sábado, 30 de janeiro de 2010

Nova espécie de Nothobranchius

Uma nova espécie de killifish africano do gênero Nothobranchius é descrita nas drenagens dos rios Save, Gorongose, Pungwe e Zangue, na província de Sofala, região central de  Moçambique. Descrita pelo pesquisador Martin Reichard, da Academia de Ciências da República Tcheca, a espécie recebeu o nome de Nothobranchius kadleci. A espécie é muito similar a Nothobranchius furzeri, do qual é distinguido pela coloração (nadadeiras pélvicas vermelhas, borda vermelha e coloração do corpo vermelha intensa) e morfologia (maior distância entre as nadadeiras peitorais e pélvicas, nadadeira dorsal e anal mais curtas, e base da nadadeira anal mais curta). A distribuição conhecida dessas duas espécies é alopátrica, com N. kadleci ocorrendo ao norte juntamente com N. furzeri. 

Nothobranchius kadleci ocorre em simpatria com Nothobranchius orthonotus e Nothobranchius rachovii, os quais podem ser diferenciados claramente pelo padrão de coloração, forma corporal e características morfométricas. Um total de 12 populações foram registradas desde o sul do Rio Zambezi até  o norte do Rio Save, durante coletas em fevereiro de 2008 e Fevereiro de 2009.


Coloração em vida: Machos: A coloração varia do vermelho ao azul irisdescente aparecendo discretamente pelo corpo. Os machos completamente vermelhos possuem a nadadeira caudal vermelha. A nadadeira dorsal é vermelha com uma margem branca estreita (sobre a nadadeira inteira) ou amarela (no 1/3 anterior dos pontos e das linhas irregulares da nadadeira) na membrana da nadadeira. 


 A nadadeira anal é vermelha com uma margem branca estreita e pontos ou linhas brancas, embora a marcação branca é menos desenvolvida do que na nadadeira dorsal. As nadadeiras peitorais são vermelhas com branco ou  com as pontas azul claro As nadadeiras ventrais são vermelhas, às vezes com traços brancos. O corpo é vermelho, incluindo a cabeça, as bordas e a membrana da brânquia. As escamas possuem  sua região central azul, dando a impressão de um padrão reticulado no corpo inteiro. Em machos azuis, a cor das nadadeira é igualmente vermelho, na região da borda, com pontos azuis ou linhas muito abundantes em toda a extensão delas, com exceçãos  das nadadeiras peitorais (que são sempre vermelhas em machos selvagens e maduros, embora a cor vermelha pode ser menos desenvolvida em machos jovens). Em machos azuis, especialmente espécimes jovens, a marcação azul no corpo cobre uma grande extensão do vermelho, incluindo a área da cabeça. Os olhos de todos os machos são alaranjados ao ouro com uma faixa vertical escura.


Etimologia: A espécie é nomeada em honra a Jaroslav Kadlec (1951-2006) de Brno, República Tcheca, um renomado kiliófilo reconhecido no mundo todo através de seus artigos de criação, ecologia e fotografias de killifishes. A pronúncia correta é “khadlatsi”.

Distribuição: Foram encontradas 12 populações da nova espécie, em uma área extensa da região central de Moçambique na região norte do rio Save, incluindo as bacias dos rios Save, Gorongose, Pungwe e Zangue. A altitude dos locais de coleta variaram de 24-82 metros acima do nível do mar. A extensão latitudinal onde foram encontradas as populações de N. kadleci forma uma extensão de 300 km norte-sul



Hábitat: Todas as populações de N. kadleci foram encontradas em poças temporárias que variavam de 3 a 2150 metros cúbico de água, com uma profundidade máxima de 10-70 cm em 2008 e 50-100 cm em 2009, com água muito turva e lama no substrato. A vegetação no entorno das poças estava presente em 50% das associações, possuindo plantas aquáticas como a Nymphea em algumas delas. A temperatura variava de 27.7-38.2° C. As espécies em simpatria encontradas foram: N. orthonotus (10 casos) N. rachovii (2 casos), Barbus sp. (2 casos), Tilapia sp. (1 caso), Protopterus sp. (1 caso) e Clarias gariepinus (1 caso).
 
Para saber mais:
Reichard, M. (2010) Nothobranchius kadleci (Cyprinodontiformes: Nothobranchiidae), a new species of annual killifish from central Mozambique. Zootaxa 2332: 49–60.

Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke © Copyright 2010 ©  

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A espécie Notholebias minimus

Gênero: Notholebias


Espécie tipo: Notholebias minimus (Myers, 1942).

Notholebias minimus - macho

Espécies incluídas no gênero:
Notholebias minimus(Myers, 1942), Notholebias fractifasciatus (Costa, 1988), Notholebias cruzi (Costa, 1988).

Distribuição: Planícies litorais do sudeste do Brasil, entre as várzeas do rio São João e o município de Itaguaí, estado do Rio de Janeiro.

Etimologia:
Do grego nothos = falso, e lebias = pequeno peixe, um gênero masculino.
Notholebias é uma alusão a semelhança superficial entre as espécies incluídas no gênero novo, com as espécies do gênero de killifishes africanos Nothobranchius Peters, 1868; principalmente a espécie Nothobranchius lourensi Wildekamp, 1977, que possui os mesmos padrões de coloração e corpo similiar.


Notholebias minimus - macho

Diagnose: O gênero Notholebias é diagnosticado por duas sinapomorfias (novidades evolutivas), a cartilagem basihial estreita, aproximadamente retangular; e a presença de barras iridescentes ou linhas verticais na nadadeira caudal dos machos. Também esse gênero é caracterizado por três características plesiomorficas (caractéres herdados do ancestral sem modificação), como a presença do dermoesfenotico (osso cutâneo situado na região dorsal-posterior á orbita) aperfeiçoado no contato da nadadeira peitoral dos machos; e a região opercular com barras vermelhas nos machos.

A espécie

Notholebias minimus (Myers, 1942)

Sinonimos: Cynolebias ladigesi, Cynolebias minimus, Cynopoecilus foerschi, Cynopoecilus ladigesi, Cynopoecilus minimus, Leptolebias minimus.

Notholebias minimus - macho


Descrição: Peixe de pequeno porte com cerca de 20 mm a 30 mm de comprimento padrão, com copro alongado e ligeiramente comprimido nas laterais. Machos possuem nadadeiras dorsal e anal prolongadas, caudal larga e truncada e peitorais arredondadas; apresentam coloração avermelhada em fundo azul turquesa. Fêmeas apresentam nadadeiras dorsal, anal e caudal translúcidas; são monocromáticas, com coloração castanho claro

Etimologia: do latim minimus = pequeno, por ter sido a menor "Cynolebias" enviada pelo Major Thomas White e sua esposa Constance White ao ictiólogo americano George Myers na década de 1940.

