domingo, 13 de junho de 2010

A espécie Glossolepis pseudoincisus

Glossolepis pseudoincisus

Descrita por Allen e Cruz, 1980
Localidade-Tipo: Rio Tami, Papua Nova Guiné


Sumário da espécie
De outubro 1954 até maio 1955, uma expedição foi feita na Nova Guiné holandesa (Papua ocidental) pelo "Rijksmuseum van Natuurlijke Historie" em Leiden. O ictiólogo do museu, Marinus Boeseman, era o líder da expedição. Sua tarefa era fornecer um conhecimento completo da fauna de peixes, examinando todos os rios e lagos possíveis em Papua ocidental. Esta tarefa foi executada em um curto período e muitas localidades foram visitadas, tendo por resultado uma coleção rica para o museu de Leiden. Esta coleção incluiu muitos peixes Arco-Íris (Rainbowfishes), mas um estudo completo destes materiais e descrições de todas as espécies novas nunca foi feito por Boeseman.
Como parte da revisão da família de peixes Arco-Íris (Rainbowfishes), Gerald Allen estudou a coleção holandesa de 1954 a 1955 e também no fim dos anos setenta. Ele descobriu nada menos que 4 espécies novas de peixes Arco-Íris (Rainbowfishes), que descreveu em 1980 juntamente com Norbert Cross. Estas espécies eram: Melanotaenia boesemani, Melanotaenia ajamaruensis, Melanotaenia japenensis e Glossolepis pseudoincisus . Glossolepis pseudoincisus foi nomeado de Pseudoincisus devido suas referências, aparência similar e proximidade geográfica a Glossolepis incisus.




Distribuição & habitat
Glossolepis pseudoincisus  foi encontrado pela expedição de Boeseman em novembro de 1954 em um lago do rio de Tami, aproximadamente 30 quilômetros a leste do lago Sentani. Allen e Bleher foram procurar esta espécie em 1982, mas não puderam encontrá-la. 



Observações
Em janeiro 2001, Heiko Bleher coletou uma nova espécie de Glossolepis do lago Ifaten, um lago de cratera isolado, situado nas montanhas perto do lago Sentani em Papua ocidental. O lago Ifaten possui aproximadamente 300 metros acima do nível do mar. O lago tem um diâmetro de 250 metros e temperatura de água 28°C, pH 9.0.
Os peixes coletados eram muito similares a Glossolepis incisus, com diferenças em suas escamas quando comparados (são menores e alinhadas diferentemente). A espécie nova não é tão grande como Glossolepis incisus, sua forma do corpo é mais compacta, a coloração vermelha é mais intensa e a marcação e forma da nadadeira são mais pronunciadas.


Os peixes Arco-Íris do lago Ifaten possuem uma cabeça muito típica do gênero Glossolepis. As marcas na placa brânquias são muito proeminentes quando o peixes atingem um ano de vida.
Um teste padrão original das linhas vermelhas que - assim aparecem - estão derivando do intercruzamento. As fêmeas do lago Ifaten possuem colorido diferente, sendo amarela com listras fortes em zigzag horizontal no corpo todo. Igualmente permanecem pequenas, até 6 cm de comprimento. É uma possibilidade que esta espécie possa ser Glossolepis pseudoincisus.


Referências:

Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke © Copyright 2010 ©

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O gênero Pterophyllum

O gênero Pterophyllum foi originalmente descrito por Lichtenstein em 1823 como Zeus scalaris. O exemplar do gênero foi coletado no Brasil oriental, e o local exato de coleta é desconhecido. O holótipo (espécime-tipo) foi depositado em Berlim, mas se encontra perdido. Como o nome Zeus ja era pré-ocupado por outro animal, o mesmo deveria ser trocado.
Em 1840, Heckel propõe o gênero Pterophyllum para trocar o nome do peixe de Lichtenstein, o qual é usado até os dias de hoje. 
No ano de 1967 o Dr. Leonard. P. Shulttz, por solicitação do Museu Nacional dos Estados Unidos, efetuou uma revisão do gênero, classificando-o em quatro espécies: Pterophyllum scalare, Pterophyllum altum, Pterophyllum dumerilli e Pterophyllum leopoldi.
Kullander no ano de 1986 realiza uma nova revisão do gênero, e sinonimiza a espécie Pterophyllum dumerilli como sinônimo junior de Pterophyllum scalare, e finalmente ficando apenas três espécies no gênero. 

