barbatana dorsal apresentam filamentos negros que ultrapassam a nadadeira caudal.


Satanoperca acuticeps Heckel 1840
Satanoperca acuticeps
Descrição original: Geophagus acuticeps.
Heckel, J.J.; 1840; "Johann Natterer's neue Flussfische Brasilien's nach den Beobachtungen und Mittheilungen des Entdeckers beschrieben (Erste Abtheilung, Die Labroiden)"; Annalen des Wiener Museums der Naturgeschichte; pp 325-471.
Etimologia: acutus = afilado, abrupto, aguçado (Latim) + ceps = cabeça (Latim); referindo-se ao seu perfil com cabeça afilada.
Satanoperca acuticeps foi o terceiro geophagine descrito por Heckel (l840) na coleção de Natterer. Apresentam a coloração de fundo dourada, com faixas escuras nos flancos que são apenas visíveis de acordo com o estado do peixe. Apresenta um ocelo negro na parte superior do pedúnculo caudal.

Satanoperca lilith Kullander & Ferreira, 1988
Satanoperca lilith
Descrição original: Satanoperca lilith.
Kullander, Sven O. & E. J. G. Ferreira; 1988; "A new Satanoperca species (Teleostei, Cichlidae) from the Amazon River basin in Brazil"; Cybium; pp. 343-355.
Etimologia: Lilith se refere a primeira esposa de Adam.
Apresenta coloração de fundo dourada, com dois ocelos no corpo, um no meio deste e outro na parte superior do pedúnculo caudal. Possui na parte inferior da nadadeira caudal, uma coloração vermelha, assim como na anal.

Satanoperca mapiritensis Fernández-Yépez, 1950
Satanoperca mapiritensis
Descrição original: Geophagus mapiritensis.
Fernández Yépez, Agustin; 1950; "Notas sobre la fauna ictiológica de Venezuela"; Memorias de la Sociedad de Ciencias Naturales La Salle ; v. 10 pp. 111-118.
Etimologia: De acordo com a localidade tipo

Satanoperca pappaterra Heckel, 1840
Satanoperca pappaterra
Descrição original: Geophagus pappaterra.
Heckel, J.J.; 1840; "Johann Natterer's neue Flussfische Brasilien's nach den Beobachtungen und Mittheilungen des Entdeckers beschrieben (Erste Abtheilung, Die Labroiden)"; Annalen des Wiener Museums der Naturgeschichte; pp 325-471.
Localidade tipo: Rio Guaporé, Mato Grosso, Brazil.
Apresenta coloração de fundo dourada-prateada. S. pappaterra caracteriza-se por apresentar uma faixa negra lateral no centro do corpo, que normalmente aparece interrompida. Abaixo a nadadeira dorsal apresenta de 5 a 7 pontos de forma quadrada que se estendem em forma de barras verticais.

Satanoperca leucosticta (Müller & Troschel, 1849)
Satanoperca leucosticta
Descrição original: Geophagus leucostictus.
Müller, J. & F. H. Troschel; 1849; "Fische"; Reisen in Britisch-Guiana in den Jahren 1840-44 Im Auftrag Sr. Mäjestat des Königs von Preussen ausgeführt von Richard Schomburgk.; pp. 618-644.
Etimologia: leucos = branco (grego); sticktos = pontos (grego), em refrencia aos pontos brancos no corpo.

Fontes: TFH Magazine
The Cichlids Roon Company
Fotos: The Cichlids Ronon Company
Hygen Ltda.

Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke
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domingo, 28 de dezembro de 2008

Ordem Cyprinodontiformes

Os peixes da ordem Cyprinodontiformes possuem uma única nadadeira dorsal, a nadadeia anal raramente possui espinhos e presença de escamas ciclóides no corpo. O corpo é fusiforme, geralmente pequeno, não excedendo 30 cm nas grandes espécies, mas alcançando 8 cm na maioria. Não existe nadadeira adiposa, nem linha lateral e a boca é usualmente grande e superior.