Notholebias minimus - fêmea

Considerada segundo o IBAMA como ameaçada de Extinção; e segundo o IUCN 2009 como Vulnerável.

Referências

Costa, W.J.E.M. 1988. Sistemática e distribuição do complexo de espécies Cynolebias minimus (Cyprinodontiformes, Rivullidae), com descrição de duas espécies novas. (557-570)

Costa, W. J. E. M.   2008. Monophyly and taxonomy of the Neotropical seasonal killifish genus Leptolebias (Teleostei: Aplocheiloidei: Rivulidae), with description of a new genus. Zoological Journal of the Linnean Society v. 153: 147-160.

Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke © Copyright 2010 ©  

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Mudança no padrão de coloração e comportamental em Apistogramma hyppolytae

O estudo foi realizado entre abril e setembro 2005, em uma lagoa perto da estação de pesquisa da exploração agrícola de Dimona (2°20'25.5114” S 60°6'5.7594” W), a 70 quilômetros ao norte de Manaus. A área é parte da bacia de rio de Cuieiras, um tributário do rio do negro. 

Apistogramma hippolytae - foto: David Soares


A lagoa estudada (aproximadamente 40 m comprimento - 14 m largura e 0.5 m profundidade) se formou a aproximadamente a 15 anos atrás, devido o represamento parcial de um igarapé da floresta para a construção de uma estrada local nunca terminada. A parte inferior da lagoa é coberta por uma camada grossa sedimentos finos e folhas submersas em decomposição (~80%), e por troncos e galhos (~20%). A lagoa é cercada por floresta tropical primária e secundária, fazendo um mosaico de árvores e arbustos que pendem sobre as margens da lagoa e contribuem com matéria orgânica ao sistema aquático.
Observações subaquáticas usando snorkel foram realizadas para verificar o comportamento dos ciclídeos anões, totalizando 18 horas dos registros. A observação individual durou aproximadamente 15 segundos e incluiu todo tipo de atividade (alimentação, descanso, exposição agonística (competição), exposição sexual , ataque ou fuga), sexo, idade (juvenis ou adultos), tamanho estimado dos indivíduos (quando envolvido em  interações intra ou interespecificas), e seu teste padrão da coloração. Os dados foram colhidos por um único observador, onde o mesmo permanecia imóvel a certa distância, para evitar pertubar os peixes. Os padrões de coloração foram caracterizados seguindo Baerends & Baerends van-Roon (1950) and Römer (2001), descrevendo a cor geral do corpo e a acentuação na presença de faixas, listras e manchas escuras na cabeça e corpo dos indivíduos (Fig. 1). Cinco diferentes padrões de coloração do corpo foram gravados em A. hippolytae, baseados em variações na intensidade de pontos e barras exibidos (figs. 2 e 3). Além destes cinco padrões, apresentaram padrão de coloração exclusiva de reprodução e proteção de ovos e alevinos. 
 Fig. 1 - Principais marcas usadas na descrição da coloração de Apistogramma hippolytae.
 
O padrão de coloração mais comum foi caracterizado pela cor de fundo prateada-esverdeada, com a mancha lateral e listra suborbital ausente ou fraca (figs. 2 a-b). Este teste padrão era chamado “liso” e foi observado principalmente quando os indivíduos estavam se alimentando (90%, n = 523 ocorrências; Fig. 3). No segundo – o padrão de coloração mais comum, chamado “listra-ponto” (Figs. 2c-d), onde o animal tornava-se pálido, com uma listra lateral conspícua (notável), mancha lateral e ponto caudal. Os olhos tornaram-se mais escuros, a listra suborbital apresentava-se fraca ou ausente, e a lateral as barras nos flancos tornaram-se visíveis. Este teste padrão foi encontrado principalmente quando os indivíduos estavam acima do substrato (em descanso, 89%, n = 406; Fig. 3); quando perturbado por um movimento repentino próximo, pela presença de um predador ou quando envolvidos em eventos de perseguição/agressão (fuga, 32%, n = 34). Este padrão de coloração foi observado raramente em grandes machos (maiores que 60 milímetros de comprimento padrão). O padrão de coloração “cara-pintada” (figos. 2e-f) possuía cor de fundo prateada-esverdeada sem pontos ou listras, à exceção de uma listra suborbital conspícua. Foi registada principalmente em grandes indivíduos, imediatamente antes da execução da agressão intra ou interespecifica (61%, n = 36; Fig. 3). O padrão de coloração “barrado” (Fig. 2g) foi caracterizado por um aumento geral na intensidade e no contraste das cores do corpo, com a presença de uma conspícua barra vertical marrom escura nos flancos. Um aumento no brilho do olho era igualmente notável. Este padrão de coloração foi observado somente em cinco ocasiões, quando os indivíduos se exibiam em competição (Fig. 3). Os machos que se exibiam na corte (Fig. 3) apresentaram um padrão de coloração típica, chamada de “brilho”. Este padrão é similar ao “barrado” (Fig. 2h), mas difere na ausência de barras laterais e por um aumento na intensidade e no contraste da coloração na região ventral. As fêmeas com cuidado parental exibiram um padrão de coloração único, com os primeiros raios das nadadeiras pélvicas e dorsais bem negros. Geralmente a mancha lateral, a listra suborbital e o ponto na nadadeira caudal eram bem conspícuos (notáveis), e a listra lateral era ausente ou praticamente ausente (Fig. 2i). A coloração esverdeada era totalmente substituída por um tom amarelo intenso (Fig. 2j). 
Fig. 2 -  Padrões de coloração de Apistogramma hippolytae. a-b = “liso”; c-d = “listra ponto”; e-f = “cara-pintada”; g = “barras”; h = “brilho”; i-j = Fêmea em cuidado parental. Fotos (b), (d), e (h) J. Zuanon; (f) modificada de Römer (2001); e (j) de F. Mendonça.

As mudanças de coloração ocorreram rapidamente (em alguns segundos). Por exemplo, quando macho grande atacava um intruso, ele mudava do padrão “cara-pintada” para o padrão “liso” em menos de 20 segundos. Quando uma exibição de competição ocorria, o peixe envolvido mudava do padrão “liso” para o padrão “barrado”, e após executar o comportamento retornava ao padrão “liso” em menos de 30 segundos. Para as fêmeas com cuidado parental, o tempo para mudar de coloração era bem mais longo. As mudanças rápidas no padrão de coloração é uma característica comum dos ciclídeos, devido à posição superficial dos cromatóforos, produzindo as marcas características de cada padrão de coloração. O padrão de coloração “liso” constitui provavelmente uma coloração enigmática, permitindo que os peixes sejam confundidos com o fundo da lagoa que é composto por restos orgânicos. Era o padrão de coloração mais observado, ocorrendo principalmente quando os peixes estavam se alimentando sem serem pertubados. Römer (2001) relaciona tal padrão de coloração com um modo neutro, calmo. De fato, distúrbios no ambiente foram seguidos geralmente pela mudança para o padrão de coloração “listra-ponto”. A presença de barras verticais como padrão de coloração também foram descritos para outros ciclídeos, associando um comportamento de fuga e submissão. A combinação de pontos, listras e barras, foram associadas com a redução da intensidade de coloração, parecendo constituir um padrão de coloração disruptivo (tenso), permitindo que os peixes permaneçam despercebidos para predadores potenciais. Não obstante, mais de 65% dos peixes observados em fuga após algum distúrbio, mostraram o padrão de coloração “liso” (Fig. 3). 