Etimologia: Pterophyllum, do grego pteron = pena, vela; e do grego phyllon = folha; referente a nadadeira dorsal alta, larga e triangular.

Sinônimos:
Platax Cuvier, 1831. — Neutro.
Plataxoïdes Castelnau, 1855.  — Masculino.

Até o momento, três espécies são conhecidas, P. scalare, P. altum e P. leopoldi.
Pterophyllum scalare (Lichtenstein, 1823)
Zeus scalaris Lichtenstein, 1823. Verz. Doubl. Mus. Berl. p. 114 (Brasil oriental)
Platax scalaris Cuvier, 1831. In Cuvier & Valenciennes, Hist. nat. Poiss. 7, p. 237 (Sem localidade tipo)
Plataxoïdes Dumerilii Castelnau, 1855. Anim. nouv. rares. Poissons, p. 21, pl. 11, fig. 3 (Pará)
Pterophyllum eimekei Ahl, 1928. Aquarium, Berl. 1928, p. 31, fig. p. 31 (Rio Negro)
Após a descrição inicial feita por Lichtenstein, outros investigadores publicaram revisões propondo novos nomes para a espécie. Em 1831, George Cuvier e Achille Valenciennes ao encontrarem a espécie depositada sem sua identificação, a nomeiam de Platax scalaris
Em 1840 o zoólogo alemão Johann Jacob Ernest Heckel mais uma vez mudou o nome daquela espécie para Pterophyllum scalaris. François de Caumont La Force, o conde de Castelnau, em 1855 descreve Plataxoïdes Dumerilii e em 1862, Günther muda o nome da espécie para Pterophyllum scalare.  Em 1928 Christoph Ahl descreve a espécie como Pterophyllum eimekei.

Apresenta 7,5cm de comprimento padrão (CP), 30-39 escamas ao longo da linha lateral e o entalhe no contorno pré-dorsal próximo ao focinho, sendo menos aparente a mancha preta localizada na base da nadadeira dorsal citada na descrição acima. Sua distribuição geográfica abrange a região da bacia amazônica no Peru, Brasil, Colômbia ao longo dos rios Ucayali, Solimões, Amazonas (até Belém), médio rio Negro e nos rios Madeira e Branco.Também é encontrado nos rios Araguaia (estado de Tocantins) e Oiapoque entre o estado do Amapá (BR) e a Guiana Francesa, no rio Essequibo na Guiana.  
 

Etimologia: scalaris, do Latin scala, um adjetivo referente a escada terminal, final; associado aos raios da nadadeira dorsal crescentes.
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Pterophyllum altum Pellegrin, 1903
 
 
Descrita por Jacques Pellegrin na bacia do alto Orinoco, Atabapo, Venezuela.
Esta espécie possue o corpo mais triangular, barras verticais mais amplas, contorno pré-dorsal mais visível, maior número de escamas (46-48) ao longo da linha lateral e comprimento padrão de 6,5cm. Sua distribuição compreende o alto rio Negro (bacia amazônica) e alto rio Orinoco nas regiões da Colômbia e Venezuela, preferencialmente em água preta e limpa 
 
Etimologia: altum, do Latin altus, um adjetivo de alto.
 
 
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Pterophyllum leopoldi (Gosse, 1963)
Plataxoides leopoldi Gosse, 1963. Bull. Inst. r. Sci. nat. Belg. 39 (35), p. 4, pl. I, fig. 2 (Furo du village de Cuia (rive gauche du Solimôes à environ 90 km en amont de Manacapuru))

O peixe é primeiramente descrito por Jean-Pierre Gosse em 1963, sendo sua localidade tipo o rio Solimões a 90 km de Manacapuru, sendo encontrados na Guiana e Rio Negro.
Esta espécie diferencia-se das outras por possuir a região pré-dorsal menos evidente, apresentando um contorno mais contínuo. Na base da nadadeira dorsal, possui uma mancha preta bem evidente.
É a espécie que possui menor tamanho (5 cm) e 27-29 escamas ao longo da linha lateral
São encontrados nas águas dos rios Solimões e Amazonas desde Manacapuru até Santarém e na
drenagem do rio Essequibo na Guiana (Kullander, 1986; 2003).

