terça-feira, 13 de novembro de 2012

Novas espécies de Mazarunia

Duas novas espécies do gênero Mazarunia são descritas pelos ictiólogos Hernan Lopez Fernadez, Donald Taphorn e Elford Liverpool na bacia do Rio Mazaruni. A redescrição de Mazarunia mazarunii também é apresentada.

Mazarunia mazarunii

Mazarunia mazarunii pode ser distinguida de todas as outras espécies de Mazarunia pela presença de dois forâmes (contra um) na face lateral do pré-maxilar, escamas ctenóides (contra ciclóides) no  sub-opérculo, inter-opérculo e região peitoral; coloração particular que inclui barras sub e supra orbitais completas, e por ser la única espécie de Mazarunia com uma faixa lateral formada por manchas associadas com as barras laterais ao longo da linha mediana. Exemplares adultos de M. mazarunii possuem uma barra negra e escura atrás da cabeça que produzem a impressão de um colar.



Etimologia.
O nome do gênero e da espécie refere-se a bacia do Rio Mazaruni.

Distribuição geográfica.
 De acordo com Kullander (1990), foram coletados em um afluente de águas negras do Rio Kamarang, próximo de sua foz no Rio Mazaruni.
 
Habitat. 
Mazarunia mazarunii foi coletado principalmente no alto Rio Mazatuni, em locais com substratos arenosos, eventualmente com vegetação e troncos. Todos os ambientes tinham água negra com os segunites parâmetros: Temperatura 21,8 - 24,5 º C; altos níveis de oxigênio dissolvido: 5,2 - 9,3 mg / L, pH ácido: 4,0 - 4,8; condutividade extremamente baixa: 0 - 10 uS e transparência da água:  0,6 - 0,85 m de profundidade Secchi . Também foram capturados em ambientes de mineração de ouro, que possuem água com menor transparência (0,2-0,3 m de profundidade Secchi)


Mazarunia charadica

Mazarunia charadrica, nova espécie, distingui-se das outras especies do gênero, por caracteres diagnóticos como escamas ciclóides (contra ctenóides) na região opercular, pós-orbital, peitoral lateral e anal genital;  ausência de mancha medio-lateral, e uma área escura difusa cobrindo a porção dorsal da cabeça dando a impresão de um "chapéu negro". Quando juvenil apresenta um padrão único de coloração com sete barras verticais, conservadas parcialmente nos adultos. As barras 3-6 na direção antes da caudasão mais visíveis em exemplares juvenis e em espécimes de tamanho médio se descoloram e quase desaparecem nos exemplares adultos. Muitas espécies mostram somente a barra número 3 (barra medio lateral). 



Etimologia. 
Do grego Charadra, que significa montanha de grande fluxo, em referência à sua preferência por hábitas reofílicos, a espécie é frequentemente encontrada em afluentes íngrimes do maciço de Roraima que formam o Rio Mazaruni. Para ser considerado como um adjetivo na forma feminina.

Distribuição geográfica. 
Mazarunia charadrica possui a mais ampla distribuição de todas as espécies do gênero, encontrada alto Rio Mazaruni e seus afluentes diretos, os rios Karamarang, Kukui e o riacho Abbou, e de vários afluentes do Rio Kako, incluindo Waruma, Sandaa e Paikwa.

Habitat. 
Mazarunia charadrica é a espécie mais reofilica das três espécies do gênero. Embora coletada em simpatria com Mazarunia mazarunii em locais com fundos arenosos e correnteza lenta, esta espécie é mais abundante na área superior da bacia do Rio Mazaruni, especialmente em afluentes rochosos e ricos em corredeiras. Capturado em locais de água negra com alta transparência (0,55-1,0 m de profundidade Secchi), temperatura ( 21,7 - 24,5 º C), pH (4,4 - 4.8), oxigénio dissolvido (5,2 - 9,3 mg / L) e muito baixa condutividade (<10 span="span"> mS)