Fig. 3 - Frequência da ocorrencia dos cinco padrões de coloração em Apistogramma hippolytae

 Isto pode ser explicado pelo fato que a maioria vasta dos ataques observados (e das repsotas de fugas) resultaram das interações agressivas feitas por indivíduos maiores de A. hippolytae durante a alimentação, e não nas tentativas de predação. Nesses casos, o indivíduo atacado se afastava poucos centímetros e não era molestado. Entretanto, perseguições feitas pelo Jacundá (gênero Crenicichla), causavam distúrbios repentinos no ambiente, seguidos imediatamente pela mudança no padrão de coloração para o padrão “listra-ponto”. Este padrão de coloração era igualmente indicado por fêmeas durante a corte e pode indicar uma forma de submissão, evitando ataques contínuos de machos agressivos. A listra suborbital muito conspícua no padrão de coloração “cara-pintada” parece representar o sinal principal da agressão, e foi indicado igualmente pelas fêmeas que se encontravam em cuidado parental. O padrão de coloração descrito por Römer (2001) para indivíduos ligeiramente agressivos, não concorda com nossas observações, pois o autor menciona que o padrão de coloração “cara-pintada” é predominante entre os peixes prisioneiros. Nossas observações indicam que tal padrão de coloração é comum no ataque de peixes maiores e imediatamente antes do ataque por co-específicos. Isto representaria uma coloração de advertência, indicando uma iminente interação agonística. “O padrão de coloração “brilho” e “barrado” mostraram um aumento considerável na intensidade da coloração de fundo no corpo, que poderia estar relacionada à prontidão reprodutiva e ser empregada durante a corte ou nas disputas para fêmeas. A cor amarela das fêmeas em cuidado parental é uma característica das espécies do gênero Apistogramma, aumentando a intensidade das manchas e dos pontos. A combinação de marcas amarelas e negras é reconhecida como um dos padrões de coloração de advertência nos animais e pode ser relacionado à agressividade de fêmeas nesse período. As marcas negras conspícuas nas nadadeiras especialmente nas pélvicas, acredita-se que estejam relacionadas à comunicação da mãe com sua prole. Nas águas rasas e desobstruídas habitadas pelo ciclídeo anão Apistogramma hippolytae, as mudanças no padrão de coloração foram sugeridos para ser um sistema de comunicação muito eficiente, evitando a perda de energia em interações desnecessárias. 

Os estudos que examinam os mecanismos fisiologicos ou o contexto evolucionário envolvidos na mudança da cor e da expressão dentro das espécies de Apistogramma pode ajudar a explicar o aspecto geral da história natural dos ciclídeos anão.

Para saber mais:

RODRIGUES, R. R.; CARVALHO, L. N.; ZUANON, J.; DEL-CLARO, K. Color changing and behavioral context in the Amazonian Dwarf Cichlid Apistogramma hippolytae (Perciformes) Neotropical Ichthyology, v. 7, ed. 4, pag. 641-646


Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke © Copyright 2010 © 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Nova espécie de Nannostomus

Uma nova espécie de Nannostomus é descrita do Peru. A mesma foi descrita pelo ictiólogo Axel Zarske como Nannostomus rubrocaudatus. 
A nova espécie é relacionada com N. mortenthaleri e N. marginatus. Sua coloração em vida é extremamente diferente dessas espécies. A nova espécie possui dimorfismo sexual claramente desenvovidos em sua nadadeira anal, igualmente encontrado em N. mortenthaleri e em apenas um população de N. marginatus com coloração diferente do Rio Negro


Nannostomus rubrocaudatus sp. n.

Distribuição: Encontrado em  Saramirisa, departamento de Loreto, Peru. Uma pequena vila no rio Maranõn, entre os deltas dos rios Morona e rio Santiago.


Nannostomus mortenthaleri

Etimologia: Designado de acordo com a coloração dos machos. Do latim Rubro = vermelho e cauda = cauda

Nannostomus marginatus - Pop. Rio Negro


Para saber mais:
Zarske, A. Nannostomus rubrocaudatus sp. n. – ein neuer Ziersalmler aus Peru (Teleostei: Characiformes: Lebiasinidae) Vertebrate Zoology 59, pp. 11–23, 2009.


Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke © Copyright 2009 ©

sábado, 26 de dezembro de 2009

Notícias

Aquário de São Paulo tem o primeiro peixe-boi exibido em aquário no mundo.


Tapajós, um peixe-boi amazônico, veio de Manaus (AM) para ser uma das atrações do Aquário de São Paulo. Será o primeiro exemplar da espécie a ser exibido ao público no mundo.
Apesar das medidas generosas, 113 kg e 2,05 m, o macho de nove anos é dócil e extremamente curioso. Ele deverá ficar em Sampa por pelo menos cinco anos. Tapajós vai viver em um tanque especialmente projetado para ele --com capacidade para 1 milhão de litros-do aquário gigante, localizado no Ipiranga, zona sul.

Lá, dividirá o lar com peixes amazônicos, como pirarucu, bagre, jaú e tambaqui. "Tapajós está em processo de adaptação", diz a bióloga-chefe, Laura Ippolito Moura, 35. "Tudo está indo bem. Ele se alimentou já no primeiro dia após a viagem." O peixe-boi está recebendo muitos mimos. Como não é fã de carne, ganha 10 kg de verdura por dia, entre elas escarola, alface e couve. Quando alguém entra no aquário, o animal se aproxima para tocar na mão da pessoa. É o sinal para ganhar uma coçadinha nas costas. 