Etimologia: leopoldi, em homenagem ao Rei Léopold III da Bélgica (1901-1990), coletor da série tipo da espécie.


Referências:
Axelrod, H R. The Most Complete Colored Lexicon Of Cichlids: Every Known Cichlid Illustrated In Color. Hardcover, 864 pag. 1996.

Fotos
Internet User's 

Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke © Copyright 2010 ©

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Nova espécie de Simpsonichthys

Uma espécie nova de Simpsonichthys é descrita de uma poça temporária localizada na bacia do rio São Francisco, Brasil. Descrita pelos ictiólogos Dalton Nielsen, Oscar Shibatta, Rogério Suzart e Amer Martín; a espécie foi nomeada de Simpsonichthys lopesi.  A espécie distingue-se das demais, exceto S. adornatus, pelo grande número de raios da nadadeira dorsal, o que confere grande comprimento da base dessa nadadeira que se inicia muito antes da metade do corpo, antes da nadadeira pélvica. Difere de S. adornatus pelo padrão de colorido da nadadeira anal, que pode apresentar listras amareladas ou manchas claras (vs. pequenas pintas claras), e também pelo menor número de raios da nadadeira dorsal.

Coloração em vida: Machos - O padrão de coloridos dos espécimes recentemente coletados é branco amarelado, ligeiramente avermelhado. Cabeça vermelho-amareladas nas áreas dorsais e pré-dorsais. Coloração amarela com reflexos azul irisdescente na região opercular. Barramento negro vertical nos olhos. Aproximadamente três séries de pontos azuis iridescentes alinhados no flanco. Nadadeira dorsal marrom escura, com base posterior amarela. Listras amarelas oblíquas na área anterior da nadadeira dorsal, continuando com pontos amarelos posteriormente. Aproximadamente 8 a 10 séries de listras e pontos alinhados em forma oblíqua. Nadadeira anal dourado-amarelada com a base mais clara, seguidos por duas listras amarelas ou alinhadas com pontos claros e listras escuras entre essas. Nadadeira caudal amarelo-dourada da base ao centro, tornando-se transparentes em sua extremidade. Nadadeiras dorsais e pélvicas hialinas e ligeiramente escuras posteriormente. Dois padrões de coloração na nadadeira caudal do macho são evidentes em espécimes recentemente coletados, tornando-se mais evidente nos espécimes mantidos em aquário. Um padrão com listras e outra com pontos. 
Fêmeas - Coloração cinza nas laterais do corpo, dourado na área ventral, pequenos pontos cinzentos acastanhados no corpo formando listras horizontais; pontos negros no flanco. Dois pontos elípticos negros na base da nadadeira caudal. Íris amarelada com uma listra cinzenta vertical no centro do olho. Nadadeira dorsal e anal hialinas, com pequenos pontos cinzentos-acastanhados na membrana entre os raios, dando continuidade no corpo. Nadadeiras peitorais e pélvicas hialinas. Nadadeira caudal hialina com ou sem os pontos escuros pequenos na base. Algumas fêmeas apresentam um ponto circular negro definido perfeitamente no meio do tronco.

Distribuição: Conhecido somente na localidade-tipo, na bacia do rio São Francisco, Bahia, Brasil.

Etimologia: O nome Lopesi é em honra a Edson Lopes, devido suas contribuições e conhecimento ligada a reprodução de peixes anuais.