Nome popular.
Conhecido pelos índios Kamarang e na literatura aquarística pelo nome "Red Patwa"



Mazarunia pala

Mazarunia pala, nova espécie, distingui-se de seus congêneres pela presença de escamas ctenóides na base da nadadeira dorsal (contra ausência em M. charadrica e M. mazarunii), uma pequena barra sub-orbital limitada ao pre-opérculo, ausência de barras laterais distinguiveis no corpo, e por sua coloração geral rosácea com uma mancha média-lateral com uma única marca melânica. Todas as espécies conhecidas do gênero Mazarunia estão restringidas a porção superior da bacia do Río Mazaruni na Guiana.




Etimologia. 
Do grego Pala, que significa pepita de ouro, em referência aos pontos dourados atrás e debaixo da região orbital. Também em referência ao fato de que esta espécie tem sido coletada no canal principal do alto rio Mazaruni, onde ocorre uma crescente exploração de ouro, que está contribuindo para a degradação de seu hábitat. Para ser considerado como um adjetivo na forma feminina.


Distribuição geográfica.  
Mazarunia pala é conhecido a partir de quatro pontos de coleta ao longo do canal principal do alto Rio Mazaruni superior, e também na foz do Rio Kukui e Rio Kamarang.

Habitat. 
Coletados em hábitats muito semelhantes ao de Mazarunia mazarunii, com o qual parece conviver, mas não é tão abundante como a outra. A temperatura da água variou entre 21,7 - 24,5 º C; os níveis de oxigênio dissolvido 5,2 - 9,3 condutividade mg / l; pH 4,4 e condutividade baixa (<10 span="span"> mS).


Quadrados azuis: Mazarunia charadrica, Círculos negro: Mazarunia mazarunii; Triângulos rosas: Mazarunia pala.


Para saber mais
López-Fernández, Hernán & Donald C. Taphorn & Elford A. Liverpool. 2012. "Phylogenetic diagnosis and expanded description of the genus Mazarunia Kullander, 1990 (Teleostei: Cichlidae) from the upper Mazaruni River, Guyana, with description of two new species". Neotropical Ichthyology. v. 10(n. 3), pp. 465-486  


Adaptado e traduzido 
Ricardo Britzke © Copyright 2012 ©  
Fotos de M. mazarunii e M. charadrica by Alf Stalsberg

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

6 anos de Nature Planet + Expedição a Volta Grande do Rio Xingu

Mais um ano se passou, e o NATURE PLANET completa 6 anos no ar. Atualmente contamos com um público de mais de 132.000 leitores espalhados por 145 paises.
 

Para comemorar esse sexto ano, apresentamos a Expedição a Volta Grande do Rio Xingu, um lugar fascinante que está sofrendo várias transformações com a construção de uma hidrelétrica.
 
 

Dessa vez visitamos Altamira - PA, uma cidade as margens do Rio Xingu. O Rio Xingu nasce entre a Serra do Roncador e a Serra Azul, no leste do Mato Grosso. São cerca de 2 mil km percorridos, desaguando na margem direita do Rio Amazonas, na ilha de Gurupá. 
A Volta Grande do Xingu é um local conhecido com 'fall line' (linha de queda), ou seja, o ponto de encontro de um relevo cristalino com outro sedimentar. Nessa queda de 96 metros o rio quadruplica de largura e forma diversas cachoeiras e ilhas, e a força de suas águas causam erosão nas rochas, a mais rígidas permanecem e as sedimentares são degastadas. 