Laura explica que essa interatividade com o animal é importante para saber se ele está com algum problema. "Assim que for condicionado, virá sempre ao nosso encontro quando entrarmos no tanque. Caso não venha, saberemos que alguma coisa está errada."
Juntar o bicho ao grupo de 2.500 peixes do aquário foi uma verdadeira façanha. Contou com o apoio do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e da Ampa (Associação Amigos do Peixe-Boi). Foram cerca de seis horas de viagem da capital do Amazonas até o Ipiranga, feitas em um avião climatizado e com o suporte da polícia ambiental, com direito a escolta pelas ruas paulistanas.
Durante o trajeto, Tapajós ficou em uma caixa de 2,30 m de comprimento, 1,30 m de largura e 0,80 m de altura com toalhas molhadas sobre seu corpo. "Trouxemos ele para mostrar à população do Sudeste o quanto é importante a preservação da floresta amazônica", explica Laura. "Quando as pessoas veem o bicho, entendem mais essa questão."
Tapajós foi encontrado no rio que deu origem ao seu nome, no Pará, em fevereiro de 2001.
Recém-nascido, fatalmente morreria caso não fosse alimentado. Pescadores alertaram os pesquisadores do Inpa, que imediatamente o levaram para o Laboratório de Mamíferos Aquáticos do instituto. Por sorte, foi adotado por uma fêmea - chamada Boo - que estava lactante.
Se sua adaptação à cidade der certo, ele deverá ganhar um companheiro até o final deste ano. Matupá, outro macho, é o mais cotado para embarcar rumo a São Paulo e dividir o tanque com Tapajós.


 Peixe-boi da Amazônia (Trichechus inunguis)

O Trichechus inunguis é o maior mamífero aquático de água doce do mundo, é exclusivamente herbívoro - se alimenta de plantas aquáticas e semi-aquáticas. Possuem coloração cinza-escuro, ausência de unhas nas nadadeiras peitorais, e podem apresentar manchas brancas na região ventral, essas manchas inclusive servem como uma espécie de “impressão digital” de cada animal. Para a exploração de sua carne, couro e gordura, a mais de 300 anos estes animais são caçados impiedosamente!!!! Apesar da proibição legal esses animais ainda são muito explorados para consumo e comercialização das populações ribeirinhas. A morte desses animais se dá de forma cruel, através de arpões, pauladas e até da introdução de “rolhas” de madeira, levando-o à morte por asfixia. Isso torna essa espécie UMA DAS MAIS AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO NO BRASIL.



Diversos institutos e organizações, como o INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e a AMPA (Associação Amigos do Peixe-boi da Amazônia) trabalham pesado acerca da conservação desses animais, utilizando como ferramenta à educação ambiental, principalmente através da conscientização das comunidades ribeirinhas para que não haja mais exploração do peixe-boi.

Fonte:

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Nova espécie de Laetacara

Uma nova espécie de Laetacara é descrita do rio Verde, bacia do rio Araguaia, São Miguel do Araguaia, Goiás, Brasil; e Laetacara dorsigera é re-descrita. A mesma foi descrita pelos ictiólogos Felipe Ottoni e Wilson Costa como Laetacara araguaiae. A nova espécie do rio Araguaia se distingue de todas as espécies do gênero devido seu baixo número de raios da nadadeira dorsal.

 Laetacara araguaiae sp. new

Também difere de L. thayeri por possuir mácula no pedúnculo da nadadeira caudal e possuir escamas ciclóides no lado da cabeça. A nova espécie difere de L. fulvipinnis e L. flavilabris devido a alguns caracteres merísticos. Difere de L. dorsigera por possuir um ectopterigóide fino e por alguns caracteres merísticos, e de L. curviceps e L. dorsigera por não possuir uma mácula na nadadeira dorsal. Laetacara dorsigera difere de L. curviceps e da nova espécie do Araguaia por possuir um ectopterigóide mais largo e por alguns caracteres merísticos e morfométricos.
Laetacara dorsigera difere das demais espécies do gênero devido alguns caracteres morfométricos e merísticos.

Laetacara araguaiae OTTONI & COSTA, 2009

Coloração em vida: Marrom com azul iridescente na parcela inferior do tronco. Duas listras horizontais amarelas do opérculo ate a base da nadadeira caudal. Sete barras transversais interruptas de coloração marrom escura, iniciando-se do opérculo até a base da nadadeira caudal. A maioria das barras posteriores com amarelo iridescente. Pedunculo caudal com pontos azuis e amarelos iridescente. Duas máculas marrom escuras, a primeira de forma elíptica na base da nadadeira caudal e a segunda no meio do corpo, na quinta barra. Cabeça de coloração marrom, com azul irisdescente na porção inferior, abaixo dos olhos; e opérculo com coloração amarela com ponto azuis irisdescentes. Duas listras abaixo dos olhos, com ponto azuis no focinho e acima da órbita dos olhos. Nadadeira dorsal e anal amarelas com pontos azuis irisdescentes em suas margens. Nadadeira caudal amarela com pontos azuis nela toda, sendo azul iridescente em sua margem. Nadadeiras peitorais hialinas e pelvica amarela com barras azuis.


Distribuição: Rio Verde, Bacia do rio Araguaia basin, Brasil central.

Etimologia: Do Araguaia, referindo-se a bacia do rio onde a espécie é encontrada.




Laetacara dorsigera (HECKEL, 1840)

Laetacara fulvipinnis STAECK & SCHINDLER, 2007


Laetacara curviceps (AHL,1924)

Laetacara thayeri (STEINDACHNER, 1875)


Laetacara flavilabris (COPE,1870)


Para saber mais:
Ottoni, F.P. & Costa, W.J.E.M. Description of a new species of Laetacara Kullander, 1986 from central Brazil and re-description of Laetacara dorsigera (Heckel, 1840) (Labroidei: Cichlidae: Cichlasomatinae). Vertebrate Zoology 59, pp. 41–48, 2009.


Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke © Copyright 2009 ©

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O gênero Inpaichthys

Inpaichthys kerri, Gery & Junk, 1977

Origem: Brazil, Amazonas, Rio Aripuanã.
Primeira importação: Alemanha, 1977, por Heiko Bleher.


Descrição

Um pequeno e brilhantemente colorido tetra é aqui descrito, descoberto perto da estação do Núcleo Aripuanã, no norte do Mato Grosso, pela equipe de ictiologia durante recente expedição de coleta. É uma importante adição para a fauna amazônica, não somente por apresentar um novo e raro peixe, mas também por apresentar um colorido azulado tipo neon, que poderá torna-lo importante peixe de aquário, assim como os ''neons-tetras'' (Paracheirodon innesi e P. axerold)

Inpaichthys n. gen. (novo gênero)

Assim designado em homenagem ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Manaus, Brasil

Espécie tipo: Inpaichthys kerri n. sp. (nova espécie)

Peixe tetragonopteríneo de pequeno tamanho, caracterizado como Hyphessobrycon (''sensu lato''), pela linha lateral incompleta e nadadeira caudal nua, mas único entre os Tetragonopterinae por possuir as seguintes características:
Boca subsuperior, dentes tricuspidados em duas séries muito irregulares no pré-maxilar; a série interna geralmente composta de somente dois dentes medianos em cada lado; maxilar dentado em metade de sua borda, geralemnte com 7 a 8 dentes tricuspidados a cônicos; suborbital grande, inteiro em contato com o canal preopercular; madadeira dorsal claramente atrás do meio do corpo e pedúnculo relativamente profundo.
Colorido peculiar, podendo parecer um carácter genérico, consistindo em uma larga e conspícua faixa longitudinal da mandíbula a nadadeira caudal, bastante decurvada em direção ao ventre do peixes. Em vida, a metade dorsal do corpo é azulada irrisdecente, brilhando como lâmpadas neon.