Simpsonichthys constanciae

O grupo ocorre predominantemente em águas doces tropicais (exceto Austrália e Nova Guiné), mas muitas espécies são encontradas nos estuários e/ou áreas da região temperada da América do Norte, planícies costeiras mediterrâneas e no mar Negro. As aproximadamente 850 espécies conhecidas sendo distribuídas em 9 famílias e duas sub-ordens dentro dessa ordem.
A ordem Cyprinodontiformes é dividida conforme abaixo (Segue algumas fotos das espécies pertencentes a essas subordens e famílias) :


Subordem Aplocheiloidei, Bleeker 1860

Família Rivulidae, Myers 1925

Rivulus xiphidius

Simpsonichthys zonatus

Austrolebias nigripinnis var. albina

Leptolebias aureogutattus

Pterolebias phasianus


Família Aplocheilidae, Bleeker 1860

Nothobranchius rachovii

Fundulopanchax gardneri

Aphyosemion sjoestedti

Epiplatys annulatus


Subordem Cyprinodontoidei, Gill 1865

Família Fundulidae, Jordan & Gilbert 1883

Fundulus catenatus

Família Goodeidae, Jordan 1923

Crenichthys baileyi

Família Profundulidae, Hoedeman & Bronner 1951

Profundulus sp.

Família Valenciidae, Parenti 1981

Valencia hispanica

Família Cyprinodontidae, Gill 1865

Aphanius iberus

Jordanella floridae

Família Anablepidae, Garman 1895

Anableps anableps


Família Poeciliidae, Garman 1895

Poecilia wingei

Fluviphylax pigmaeus

Xiphophorus helleri

Xenotoca eiseni

Poecilia latipinna


Referências Bibliográficas

COSTA, W. J. E. M. . Phylogeny And Classification Of The Cyprinodontiformes (Euteleostei: Atherinomorpha): A Reappraisal. Phylogeny and Classification of Neotropical Fishes. 1 ed. Porto Alegre: Edipucrs, 1998, v. , p. 537-560.

MENEZES, N. A.; WEITZMAN, S. H.; OYAKAWA O. T.; LIMA, F. C. T.; CASTRO, R. M.; WEITZMAN, M. J. Peixes de água doce da mata atlântica. – Sâo Paulo: Museu de Zoologia - USP, 2007 408 p.

OYAKAWA, O.; AKAMA, A.; MAUTARI, K.C. Peixes de Riachos da Mata Atlântica – São Paulo Editora Neotópica, 2006 201 p.

Fotos

Alf Person
Bernd Kaufmann
Cristo Cristov
FFalcon

Grandjean
Jay Luto
Olaf Deters
Peter Kaclik
Rod Morris
Vasco Gomes

Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Nova espécie de Knodus

Uma nova espécie do gênero Knodus é descrita nos arredores do rio Maranon em Iquitos, no Peru. O mesmo durante cerca de 40 anos foi erroneamente distribuido ao comércio aquarístico com o nome de Boehlkea fredcochui (Géry, 1966). Descrito pelo ictiólogo alemão Axel Zarske, a nova espécie foi nomeada de Knodus borki.


Knodus borki distingue-se de Boehlkea fredcochui pela dentição do osso maxilar (três a quatro dentes tricuspides versus 11 a 21 dentes tricuspides), linha lateral incompleta (com 6 a 14 escamas) versus linha lateral completa (com as 15 a 37 escamas), e tambem na coloração (B. fredcochui apresenta uma barra negra na nadadeira caudal e esta é ausente em K. borbi).
Knodus borki é estreitamente relacionado a K. megalops, mas difere na linha lateral (incompleta em k. borki versus completa em K. megalops), no tamanho do olho (2.46-3.24 vezes do comprimento padrão em K. borki versus 2.2 em K. megalops), na altura do corpo a frente da nadadeira dorsal (2.91-3.34 vezes do comprimento padrão em K. borki versus 2.9 em K. megalops), no comprimento principal (3.94-4.65 vezes do comprimento padrão em K. borki 3.8 em K. megalops) e na coloração.

Borki se refere a Herrn Dieter Bork, um grande amigo aquarista que contribuiu ao desenvolvimento do hobby.

No artigo também é redescrita a espécie Boehlkea fredcochui.