  Corredeiras da Volta Grande

Essa queda, por possuir grande potencial hidrelétrico, foi o local escolhido para a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Esse projeto vem dos anos 70, quando o Brasil vivia seu momento de grandes obras da engenharia, entre elas Itaipu, Tucuruí e Sobradinho. Belo Monte, no passado chamada de Kararaô, e suas "irmãs" alagariam um total de 18 mil km2 e atingiriam sete mil índios de 12 etnias, além de mais alguns grupos isolados na região. Kararaô seria a maior usina hidroelétrica inteiramente brasileira do chamado Complexo Hidrelétrico de Altamira, que reunia as Usinas de Babaquara (6,6 mil MW) e Kararaô (11 mil MW). Sua barragem, que deveria ter a capacidade de armazenar grande quantidade de água durante o período de cheia do rio e utilizando-a mais tarde para a geração de energia. 
Esse projeto gerou revolta das etnias indígenas, e durante o 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, em fevereiro de 1989, na cidade de Altamira (PA), na exposição de Muniz Lopes sobre a construção da usina Kararaô, a índia Tuíra, prima do índio Paiakan, levanta-se da platéia e encosta a lâmina de seu facão no rosto do diretor da estatal em um gesto de advertência e indignação. A cena é reproduzida no mundo todo e torna-se histórica.  O evento foi encerrado com o lançamento da Campanha Nacional em Defesa dos Povos e da Floresta Amazônica, e a obra foi previamente engavetada, mas estava evoluindo longe dos olhos da população. Atualmente, Belo Monte alagará, se os cálculos dos engenheiros estiverem corretos, alagará uma área de 500 km2, e terá potência instalada de 11.233 MW, o que foi um dos fatores que alavancou sua construção. Muito provável que a energia produzida nessa hidroelétrica não seja utilizada para os grandes centros urbanos conforme o prometido, mas sim para abastecer as obras de mineração que estão em andamento na área da Volta Grande. 

Rio Xingu

O futuro dessa área do Rio Xingu que será represada ainda é incerto, mas os impactos sobre a ictiofauna que dependem exclusivamente das corredeiras da Volta Grande será totalmente negativo, muitas dessas espécies entrarão em processo de extinção, por não serem adaptadas a águas lênticas, pois o fluxo de água praticamente vai desaparecer da área da Volta Grande. A área de pedrais dessas corredeiras da Volta Grande, é o habitat dos Acaris do Rio Xingu, que dependem exclusivamente desse ambiente, onde encontram sua alimentação e proteção.
Altamira é conhecida internacionalmente no comércio de peixes ornamentais, pelo seus Acaris ou Cascudos. São várias espécies de diferentes cores que atraem aquaristas do mundo todo, sendo comum vários clubes que visam criar e manter as espécies no hobby. 
A seguir, apresento espécies de peixes e alguns locais que podem deixar de existir em breve...


Corredeiras Volta Grande
 
 



 Panaque cf. ambrusteri, no fundo exportador de acaris ornamentais

Baryancistrus xanthellus L18

Baryancistrus xanthellus L177

Baryancistrus chrysolomus

Leporacanthicus heterodon

Pseudacanthicus sp "red fin"

Peckoltia cf. vittatta

Oligancistrus punctatissimus

Panaque cf. ambrusteri

Hypancistrus zebra

Hypancistrus sp. "Pão"

Hypostomus sp.

Teleocichla sp.

Potamotrygon leopoldi

Centromochlus sp.

 Brycon falcatus

Chalceus epakros

 Rio Xingu



Com a construção dessa hidroelétrica, a cidade está crescendo, a população está crescendo, o dinheiro está crescendo, mas com a finalização dessa obra, ninguem sabe ao certo o que restará. Todos sabem apenas uma coisa, so restaram problemas.

Acredito que posso deixar escrito apenas umas palavras que escrevi no ano anterior:

"Mesmo com toda a destruição que o homem já causou ou ainda pretende com suas represas, a natureza sempre tenta contornar a situação, nos mostrando toda sua riqueza, para que possamos nos conscientizar e manter preservados os poucos locais que nos restam, pois um dia tudo isso poderá desaparecer, e nesse dia será tarde demais para voltar atrás."