Habitat: A poça temporária onde os espécimes foram coletados fica situada em um córrego na bacia do rio Santana, próximo a cidade de Muquém, em uma depressão da margem esquerda do rio de São Francisco, perto da Serra do Espinhaço, em área de pântanos e terraços aluviais. Apoça apresentava formato oval, com cerca de 20m de comprimento e 10m de largura, a qual foi usada como uma fonte de água para gado. Possui fundo argiloso a água turva. A temperatura de água na superfície era aproximadamente 29ºC e na parte profunda aproximadamente 22ºC. A temperatura média anual da região é 24ºC, com máximo de 30.8ºC e mínimo de 20.1ºC. O pH da água era ligeiramente alcalino (7.2), como o resultado de depósitos aluviais de calcário. A profundidade média da coluna de água era 40cm, com parcelas mais profundas com aproximadamente 60cm. A região tem a média anual precipitação de 800 a 900mm, sendo a estação das chuvas de novembro a março. A vegetação é tipicamente do bioma de Caatinga, com aproximadamente 2m de altura, que fornece uma área de sombra onde os peixes são facilmente encontrados. A vegetação aquática é composta principalmente por Echinodorus sp. e Nymphea sp.. Em simpatria com S. lopesi são encontradas a espécies S. flagellatus e Cynolebias gibbus. Isto foi igualmente observado por Nielsen (2008) que observou a simpatria entre as espécies de Hypsolebias e Cynolebias, onde os exemplares jovens da primeira espécie são presas da segunda espécie que são maiores.
 Comportamento no cativeiro: Machos ativos durante o dia, especialmente para alimentação, reprodução e defesa territorial. Machos com movimentos muito rápidos de natação apresentavam maior agressividade, especialmente com fêmeas. Quando dois machos foram mantidos juntos, um poderia vir a morrer sendo vítima do outro. Durante a corte nas fêmeas, a área abdominal torna-se branca nos machos e no momento de descanso ficam com o corpo escuro - azul com pontos iridescentes claros.

Para saber mais:
NIELSEN, D.T.B.; SHIBATTA, O. A.; SUZART, R. R.; MARTÍN A. F. (2010) A new species of Simpsonichthys (Cyprinodontiformes: Rivulidae) from the rio São Francisco basin, northeastern Brazil. Zootaxa 2452: 51–58

Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke © Copyright 2010 ©

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A espécie Hyphessobrycon amandae

O gênero Hyphessobrycon foi descrito por Durbin em 1908, que o considerou um sub-gênero de Hemigrammus (devido a nadadeira caudal ser nua de escamas). Há espécie-tipo do gênero se tornou Hyphessobrycon compressus (Meek, 1904), de El Hule, Oxaca, bacia do Rio Papaloapan, no México.
 

As espécies do gênero apresentam uma ampla distribuição na região neotropical, ocorrendo do sul do México à bacia do Rio da Prata na Argentina, com sua maior diversidade na América do Sul.
Ocupam diversos hábitats, incluindo rios, riachos, lagoas, represas e áreas pantanosas. Possuem imensa variedade em suas formas corporais e na coloração, apresentando tamanho bem variado ( de 2 a 7 cm), sendo a maioria com cerca de 4 a 5 cm.

Etimologia do gênero: Do Latim, onde Hyphe = pequeno e Brycon = mordedor.

Hyphessobrycon amandae Géry e Uj 1987


A espécie foi descrita por Géry e Uj no ano de 1987 e foi introduzida no aquarismo quinze anos antes de sua descrição. Hyphessobrycon amandae é nativa do Rio das Mortes, bacia do Rio Araguaia, no estado do Mato Grosso.
Atinge cerca de 2 cm quando adulta, onde fêmeas são maiores, apresentam cores pálidas e com o corpo arredondado; e os machos possuem coloração mais forte e corpo esguio.
 
 Etimologia: Nomeado em homenagem a Amanda Bleher.

Dados ecológicos: Na natureza, vivem em grandes cardumes e apreciam pequenos invertebrados e algas.


Dimorfismo Sexual: Fêmeas são maiores, tem a barriga arrendodada e cor pálida. Machos são mais esguios e a cor é mais escura e mais viva.

Referências:

Géry, J. & Uj, A. 1987. The ember tetra: a new pygmy characid tetra from the Rio das Mortes, Brazil, Hyphessobrycon amandae sp. n. (Pisces, Characoidei). Tropical Fish Hobbyist v. 35 (no. 5)(Jan.): 58-61, 65.