Discussão

Este novo gênero é difícil de situar.De acordo com sua organização geral e a despeito a ausência de glândula caudal, mostra estar próximo a certos gêneros de Glandulocaudinae, como dito acima podendo assemelhar-se a Coelurichthys tenius (hoje Mimagoniates lateralis), também um tetra azul o qual tem muito mais escamas e diferente dentição.
Inpaichthys também recorda Nematobrycon, pequeno tetra do nordeste neotropical (drenagem do Pacífico), pertencente ao grupo Hemibrycon dos Tetragonopterinae, caracterizado pela presença de um lóbulo mediano apontado e ausência de nadadeira adiposa. Os dois gêneros diferem algo consideravelmente em suas dentições.
Outras afinidades poderiam ser vistas com Hyphessobrycon melanopleurus Ellis, 1911, endêmico do rio Tiête, que também poderia ser um novo gênero e com Rachoviscus crassiceps Myers, 1926; também raro entre os Tetragonopterinae, situado próximo a Paragoniates. Ambas espécies tem uma dentição diferente de Inpaichthys n. gen.
Finalmente, há um outro raro e pequeno Tetra que aparenta ter dentição pré-maxilar semelhante ao do novo gênero: Bryconella pallidifrons Fowler, 1946; do alto Amazonas. Inpaichthys difere de Bryconella principalmente no hábito, coloração, maxilar denteado e estrutura dos postorbitais, e não parece pertencer a mesma linha filogenética.

Inpaichthys kerri n. sp.

Assim designado em homenagem ao Dr. Warwick Estevan Kerr, diretor do INPA

Notas sobre a localidade tipo

A estação do INPA foi implantada na cidade de Humboldt, Aripuanã, MT; acima das grandes cachoeiras de Dardanelas e Andorinhas, no alto rio Aripuanã, tributário do rio Madeira.

Dados ecológicos

Inpaichthys kerri vive nas áreas ensolaradas e de correnteza dos igarapés pertencentes ao sistema fluvial do Queimada, tributário do alto rio Aripuanã, que apresenta águas moles e ácidas.
Estes igarapés de floresta são habitados por uma rica e abundante fauna aquática. Parecem viver em associação com outro pequeno Tetra que apresenta uma faixa lateral reta, Hyphessobrycon cf. cachimbensis, Travassos, 1964; sendo bem menos abundante que o último, na proporção de 1/200. Conforme seu comportamento em aquário, Inpaichthys kerri é peixe de cardume, se alimentando principalmente na superfície, sendo sua principal dieta insetos caídos. Extremamente ativo, não é tímido e nem sensível ao transporte ou a mudanças de água. A exibição dos machos pode ocorrer junto ao fundo.



Para saber mais:


Inpaichthys kerri n. g. n. sp., um novo peixe caracídeo do alto rio Aripuanã, Mato Grosso, Brasil. Acta Amazonica v. 7 (no. 3): 417-422.


Curiosidades
Hoje a espécie não pertence mais a subfamília Tetragonopterinae, ele permanece em Incertae sedis na família Characidae.


Fotos
Minoru Nagayama

Agradecimentos
A Thiago Nilton Pereira por ceder o artigo original


Adaptado por Ricardo Britzke © Copyright 2009 ©

sábado, 24 de outubro de 2009

Nova espécie de Astyanax

Uma nova espécie do gênero Astyanax é descrita de um córrego da drenagem do médio rio Araguaia, localizado em área de Cerrado do planalto do Brasil Central. Descrita pelos ictiólogos Valdener Garutti e Paulo César Venere como Astyanax xavante, a nova espécie se distingue das demais do gênero pela combinação de caracteres pigmentares, morfométricos,merísticos, morfológicos e dentários.
A espécie descrita pertence ao complexo A. scabripinnis, caracterizado por compartilhar número reduzido de raios ramificados da nadadeira anal, altura do corpo reduzida, cabeça e corpo robustos.


Coloração em vida: Corpo com coloração acastanhado. região dorsal da cabeça e tronco com coloração marrom. Flanco acastanhado acima da linha lateral e abaixo prata a esverdeado. Dois pontos humerais verticais e difusos com coloração castanha escura.  Nadadeiras adiposa e peitorais amareladas. Metade da nadadeira pélvica amarelada e alaranjada na metade do ponto de origem dos raios. Lóbulos superior e inferior da nadadeira caudal avermelhados.


Notas ecológicas:  Astyanax xavante habita águas cristalinas e rápidas, geralmente composto por fundo de pedra e cascalho-pedra. Os peixes ocupam preferencial a superfície da água e espaços entre raizes. São mais abundantes nos cursos superiores e médios do córrego Avoadeira, e sua freqüência diminui rio abaixo. Astyanax xavante foi coletado também com A. argyrimarginatus, A. asuncionensis, A. elachylepis, Knodus sp.(Characidae) e Aequidens tetramerus (Cichlidae), apesar da freqüência reduzida dos últimos.
Astyanax xavante é um peixe onívoro e oportunista, pois estudos na sua ecologia alimentar mostraram que de um total de 357 indivíduos com  estômagos analisados, 90.4% continham algum tipo do alimento e 9.6% estavam vazios; sendo que a maioria estava composto por insetos terrestres (Himenópteros em 29% dos estômagos; Díptera em 14.1%; Homoptera em 4.2%; e o Hemípteros em 3.7%) e o restante com materias de origem vegetal; como folhas, partes pequenas de madeira, pontas de raizes, flores, frutas, algas e semente.



Etymologia: O epíteto Xavante é em referência a etnia de índios Xavante, o nativos habitantes da Serra do Roncador e médio Araguaia, Mato Grosso, Brazil.

Nome popular: “Pe’auptabi” na língua Xavante.


Para saber mais:
GARUTTI, V.; VENERE, P.C. Astyanax xavante, a new species of characid from middle rio Araguaia in the Cerrado region, Central Brazil (Characiformes: Characidae). Neotropical Ichthyology, v.7, n. 3, 2009



quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Aniversário 3 anos + A subfamília Corydoradinae

Mais uma ano se passou, e o NATURE PLANET completa 3 anos no ar.
Seguindo seu propósito, vem conquistando cada vez mais leitores, contando com um público de mais de 47.000 leitores, envolvendo até o momento 111 países.
Deixo aqui o meu muito obrigado a todos leitores e amigos, por fazerem parte disso tudo, pois hoje o NATURE PLANET é o que é graças a todos vocês!!!