Ricardo Britzke © Copyright 2012 © 

Fotos da Volta Grande by M. Vilar e D. Aviz
 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Nova espécie de Apistogramma

Uma nova espécie de Apistogramma é descrita pelos ictiólogos Uwe Romer e colaboradores na bacia do Rio Nanay no Peru. Apistogramma allpahuayo se distingue de outras espécies do gênero pela combinação de uma marca negra em forma de W na mandíbula inferior, e os machos adultos apresentam nadadeira caudal em forma de lira, mandíbulas fortes e lábios hipertrofiados de cor laranja, pedúnculo caudal arredondado e claramente separado das listras laterais que terminam com a linha vertical 7, nadadeira dorsal dentada com a primeira membrana bem evidente, e proporções dos espinhos dorsais que diferem das condições do gênero. Acreditamos que Apistogramma allpahuayo é um representante do complexo  Apistogramma cacatuoides dentro da linhagem A. cacatuoides.

 Apistogramma allpahuayo sp. n.

Nome popular.
Apistogramma allpahuayo sp. nov. é conhecida na literatura aquarista como Apistogramma “Schwarzkinn/black-chin” e Apistogramma “Pucallpa”
  
 Comparação entre A. allpahuayo e A. cacatuoides, respectivamente

Relações sistemáticas.  
Apistogramma allpahuayo sp. n. é aparentemente um membro da linhagem Apistogramma cacatuoides e intimamente relacionado com Apistogramma cacatuoides. Em particular, as semelhanças na forma do corpo e nadadeiras, e a coloração do corpo e nadadeiras, não deixam dúvida de que este taxon deve ser considerado como uma espécie irmã de Apistogramma cacatuoides da mesma região do Peru. 

Padrão de linhas abdominais nos machos de Apistogramma allpahuayo
sp. n. e A. cacatuoides, respctivamente

Distribuição e Ecologia. 
A localidade tipo de Apistogramma Allpahuayo sp. n., é um pequeno igarapé dentro da ReservaNacional Allpahuayo Mishana, que está situada a 25 km a sudoeste de Iquitos. De acordo com nossos estudos, a distribuição da espécie é restrita principalmente para pequenos rios e riachos a oeste da estrada de Iquitos para Nauta e dentro dos limites da reserva natural. A espécie habita normalmente pequenos. Com base no conhecimento atual da espécie, a mesma parece ser endemica da bacia do Rio Nanay.

 Localidade tipo de A. allpahuayo

Etimologia.
O nome da espécie Allpahuayo é um substantivo em aposição e refere-se a localidade tipo. O holótipo e a maior parte dos parátipos foram coletados em um pequeno igarapé dentro da Reserva Nacional Allpahuayo Mishana. Esta reserva está situada entre os km 23 a 31,5 da estrada Iquitos-Natua e abrange uma área de 58.000 ha.

 Fêmea de Apistogramma allpahuayo


Para saber mais:
U. Römer, J. Beninde, F. Dup onchelle, A. Vela Díaz, H. Ortega, I. Hahn, D.P. Soares, C.D. Cachay, C.R.G. Dávila, S.S. Cornejo & J.-F. Renno.  Description of Apistogramma allpahuayo sp. n., a new dwarf cichlid species (Teleostei: Perciformes: Geophaginae) from in and around the Reserva Nacional Allpahuayo Mishana, Loreto, Peru. Vertebrate Zoology, 62 (2) 2012, 189 – 212.]


Adaptado e traduzido  
 Ricardo Britzke © Copyright 2012 ©

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Nova espécie de Crenicichla

Uma nova espécie de Crenicichla é descritas do Rio Papagaio e seus afluentes, pelos ictiólogos Henrique Varella, Sven Kullander e Flavio Lima. Crenicichla chicha é distinta de todas as outras espécies de Crenicichla pela combinação de dois estados de caracteres: ossos infraorbitais 3 e 4 co-ossificados (vs. separados) e 66-75 escamas na série imediatamente superior àquela que contém a linha lateral posterior (série E1). A espécie compartilha o pré-opérculo liso, a co-ossificação dos infraorbitais 3-4 e aspectos do colorido com Crenicichla hemera do rio Aripuanã, bacia do rio Madeira. Difere de C. hemera por possuir mais escamas na série E1 (66-75 vs. 58-65) e uma listra suborbital preta e estreita, bem evidente, percorrendo obliquamente desde o infraorbital 3 até amargem do pré-opérculo vs. uma mancha suborbital arredondada e fraca situada nos infraorbitais 3-4. O exame da série típica e de material adicional proveniente do rio Aripuanã confirma que C. guentheri Ploeg, 1991 é um sinônimo júnior de C. hemera Kullander, 1990.