 Fotos
Chantal Wagner

Adaptado por Ricardo Britzke © Copyright 2010 ©

sexta-feira, 23 de abril de 2010

ENCAP 2010

A primeira edição do ENCAP (Encontro Nacional de Criadores e Aquapaisagista), que ocorreu na loja Aquarius em Rio Claro-SP, foi um dos mais novos grandes eventos nacionais, sendo equivalente aos tradicionais encontros que acontecem em Bauru-SP e Londrina-PR. O evento contou com a participação de hobistas e profissionais de todo o Brasil, com palestrantes de alto nível e sorteio de vários brindes aos participantes.
Para quem perdeu ou não compareceu, segue a matéria publicada na íntegra pelo pessoal do Sekai Scaping


domingo, 28 de março de 2010

Nova espécie de Moenkhausia

Uma espécie nova de Moenkhausia é descrita das bacias de Rio Xingu e de Rio Tapajós, Brasil. Descrita pelos ictiólogos Angela Zanata, José Luis Birindelli e Cristiano Moreira; a espécie foi nomeada de Moenkhausia piraubaA espécie nova é distinta de seus congeners, exceto de Moenkhausia moisae, tendo mais escamas na série lateral, 43-47 (vs. 23-41 nos congeners restantes). A espécie nova é distinta de M. moisae por seu padrão de colorido, que consiste em uma listra média lateral escura, e por uma mancha caudal assimétrica (inconspicuous nos espécimes do Rio Arinos) contínua com a listra média lateral . A nova espécie é mimética a espécie Jupiaba apenima, no Rio Xingu e em drenagens do rio Teles Pires de Rio, e a Jupiaba yarina no Rio Arinos. As duas espécies de Jupiaba são simpátricas e muitos similares no tamanho, na morfologia externa e na coloração em relação à nova espécie. Uma pequena diferença de coloração ocorre entre as duas espécies de Jupiaba e é observada igualmente nos dois respectivamente morfótipos simpátricos da nova espécie de Moenkhausia. A ocorrência polimórfica do mimetismo Batesiano é discutida para peixes neotropicais de água doce.



O padrão de colorido de M. pirauba e J. apenima são quase idênticos entre eles.  J. apenima possui um forte espinho como osso pélvico, que podem servir como um mecanismo antipredador (tornando os peixes mais difíceis de engolir). Os autores supoem que a nova Moenkhausia imita o padrão de colorido da Jupiaba para enganar predadores. Esse método de mimetismo, onde uma espécie saborosa imita alguma intragável é conhecido como mimetismo Batesiano.
Essa evidência adicional para a hipótese do mimetismo Batesiano entre estas espécies, é o fato de que ambas foram capturadas juntas em bancos de areia.

Etimologia: Deriva do Tupi, onde Pira = peixe, e aúba = falso. Designado em alusão ao seu mimetismo aparente com Jupiaba.

Dados ecológicos: A nova espécie foi coletada em pequenos tributários de rios maiores, geralmente associadas a águas correntes em associação com mata ciliar bem preservada. O conteúdo estomacal nos adultos apresentaram insetos terrestres, larvas de inseto aquáticas, sobras de peixes e fragmentos de planta.



Para saber mais: 
Zanata, AM; Birindelli, JLO; Moreira, CR (2009) New species of Moenkhausia Eigenmann (Characiformes: Characidae) from Rio Xingu and Rio Tapajós basins, Brazil, with comments on a putative case of polymorphic Batesian mimicry. Journal of Fish Biology 75, pp. 2615–2628.

Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke © Copyright 2010 ©

terça-feira, 2 de março de 2010

Expedição à bacia do Rio Sepotuba.


A região de Tangará da Serra.

Tangará da Serra, localiza-se na região sudoeste de Mato Grosso, a 230 km da capital Cuiabá. Sua altitude média é de 423 metros acima do nível do mar. A cidade possui matas densas nas encostas e no alto da Serra de Tapirapuã, e cerrado no alto da Chapada dos Parecis, ocorrendo basicamente dois biomas, o cerrado e a floresta amazônica. Sua extensão territorial é de 11.423,04 Km2, sendo 53% do território ocupado por reservas indígenas.
 Riacho Água Claras

A região compreendida pelo município de Tangará da Serra possui rios e afluente diversos que compõem tanto a bacia do alto Juruena (bacia Amazônica) quanto à bacia do Alto Sepotuba (bacia do Paraguaí).
O nome Tangará da Serra surgiu devido à região no passado possuir várias espécies de aves conhecidas como Saíra ou mesmo Tangará, das quais se destacavam o Tangará Chilensis (saira-do-paraíso); Tangará cyanicollis (saira-de-cabeça-azul); Tangará nigrocincta (saira-mascarada); Tangará mexicana (saira-de-bando); Tangará gyrola (saira-de-cabeça-castanha ) e Tangará cayana (saira-cabocla). Com a colonização da cidade na década de 70, este pássaro foi extinto da região por vários motivos, como a retirada da mata nativa e outros fatores.