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 Para festejar esse terceiro ano, apresentamos a história da subfamília Corydoradinae  Hoedeman, 1952 (Teleostei, Ostariophysi, Callichthyidae)
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A subfamília Corydoradinae inclui aproximadamente 90% das espécies da família Callichthyidae, sendo uma das mais diversas da ordem Siluriformes, com mais de 170 espécies válidas. As espécies da subfamília Corydoradinae são de pequeno tamanho (no máximo cerca de 90 milímetros de comprimento padrão), sendo distinguidos facilmente de outros callichthideos pela forma de seus corpos e os barbilhões curtos no maxilar. Corydoradinae é atualmente composta pelos gêneros Corydoras La cépède, Scleromystax Günther, e Aspidoras Ihering. 

Corydoras arcuatus

A subfamília apresenta distribuição predominante em toda região cis-Andina, com somente uma espécie trans-Andina, Corydoras melanotaenia Regan, da bacia de Rio Magdalena. Os representantes de Corydoradinae são encontrados em diversos ambientes de água doce, desde córregos rápidos com parte inferior arenosa ou rochosa às associações de planícies com lama.

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Aspidoras Ihering, 1907

Este é um gênero de pequenos peixes gatos, com cerca de 20 espécies descritas e algumas ainda não descritas alocacadas dentro do C-numbers.
O gênero foi estabelecido por R. Von Ihering em 1907 com a espécie Aspidoras rochai. A segunda espécie, Aspidoras lakoi foi descrita por P. Miranda de Ribeiro em 1949. Na revisão de 1976, Nijessen & Isbrücker descreveram nove novas espécies e transferiram duas espécies de Corydoras para o gênero Aspidoras.


Aspidoras pauciradiatus
 
Aspidoras virgulatus é descrita em 1980 por Nijessen & Isbrücker e recentemente Britto (1998, 2000), Lima & Britto (2001) e Britto (2002) descrevem novas espécies para o gênero. Britto (2003) demonstra que o gênero Aspidoras é estreitamente relacionado com o gênero Scleromystax e ambos gêneros formam a tribo Aspidoradini dentro da subfamília Corydoradinae, família Callichthydae.
A principal diferença do gênero quando comparada com os outros gêneros da subfamília Corydoradinae é a presença da fontanela supraocipital, uma autapomorfia do gênero (Nijessen & Isbrücker, 1976; Reis, 1998; Britto, 2003). Todas as espécies são pequenas, raramente ultrapassando os 50 mm de comprimento padrão.
A maioria das espécies são diurnas e sempre ativas procurando alimentos a todo momento. Particularmente, as espécies dos rios do Brasil central e da bacia costeira da região nordeste brasileira apresentam coloração similar, o que torna difícil determinar o peixe em particular sem conhecer a origem dele. As espécies de Aspidoras são endêmicas de áreas não habitadas e restritas na maioria dos rios (Britto, 2000).



Aspidoras albator



Etimologia do gênero: Aspido = protetor; doras = corpo

Espécies:
Aspidoras albater     Nijssen & Isbrücker, 1976     
Aspidoras belenos     Britto, 1998        
Aspidoras brunneus     Nijssen & Isbrücker, 1976        
Aspidoras carvalhoi     Nijssen & Isbrücker, 1976        
Aspidoras depinnai     Britto, 2000        
Aspidoras eurycephalus     Nijssen & Isbrücker, 1976    
Aspidoras fuscoguttatus     Nijssen & Isbrücker, 1976    
Aspidoras lakoi     Miranda Ribeiro, 1949        
Aspidoras maculosus     Nijssen & Isbrücker, 1976
Aspidoras menezesi     Nijssen & Isbrücker, 1976    
Aspidoras microgalaeus     Britto, 1998    
Aspidoras pauciradiatus     (Weitzman & Nijssen, 1970)        
Aspidoras poecilus     Nijssen & Isbrücker, 1976        
Aspidoras psammatides     Britto, Lima & Santos, 2005    
Aspidoras raimundi     (Steindachner, 1907)        
Aspidoras rochai     Ihering, 1907    
Aspidoras spilotus     Nijssen & Isbrücker, 1976    
Aspidoras taurus     Lima & Britto, 2001    
Aspidoras velites     Britto, Lima & Moreira, 2002        
Aspidoras virgulatus     Nijssen & Isbrücker, 1980

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Corydoras La Cépède, 1803

Um dos maiores gêneros da subfamília Corydoradinae. Foi estabelecido por La Cépède em 1803, baseado na descrição da espécie tipo Corydoras geoffroy, descrita de uma maneira muito confusa e inexata. O holótipo de C. geoffroy foi considerado perdido por Nijessen & Isbrücker (1980). Valenciennes (1840) foi o último autor que viu o holótipo e descreveu conspecificamente com Corydoras puctatus (Bloch, 1794). Somente recentemente Isbrücker consertou o problema declarando que Corydoras octocirrus (Ninjssen, 1970) poderia ser identificada como Corydoras geoffroy, designando um neótipo de C. geoffroy. Isto é importante, porque C. geffroy é a espécie tipo do gênero Corydoras.


Corydoras cf. elegans


Muitos estudos no gênero Corydoras tentaram organizar o polimorfismo encontrado nos membros do gênero. Existiram diversas descrições de novos gêneros, que foram mais tarde declarados sinônimos de Corydoras.
Gosline (1940) foi o primeiro aquarista a sugerir que diferentes espécies formavam grupos, que foi finalmente aceito por Ninjssen e Isbrücker (1980). Os grupos são: punctatus, barbatus, aeneus, elegans e acutus.


 
Corydoras aeneus


Com exceção do homogênio grupo acutus, todos os outros grupos provavelmente não são monofiléticos e compartilham poucas sinapomorfias. Os últimos trabalhos científicos (Reis, 1998; Britto, 2003) também comprovam que o gênero Corydoras é um agrupamento parafilético.

Corydoras geoffroy


Corydoras geoffroy, a espécie tipo do gênero, é um peixe que possui a forma da cabeça pontiaguda, um relativo espaço interorbital e uma placa óssea triangular na região frontal da cabeça. Essa forma é chamada de grupo acutus, encontrado nas diversas espécies de Corydoras stricto-sensu, podendo ser organizadas e distinguidas de todas as outras Corydoras.