Crenicichla chicha - macho adulto

Coloração em vida.  

Exemplar jovem.  
Porção dorsal da cabeça e do corpo amarelo-esverdeado, região ventral da cabeça e abdominal pálida. Preorbital, pós-orbital e faixa lateral cinza escuro, se estendendo além do pedúnculo caudal. Faixa suborbital marrom. Barras verticais no flanco cinzenta. Pequenas manchas laranja espalhados no flanco. Nadadeiras dorsal, anal e caudal com margem vermelha e pequenos pontos avermelhada. Pedúnculo caudal evidente com um ocelo branco.
 
Exemplar macho adulto
Cabeça, nuca, base da nadadeira peitoral, e dorso até o decimo quinto espinho verde limão. Lados do corpo cinza-azulado; preorbital, faixa lateral, pós-orbital lateral, e barra vertical do flanco cinza escuro, menos evidentes do que nos espécimes jovens. Irregulares, estreitas e onduladas listras verticais laranjas , formado por pigmentação concentrada sobre as margens das escamas, distribuídos no flanco e no pedúnculo caudal, e mais concentrados no pedúnculo caudal. Nadadeira peitoral verde limão.
Espinho pélvico e os três raios anteriores amarelados e o restante da nadadeira pélvica hialina. Raios da nadadeira dorsal vermelhos e membrans inter radiais avermelhadas. Porção distal da nadadeira anal amarelada, cinza azulado na porção basal, com linhas vermelhas na base. Nadadeira caudal vermelha, exceto nos raios medianos da nadadeira caudal, que possuem uma área lanceolada escura.

 Crenicichla chicha - exemplar jovem

Distribuição
Crenicichla chicha é conhecida do Rio Papagaio e seus afluentes, bacia do Rio Juruena um dos maiores formandores da bacia do Rio Tapajós no estado do Mato Grosso. A nova espécie foi coletada tanto acima quanto abaixo da Cachoeira do Utiariti, a maior a major (cerca de 90 metros de altura) cachoeira do rio Papagaio.

Mapa de distribuição de Crenicichla chicha

Etimologia
A nova espécie é chamada Crenicichla chicha em homenagem ao Paresi (ou Haliti), um dos grupos indígenas que vivem no planalto do estado do Mato Grosso, na região da bacia do alto Rio Juruena. O epíteto refere-se a "chicha", festividade dessas pessoas, que se encontram para beber "olóniti", uma bebida feita com tapioca assada (amido de mandioca) de mandioca brava (mandioca amarga), dança e canto dos seus mitos. Hoje em dia, essas celebrações ocorrem principalmente quando se conclui os ritos de passagem individual - nomeação de crianças e meninas em puberdade, ou dentro de um ritual calendário, como o primeiro tempo de colheita da cultura de mandioca. Tratada como um substantivo em aposição.
 
Notas ecológicas
A água do rio Papagaio é transparente e corre sobre um leito predominantemente rochoso, com correnteza, e inúmeras corredeiras. Um dos autores (FCTL) observaram (durante o mergulho) espécimes de Crenicichla chicha no Rio Papagaio, principalmente em remansos, ou atrás de grandes blocos onde a corrente de água era relativamente fraca. Crenicichla chicha também foi observada e coletada em tributários menores, tais como o ribeirão Vinte e Cinco de Maio (que tem um pouco águas turvas e um fundo predominantemente arenoso / lama). Como outras espécies de Crenicichla, C. chicha é curiosa, se aproximando dos mergulhadores, e facilmente coletadas com uma rede de mão. Crenicichla chicha é a única espécie do gênero que ocorre acima da Cachoeira Utiariti, e abaixo desta cachoeira, ocorre com sintopicamente com uma espécie não descrita do grupo C. saxatilis.
  