Bacia do Rio Sepotuba
 Cachoeira Salto das Nuvens
O rio Sepotuba é um importante afluente da Bacia do Alto rio Paraguai, sendo um dos seus principais tributários. Na língua dos índios Parecis, chama-se Kazazorezá, que significa “Cipozal”, devido à grande quantidade de cipós encontrados em suas matas ciliares. Também recebe o nome de rio Tenente Lira, em homenagem ao Tenente João Salustiano Lyra, que foi o responsável designado por Marechal Rondon, para o levantamento topográfico da região para a instalação de linhas telegráficas, que ligava Cuiabá - Santo Antônio do Madeira. O Tenente Lyra não assistiu a finalização desse empreendimento em 1919, pois no dia 3 de abril de 1917, morreu afogado nas corredeiras do Rio Sepotuba e seu corpo jamais foi encontrado.
O rio Sepotuba nasce no norte do estado do Mato Grosso, estando suas nascentes situadas nas escarpas da Chapada dos Parecis, que possui até 800 metros de altitude. Esta chapada é o divisor de águas entre a bacia Amazônica e a bacia do Paraguai.
 
Aquário natural
Abaixo da chapada, esta a serra do Tapirapuã, um extenso planalto basáltico, com altitudes médias de aproximadamente 450 metros, cortadas pelo rio Sepotuba, até este atingir a depressão do rio Paraguai. Seus principais afluentes são os rios Formoso e Juba. Também há rios menores, como o rio do Sapo e Russo, além dos córregos Ararão, Estaca, Tarumã, Água Limpa, Queima Pé, Bezerro Vermelho, entre outros.
 Echinodorus sp. 
Ao cortar a Serra de Tapirapuã, o rio Sepotuba possui diversas cachoeiras e corredeiras, sendo a mais bela a cachoeira Salto das Nuvens, com uma majestosa queda de 19 metros de altura por 100 metros de largura.
Saindo pela manhã para conhecer a região do rio Sepotuba, paramos para coletar em um riacho conhecido como Águas Claras, que como seu próprio nome diz, possui águas límpidas e claras. Na região amostrada, as profundidades ficaram entre 60 cm a 1,20 m, e o riacho possuía diversas plantas aquáticas como Eleocharis sp, Echinodorus sp. e Echinoria sp..
Hoplias malabaricus

Em outro ponto, em um pequeno córrego com profundidades de 40 cm, chamado de São José, o mesmo possui em seu curso um local que formava um aquário natural com cerca de 1,5 metros de profundidade, contendo um belo jardim de plantas composto apenas por Mayaca fluviatilis, onde diversos caracídeos e ciclídeos passeavam em meio as plantas.

Hyphessobrycon herbertaxelrodi

Durante a coleta para estudos, foram capturadas as seguintes espécies: 
Characiformes: Hyphessobrycon hebertaxelrodi, Hyphessobrycon sp. aff. vilmae, Aphyocharax cf. dentatus, Astyanax assuncionensis, Astyanax sp., Creagutus meridionalis, Knodus chapadae, Moenkhausia dichroura, Serrapinnus calliurus, Odontostilbe pequira, Pyrrhulina australis, Characidium aff. zebra, Leporinus friderici, Hoplias  malabaricus,
Hyphessobrycon sp aff. vilmae
 
Siluriformes: Farlowella paraguayensis, Hypostomus sp., Pseudohemiodon sp., Rineloricaria cacerensis, Otocinclus sp., Corydoras aeneus
Perciformes:  Aequidens plagiozonatus, Crenicichla cf. lepidota,   
Gymnotiformes: Brachyhypopomus sp., Gymnotus inaequilabiatus,
Cyprinodontiformes: Rivulus aff. picturatus,
Synbranchiformes: Synbranchus marmoratus.