Corydoras sterbay



Etimologia do gênero: Cory = capacete, doras = corpo

Especies:
Corydoras acrensis      Nijssen, 1972     
Corydoras acutus     Cope, 1872    
Corydoras adolfoi     Burgess, 1982    
Corydoras aeheus     (Gill, 1858)    
Corydoras agassizi     Steindachner, 1876        
Corydoras albolineatus     Knaack, 2004    
Corydoras amandajanea     Sands, 1995        
Corydoras amapaensis     Nijssen, 1972    
Corydoras ambiacus     Cope, 1872    
Corydoras amphibelus     Cope, 1872        
Corydoras approuaguensis     Nijssen & Isbrücker, 1983    
Corydoras araguaiaensis     Sands, 1990        
Corydoras arcuatus     Elwin, 1938    
Corydoras areio     Knaack, 2000        
Corydoras armatus     (Günther, 1868)        
Corydoras atropersonatus     Weitzman & Nijssen, 1970    
Corydoras aurofrenatus     Eigenmann & Kennedy, 1903    
Corydoras axelrodi     Rössel, 1962    
Corydoras baderi     Geisler, 1969        
Corydoras bicolor     Nijssen & Isbrücker, 1967        
Corydoras bifasciatus     Nijssen, 1972    
Corydoras bilineatus     Knaack, 2002        
Corydoras blochi     Nijssen, 1971    
Corydoras boehlkei     Nijssen & Isbrücker, 1982    
Corydoras boesemani     Nijssen & Isbrücker, 1967        
Corydoras bondi     Gosline, 1940
Corydoras breei     Isbrücker & Nijssen, 1992        
Corydoras brevirostris     Fraser-Brunner, 1947   
Corydoras burgessi     Axelrod, 1987    
Corydoras carlae     Nijssen & Isbrücker, 1983    
Corydoras caudimaculatus     Rössel, 1961    
Corydoras cervinus     Rössel, 1962        
Corydoras cochui     Myers & Weitzman, 1954    
Corydoras concolor     Weitzman, 1961        
Corydoras condiscipulus     Nijssen & Isbrücker, 1980    
Corydoras copei     Nijssen & Isbrücker, 1986        
Corydoras coppenamensis     Nijssen, 1970        
Corydoras coriatae     Burgess, 1997        
Corydoras crimmeni     Grant, 1997        
Corydoras cruziensis     Knaack, 2002        
Corydoras crypticus     Sands, 1995        
Corydoras davidsandsi     Black, 1987        
Corydoras delphax     Nijssen & Isbrücker, 1983    
Corydoras difluviatilis     Britto & Castro, 2002        
Corydoras diphyes     Axenrot & Kullander, 2003        
Corydoras duplicareus     Sands, 1995        
Corydoras ehrhardti     Steindachner, 1910        
Corydoras elegans     Steindachner, 1876    
Corydoras ellisae     Gosline, 1940        
Corydoras ephippifer     Nijssen, 1972    
Corydoras eques     Steindachner, 1876        
Corydoras esperanzae     Castro, 1987        
Corydoras evelynae     Rössel, 1963        
Corydoras filamentosus     Nijssen & Isbrücker, 1983    
Corydoras flaveolus     Ihering, 1911        
Corydoras fowleri     Böhlke, 1950        
Corydoras garbei     Ihering, 1911        
Corydoras geoffroy     Lacepède, 1803        
Corydoras geryi     Nijssen  Isbrücker, 1983        
Corydoras gomezi     Castro, 1986        
Corydoras gossei     Nijssen, 1972    
Corydoras gracilis     Nijssen & Isbrücker, 1976        
Corydoras griseus     Holly, 1940    
Corydoras guapore     Knaack, 1961    
Corydoras guianensis     Nijssen, 1970        
Corydoras habrosus     Weitzman, 1960    
Corydoras haraldschultzi     Knaack, 1962    
Corydoras hastatus     Eigenmann & Eigenmann, 1888    
Corydoras heteromorphus     Nijssen, 1970        
Corydoras imitator     Nijssen & Isbrücker, 1983        
Corydoras incolicana     Burgess, 1993    
Corydoras isbrueckeri     Knaack, 2004        
Corydoras julii     Steindachner, 1906    
Corydoras kanei     Grant, 1998        
Corydoras lacerdai     Hieronimus, 1995        
Corydoras lamberti     Nijssen & Isbrücker, 1986        
Corydoras latus     Pearson, 1924        
Corydoras leopardus     Myers, 1933    
Corydoras leucomelas     Eigenmann & Allen, 1942    
Corydoras longipinnis     Knaack, 2007        
Corydoras loretoensis     Nijssen & Isbrücker, 1986        
Corydoras loxozonus     Nijssen & Isbrücker, 1983        
Corydoras maculifer     Nijssen & Isbrücker, 1971
Corydoras mamore     Knaak, 2002   
Corydoras melanistius     Regan, 1912    
Corydoras melanotaenia     Regan, 1912    
Corydoras melini     Lönnberg & Rendahl, 1930    
Corydoras metae     Eigenmann, 1914    
Corydoras micracanthus     Regan, 1912    
Corydoras multimaculatus     Steindachner, 1907    
Corydoras nanus     Nijssen & Isbrücker, 1967        
Corydoras napoensis     Nijssen & Isbrücker, 1986        
Corydoras narcissus     Nijssen & Isbrücker, 1980        
Corydoras nattereri     Steindachner, 1876    
Corydoras negro     Knaack, 2004        
Corydoras nijsseni     Sands, 1989        
Corydoras noelkempffi     Knaack, 2004        
Corydoras oiapoquensis     Nijssen, 1972        
Corydoras ornatus     Nijssen & Isbrücker, 1976        
Corydoras orphnopterus     Weitzman & Nijssen, 1970    
Corydoras ortegai     Britto, Lima & Hidalgo, 2007        
Corydoras osteocarus     Böhlke, 1951        
Corydoras ourastigma     Nijssen, 1972        
Corydoras oxyrhynchus     Nijssen & Isbrücker, 1967    
Corydoras paleatus     (Jenyns, 1842)    
Corydoras panda     Nijssen & Isbrücker, 1971    
Corydoras pantanalensis     Knaack, 2001        
Corydoras paragua     Knaack, 2004        
Corydoras parallelus     Burgess, 1993        
Corydoras pastazensis     Weitzman, 1963    
Corydoras paucerna     Knaack, 2004        
Corydoras pinheiroi     Dinkelmeyer, 1995        
Corydoras polystictus     Regan, 1912        
Corydoras potaroensis     Myers, 1927        
Corydoras pulcher     Isbrücker & Nijssen, 1973    
Corydoras punctatus     (Bloch, 1794)   
Corydoras pygmaeus     Knaack, 1966    
Corydoras rabauti     La Monte, 1941    
Corydoras reticulatus     Fraser-Brunner, 1938    
Corydoras reynoldsi     Myers & Weitzman, 1960        
Corydoras robinae     Burgess, 1983    
Corydoras robustus     Nijssen Isbrücker, 1980        
Corydoras sanchesi     Nijssen & Isbrücker, 1967        
Corydoras saraareensis     Dinkelmeyer, 1995        
Corydoras saramaccensis     Nijssen, 1970        
Corydoras schwartzi     Rössel, 1963    
Corydoras semiaquilus     Weitzman, 1964        
Corydoras septentrionalis     Gosline, 1940        
Corydoras serratus     Sands, 1995        
Corydoras seussi     Dinkelmeyer, 1996        
Corydoras similis     Hieronimus, 1991        
Corydoras simulatus     Weitzman  Nijssen, 1970        
Corydoras sipaliwini     Hoedeman, 1965        
Corydoras sodalis     Nijssen & Isbrücker, 1986    
Corydoras solox     Nijssen & Isbrücker, 1983        
Corydoras spectabilis     Knaack, 1999   
Corydoras spilurus     Norman, 1926    
Corydoras steindachneri     Isbrücker
& Nijssen, 1973    
Corydoras stenocephalus     Eigenmann & Allen, 1942    
Corydoras sterbai     Knaack, 1962   
Corydoras surinamensis     Nijssen, 1970        
Corydoras sychri     Weitzman, 1960    
Corydoras treitlii     Steindachner, 1906    
Corydoras trilineatus     Cope, 1872    
Corydoras tukano     Britto & Lima, 2003        
Corydoras undulatus     Regan, 1912        
Corydoras virginiae     Burgess, 1993        
Corydoras vittatus     Nijssen, 1971        
Corydoras weitzmani     Nijssen, 1971    
Corydoras xinguensis     Nijssen, 1972    
Corydoras zygatus     Eigenmann & Allen, 1942