Para saber mais:
Crenicichla chicha, a new species of pike cichlid (Teleostei: Cichlidae) from the rio Papagaio, upper rio Tapajós basin, Mato Grosso, Brazil  Henrique R. Varella, Sven O. Kullander & Flávio C. T. Lima

Adaptado e traduzido
Ricardo Britzke © Copyright 2012 ©

domingo, 25 de março de 2012

Novas espécies de Microglanis

Duas espécies novas de Microglanis são descritas dos tributários do alto-médio Rio Araguaia, estados do Mato Grosso e Goiás, Brasil pelos ictiólogos Willian Ruiz e Oscar Shibatta. 

Microglanis oliveirai difere de seus congêneres pelo processo supraoccipital curto não atingindo a pequena placa nucal anterior, e número reduzido de rastros branquiais, poros da linha lateral, costelas, vértebras e raios da nadadeira caudal. 

 Microglanis oliveirai, foto em vida. Foto gentimente cedida por W.B.G. Ruiz.

Distribuição. Microglanis oliveirai é conhecido dos tributários do Rio das Mortes e Rio Cristalino, alto-médio bacia do rio Araguaia, estado do Mato Grosso, Brasil.

Observações. As espécies coletadas na bacia do Rio Cristalino possuem maior largura interorbital e coloração escura quando comparados com as amostras coletadas na bacia do Rio das Mortes.

(A) Rio Cristalino, bacia do Rio Araguaia, Mato Grosso; (B) Córrego Jaraguá, bacia do Rio Araguaia, Goias; (C) Rio Corrente, afluente do Rio das Mortes, bacia do Rio Araguaia, Mato Grosso.

Etimologia. Microglanis oliveirai é nomeada em nome de Claudio de Oliveira, da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, campus Botucatu (SP), em  reconhecimento de sua contribuição para o conhecimento da evolução de peixes neotropicais.


Microglanis xylographicus difere de seus congêneres pela presença de melanóforos ao redor dos neuromastos alinhados superficialmente, comprimento do focinho 11,4-12,9% do comprimento padrão e o padrão de colorido do corpo, formado por listras horizontais castanhas como marcas de casca de madeira.

 Microglanis xylographicus, foto em vida. Foto gentimente cedida por W.B.G. Ruiz.

Distribuição. Microglanis xylographicus é conhecido dos tributários do Rio das Mortes e pequenos tributários do Rio Araguaia, como o córrego Jaraguá e o Rio das Garças no estado do Mato Grosso e Goiás, Brasil


Observações. Os epécimes da localidade tipo, o córrego Jaraguá, são maiores do que os espécimes coletados no Rio Ínsula e Rio Corrente, tem mais neuromastos na linha mediana do tronco, maior boca, menor diâmetro orbital, menor comprimento espinho da nadadeira dorsal menor comprimento da nadadeira adiposa e uma coloração marrom mais escuro. As duas populações são separadas (cerca de 90 km) pela a Serra do Roncador e a Serra Azul, indicando que essas diferenças podem ser geograficamente relacionados. Na ausência  de provas adicionais, consideramos que as duas populações pertencem a uma única espécie.

 Rio Corrente, localidade onde foram encontradas as espécies sintopicas M. oliveirai e M. xylographicus (d). Foto gentimente cedida por W.B.G. Ruiz.


Etimologia. O nome xylographicus deriva do Grego Xylos que significa madeira e Graphikos para escrever. Em referência ao padrão de cor horizontalmente estriado, como uma casca de árvore.