 Characidium aff. zebra

 
Farlowella paraguayensis

  
Corydoras aeneus

 
Gymnotus inaequilabiatus
 
  
 Hypostomus sp.

  
 Aequidens plagiozonatus

  
 Crenicichla aff. lepidota

  
 Rivulus aff. punctatus

Symbranchus marmoratus

Além da ictiofauna, também foi possível encontrar integrantes da fauna nativa da região, como a Arara Canindé (Ara ararauna), Veado campeiro (Ozotoceros bezoarticus), Ema (Rhea americana), Andorinhão (Família Apodidae), Jacú (Penelope ochrogaster) e o Macaco Prego (Cebus apella).
Um local tão belo e rico de espécies como este também tem seus problemas, os quais vêm aumentando desde a década de 70, quando os primeiros imigrantes chegaram. Um dos principais é o corte da mata nativa para ceder espaço a pastagens e monocultura como à cana de açúcar e a soja, além da poluição de mananciais com esgoto doméstico não tratado e insumos agrícolas, podendo ocasionar problemas no futuro para toda a região do Pantanal, visto que a bacia do alto Paraguai é uma das regiões principais de abastecimento do Pantanal.
 
Arara canindé

  
Borboleta

 
Ema

Agradecimentos
Waldo Troy e Talitha Zanini

Matéria exibida na Revista Aqualon edição 6
 

Ricardo Britzke © Copyright 2010 ©  

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

1° ENCAP - Encontro Nacional de Criadores e Aquapaisagistas

 
No próximo dia 18 de abril será realizado na Loja Aquarius um mega evento de aquarismo.
O evento, entitulado 1° ENCAP - Encontro Nacional de Criadores e Aquapaisagistas, contará com 5 palestrantes conceituados, que falarão sobre criação de bettas, killifishes, guppys (lebistes), aquapaisagismo e doenças de peixes.
As vagas serão limitadas e a inscrição será no valor de R$ 45,00 (incluindo almoço).



Programação:

08:30 às 08:45hs  -  Abertura do encontro 
08:45 às 09:35hs  - Básico da Criação de Bettas splendens  - (Marcio Luiz de Araujo)      
*Características da espécie      
*Manejo básico      
*Reprodução em cativeiro      
*Desenvolvimento dos alevinos 

09:45 às 10:35hs - Básico da Criação de killifish - (Paulo Tosador)      
*Montagem do aquário.     
*Manutenção     
*Principais espécies para iniciantes     
*Alimentação     
*Reprodução -Não anual,semi anual e anual     
*Importância da criação dos killifish no Brasil.     
*Dicas para sucesso da criação 



10:45 às 11:35hs - Criando Guppies (Homero Martins Mendes Ferreira)       
*Água seus aspectos e cuidados      
*Importância da sexagem      
*Seleção      
*Linhagens 

11:50 às 13:30hs - almoço 

13:30 às 14:10hs - Introdução ao aquapaisagismo - parte teórica - (Reinaldo Issa Uherara)       
*Conceitos básicos      
*Pedragismo      
*Madeiragismo      
*Hardscape misto 



14:20 às 15:20hs  - Noções básicas de pedragismo (rockscaping) parte prática - (Reinaldo Issa Uherara)        *Montagem de um aquário
*Workshop sobre hardscaping, utilizando rochas. 

15:35 às 16:30hs  - Doenças de peixes ornamentais: profilaxia, diagnóstico e tratamento - (Vladimir Simões)      *Profilaxia: qualidade de água: filtragem biológica, filtragem mecânica, plantas; parâmetros (pH / GH / KH) e sua interferência direta; Alimentação: demandas nutricionais, especificidade, vitaminas e minerais; Quarentena 

16:40 às 17:30hs  - parte 2  (Vladimir Simões)      
*O peixe: Noções de morfologia e fisiologia na resistência às doenças; estresse      
*Doenças:  Fatores determinantes; Principais doenças: descrição, diagnóstico, tratamentos

 

Palestrantes:

     * Marcio Luiz de Araujo - Aquarista hobbysta, apaixonado pela espécie Betta splendens, desenvolve e mantém o website Betta Brasil (www.bettabrasil.com.br), é owner do Grupo de Discussões Betta Brasil (http://br.groups.yahoo.com/group/bettabrasil/). 