Para saber mais:
Knodus borki sp. n. – ein neuer Salmler aus Peru mit einer ergänzenden Beschreibung von Boehlkea fredcochui Géry, 1966 (Teleostei: Characiformes: Characidae) Vertebrate Zoology 58, pp. 159–171.

Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke
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domingo, 14 de dezembro de 2008

Descoberta de novas espécimes de peixes em Brasília

Biólogos da UnB descobrem 12 espécies em córregos do Parque Nacional de Brasília
A apenas 15 minutos do centro do Distrito Federal, o Parque Nacional de Brasília abriga as mais novas espécies de peixes do cerrado brasileiro registradas pela ciência. A descoberta foi feita pelo biólogo Pedro de Aquino e sua equipe da Universidade de Brasília (UnB), que estudou as espécies do parque durante dois anos para a dissertação de mestrado. Em riachos das bacias de Santa Maria Torto e Bananal, Aquino identificou, ao todo, 28 espécies de peixes, das quais 12 novas para a ciência.
O objetivo da pesquisa era analisar os diferentes padrões de distribuição dos cardumes nas bacias do Parque Nacional de Brasília, unidade de conservação de proteção integral do Distrito Federal que fornece água potável à capital. A descoberta das espécies acabou sendo uma “cereja sobre o bolo” que enriqueceu ainda mais o estudo.

Microlepidogaster sp. Uma das novas espécies encontradas em Brasília, é conhecido como “cascudo” e pertence à família Loricariidae

Mas a descoberta não é surpreendente, na avaliação do biólogo. Segundo ele, a imensa variedade de flora e fauna do parque contribui para a realização das pesquisas. “Já esperávamos encontrar novas espécies, porque os cardumes ainda são pouco estudados, apesar da riqueza da região”, reconhece.
Aquino conta que escolheu 14 pontos diferentes ao longo dos córregos para a pesquisa, realizada simultaneamente com a da bióloga Mariana Schneider, que coletou os peixes para análise de seus hábitos alimentares. Os resultados do trabalho foram submetidos para publicação em periódicos especializados e aguardam avaliação.

Espécies endêmicas

Duas das 12 novas espécies identificadas no estudo – Heptapterus sp. e Ctenobrycon sp. – são consideradas endêmicas do Parque Nacional. As outras dez foram encontradas em outros trechos da bacia fora do território delimitado para o parque brasiliense.
A espécie que apresentou o maior número de peixes coletados no estudo, com quase 6.000 indivíduos, foi a Knodus moenkhausii, que já havia sido descrita pela ciência. Em segundo lugar ficou a nova Astyanax sp., com quase dez vezes menos espécimes coletados.

Entre as 12 novas espécies identificadas no estudo, o Astyanax sp. (à esquerda) é aquela que teve o segundo maior número de exemplares coletados. Essa espécie é encontrada em todos os trechos dos riachos que deságuam no lago Paranoá, assim como o Hasemania sp. (à direita), que é 1 cm menor que o Astyanax sp. (fotos: Pedro De Podestà Uchôa de Aquino).

Esta é uma das novas espécies que nada desde a cabeceira até a foz dos riachos. Aquino explica que isso foi possível graças ao tamanho desse peixe: “Por atingir um maior porte, o Astyanax sp. é capaz de se deslocar com mais facilidade e, por isso, pode ser visto em todos os trechos. Já as espécies com pequeno porte ficam isoladas nos diversos trechos da bacia”.
Segundo o biólogo, o isolamento dessas pequenas populações nas cabeceiras permitiu que elas se diferenciassem até configurar novas espécies, com o passar de milhares de anos – fenômeno que os biólogos chamam de especiação alopátrica ou geográfica.

Parque Nacional de Brasília

Por isso, Aquino destaca a importância da preservação do Parque Nacional para as espécies nativas da região, longe da poluição e do crescimento urbano. “A preservação é fundamental para a manutenção da biodiversidade do cerrado. Se essa região não fosse conservada, talvez as espécies não seriam encontradas, já que o Parque Nacional fica dentro do Distrito Federal”, enfatiza o biólogo.

Fonte: Ciência Hoje