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Scleromystax  Günther, 1864

Originalmente foi estabelecido um subgênero de Callichthys por Günther (1864), e Eigenmann & Eigenmann (1888) transformaram Scleromystax em gênero. Na revisão de Callichthydae, Gosline (1940) sinonimizou Scleromystax em Corydoras. Recentemente Britto (2003) revalidou o gênero Scleromystax e o relacionou com o gênero Aspidoras dentro da tribo Aspidoradini na subfamília Corydoradinae.


Scleromystax barbatus


O gênero Scleromystax é reorganizado por Britto através de cinco sinapomorfias. Facilmentes reconhecidos pelo dimorfismo sexual, os machos adultos apresentam as nadadeiras peitorais alongadas quando comparado com as fêmeas. Os machos sexualmente ativos de algumas espécies (S. barbatus,S. macropterus, C112, C113), apresentam o rosto acima dos barbilhões cobertos com uma estrutura com inúmeros odontodes. Esses odontodes podem desaparecer fora da estação de acasalamento.
A espécie tipo do gênero é Scleromystax barbatus (Quoy & Gaimard, 1824). Britto (2003) lista 4 espécies membros do gênero (S. barbatus, S. macropterus, S. prionotos e uma espécie não descrita no estado de São Paulo identificada como C-number C112). Em 2005, é descrita uma espécie do estado da Bahia, Scleromystax salmacis (Britto & Reis, 2005), anteriormente conhecida como C-numbers C113.


Scleromystax macropterus

As espécies desse gênero são restritas a região de Mata Atlântica, do leste ao sudeste da costa brasileira (estados da Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina), sendo consideradas endêmicas desse local.
Na atualidade, o desmatamento e a poluição desse biótopos, causam grande problemas a fauna endêmica dessas regiões. Um exemplo é Scleromystax macropterus que se encontra vulnerável a extinção.

Etimologia do gênero: Do grego Sclero que significa duro e do latin mystax que significa bigode.

Espécies:
Scleromystax barbatus      (Quoy & Gaimard, 1824)     
Scleromystax macropterus     (Regan, 1913)
Scleromystax prionotos     (Nijssen & Isbrücker, 1980)    
Scleromystax salmacis     Britto & Reis, 2005        


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C-Numbers

Criado pela revista Die Aquarien- und Terrarienzeitschrift – Datz, o C-numbers é um sistema de classificação usado por aquaristas e biólogos, para referir-se a espécies de Corydoradinae que não estão descritas taxonômicamente. Após serem classificados cientificamente, perdem o C-numbers e ganham o nome binomial.


 Corydoras hastatus

Embora útil para as espécies não classificadas, sua base é feita através de fotografias, gerando confusão na identificação de espécies muito parecidas, podendo acontecer de duas ou mais espécies serem classificadas no mesmo C-numbers, devido similaridade na morfologia externa e coloração, tratando-se portanto de uma referência passível de erros.





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Referências:
  • Britto, M. R. 1998. Two new species of the genus Aspi- doras from Central Brazil. Ichthyological Exploration of Freshwaters, 8:359-368. 
  • Britto, M. R. . Aspidoras depinnai (Siluriformes: Callichthyidae): a new species from Northeastern Brazil. Copeia, v. 2000, n. 4, p. 1048-1055, 2000.
  • Britto, M. R. and R.M.C. Castro. 2002. A new cory- doradine catfish (Siluriformes: Callichthyidae) from the upper Parana and Sao Francisco: the sister-group of Bro- chis and most of Corydoras species. Copeia. 1006- 1015
  • Britto, M. R. . Phylogeny of the subfamily Corydoradinae Hoedeman, 1952 (Siluriformes: Callichthyidae), with a definition of its genera.. Proceedings of the Academy of Natural Sciences of Philadelphia, Philadelphia, v. 153, n. 1, p. 119-154, 2003.
  • Britto, M. R.  and F. C. T. Lima  2003 Corydoras tukano, a new species of corydoradine catfish from the rio Tiquié, upper rio Negro basin, Brazil (Ostariophysi: Siluriformes: Callichthyidae). Neotropical Ichthyology v. 1 (no. 2): 83-91.
  • Fuller, I.A.M. and Evers H.G., 2005. Identifying Corydoradinae Catfish. Verlag A.C.S. GmbH. Hardcover, 384 pages.
  • Nijssen, H. and I. J. H. Isbrucker. 1976. The South Amer- ican plated catfish genus Aspidoras R. von Ihering, 1907, with descriptions of nine new species from Brazil (Pisces, Siluriformes, Callichthyidae). Bijdragen tot de Dierkunde. 46:107-131.
  • Nijssen, H. and I. J. H. Isbriicker. 1980. A review of the genus Corydoras Lacepede, 1803 (Pisces, Siluriformes, Callichthyidae). Bijdrague Dierkunde, 50:190-220.
  • Reis, R. E. 1998a. Anatomy and phylogenetic analysis of the neotropical callichthyid catfishes (Ostariophysi, Si- luriformes). Zoological Journal of the Linnaean Society, 124:105-168.
  • C-numbers 
  • Fishbase 

Fotos: 
Cschoy
Frank Faloone
Rafael Akama
Ricardo Britzke
Sal.Paradise

Adaptado por Ricardo Britzke © Copyright 2009 ©