     * Paulo Tosador - Criador de killifish, especializado em killifish africanos não anuais e semi anuais, um dos fundadores do GCKBR (Grupo de Criadores de Killifish – Brasil). Palestrou em vários eventos sobre killifish no Brasil e Argentina. Na 2ª Convenção Internacional do KCA (Killi Club Argentino) em 2009, ganhou em 3º lugar na categoria Fundulopanchax, onde também participou como juiz em outras categorias. 



     * Homero Ferreira - Aquarista a 30 anos, cria guppies de forma seletiva a 3 anos. Associado ao CCG (Confederação dos Criadores de Guppy) e representante CCG-SP. Expositor premiado nas linhagens HB AOC, Blue Grass, Moscow Blue Green. Primeiro colocado no ranking 2009 do CCG na classe Blue Grass. 

     * Reinaldo Issa Uherara - Juiz do Concurso Paranaense de Aquapaisagismo (CPA) há 3 anos, entusiasta em aquários plantados, camarões dulcícolas e ciclídeos anões sul americanos. 



     * Vladimir Simões - Consultor Técnico da Aquarium Group, importadora e distribuidora de produtos p/ aquarismo. Especialista em aquários de água doce, com  destaque p/ aquários plantados, acará-disco, doenças de peixes, ciclídeos pequenos do lago Tanganyika. Colunista da revista Aquamagazine, teve trabalhos publicados na revista Aquarista Jr. e em diversos websites nacionais e internacionais.
Realizou treinamentos técnicos na Sera GmbH/Heinsberg (Alemanha), Ecological Laboratories (EUA) e Mydor Laboratories (EUA). Visitou 2 vezes o Interzoo (Nürnberg/Alemanha) em 2006 e 2008 e várias lojas da Alemanha em 2007 (Neuss, Colônia, Düsseldorf) e 2008 (Nuremberg e Ansbach). Desde 2004 ministra palestras p/ aquaristas em várias localidades do Brasil.   

 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Nova espécie de Ancistrus

Uma nova espécie de Ancistrus é descrita para os rios Hueque e Ricoa, pequenas drenagens isoladas no nordeste da província de Falcón (Caribe Ocidental), Venezuela. Descrita pelos ictiólogos Donald Taphorn, Jonathan Armbruster e Douglas Olarte; a espécie foi nomeada de Ancistrus falconensis


 Os adultos de Ancistrus falconensis podem ser separados de A. gymnorhynchus por apresentrem pontos pequenos e claros no abdomem (vs. abdomen uniformemente cinza nos adultos de A. gymnorhynchus), e por caracteres merísticos. A província de Falcón, onde está a localidade tipo de A. falconensis apresenta terras áridas, e os poucos ambientes aquáticos da região estão sujeitos a uma intensa demanda para uso urbano, agrícola e industrial. O desflorestamento e outros impactos, como a canalização da água dos rios e a perda acelerada de ambientes aquáticos, muito intensos na área litorânea, tornam essa espécie nova considerada vulnerável a extinção.

Coloração em álcool.  Corpo com coloração cinzenta e marrom. Parte dorsal da cabeça com pequenos pontos claros e arredondados. Abdômen nos espécimes adultos ( 60 milímetros de comprimento padrão) com pequenos pontos claros redondos. Pedúnculo caudal geralmente mais pálido, não manchado. Nadadeira dorsal geralmente com pigmentos preto na base da primeira membrana, dando forma frequentemente ao ponto verticalmente alongado. Nadadeira caudal cinza com as pontas superior e infeiror clara nos raios.

Distribuição. Província de Falcón, Venezuela. Drenagens dos rios Hueque e Ricoa. Esta espécie ocupa córregos de cabeceira deaguas claras e fundo rochoso

Etimologia. Em homenagem ao estado venezuelano de Falcón, onde é a localidade tipo da espécie.

Para saber mais:
Taphorn, D.C.; Armbruster, J.W.; Rodrígues-Olarte, D. Ancistrus falconensis n. sp. and A. gymnorhynchus Kner (Siluriformes: Loricariidae) from central Venezuelan Caribbean coastal streams. Zootaxa 2345:19–32 (2010).

Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke © Copyright 2010 ©