Dados sobre ambas espécies. 
Ambas espécies ocorrem simpatricamente no Rio Corrente, localidade tipo de M. oliveirai. O Rio Corrente atravessa uma grande extensão de vegetação de Cerrado (Savana brasileira). Ele tem uma profundidade máxima de 2,5 m, e largura de 6 a 11 m. O fundo do rio é constituído principalmente de barro, com áreas de areia e cascalho, e abundante quantidade de folhas submersas. Propriedades físicas e químicas da água no momento da coleta foram: transparência da água = 0,15 m; pH = 6,4; temperatura = 22,1 º C e condutividade = 1.132 microsiemens/cm. Os espécimes de M. oliveirai e M. xylographicus foram coletados entre as raízes da vegetação marginal, galhos de árvores e folhas submersas. Espécies com morfologia e ecologia semelhantes não deveriam coexistir no mesmo hábitat, de acordo com o princípio de Gause (princípio de exclusão competitiva ou competição interespecífica). No caso de M. oliveirai e M. xylographicus, essa competição pode ser evitada pelo compartimentação dos recursos. Analisando o trato digestivo de dois exemplares de M. oliveirai e dois exemplares de M. xylographicus, encontramos para M. oliveirai um total de 67% de larvas de Chironomidae e 33% de larvas de Trichoptera, enquanto 100% dos conteúdos estomacais de M. xylographicus foram compostas de larvas de Chironomidae.


Para Saber mais:
Ruiz, W. B. G.; Shibatta O. A. Two new species of Microglanis (Siluriformes: Pseudopimelodidae) from the upper-middle rio Araguaia basin, Central Brazil. Neotrop. ichthyol. vol.9 no.4, 2011.


Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke
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segunda-feira, 12 de março de 2012

Expedição ao Pantanal

Dessa vez estamos em Poconé - MT, no parque Nacional do Pantanal Matogrossense (PARNA). O PARNA do Pantanal é uma área de constante inundação no período das cheias, onde as águas do Rio Cuiabá e do Rio Paraguai se misturam formando diversas lagoas, baias, canais; um verdadeiro labirinto para quem não conhece a região. O PARNA do Pantanal Matogrossense fica entre os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bolívia, sendo a divisão entre esses dois países, a Serra do Amolar. Possui um total de 136.028 hectares, tendo como objetivo proteger e preservar todo o ecossistema pantaneiro. É administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e considerado pela UNESCO Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera. Essa planície inundável, concentra uma rica fauna, tanto dentro da água como fora da água, sendo muito fácil observar vários animais silvestres.

  Entrada da Rodovia Transpantaneira

Para chegar a esse Parque Nacional rodamos cerca de 1500 km de rodovias cortando três estado, mais 150 km da rodovia Transpantaneira e ainda mais seis horas de barco com motor de popa pelo Rio Cuiabá. 
 Uma verdadeira aventura que começa a valer a pena assim que iniciamos a rodovia Transpantaneira, avistando vários animais selvagens e atravessando mais de 100 pontes de madeira, onde abaixo das mesmas existe uma infinidade de jacarés. Ainda na rodovia, encontramos cervos, tamanduás e muitas aves, como gaviões, araras, tucanos entre outras.

Primeira aparição da Rodovia, mas é apenas o começo...

 Uma das mais de 100 pontes de madeira na Transpantaneira

 
 Abaixo da ponte um verdadeiro jacarezário


 Rodovia Transpantaneira

 Cervo do Pantanal jovem


 Jaburu ou Tuiuu


 Ja no Rio Cuiabá os cardeais queriam uma carona até o Parque Nacional

Essa é pra provar que o rio estava pra peixe...

Navegando nas águas do Rio Cuiabá, podemos avistar principalmente aves aquáticas na beira do rio, além de jacarés e capivaras que também são muito comuns.


  E foram seis horas de muita água e paisagens...

 



 Serra do Amolar - Atrás da serra a Bolívia

 Depois de longas e emocionantes seis horas navegando pelo Rio Cuiabá, chegamos a sede do Paque Nacional. E encontramos muitas aves, mas muitas mesmo...

 





 E pra completar a expedição, fomos fazer o levantamento da ictiofauna local. Os conhecidos camalotes eram um dos principais habitat dos peixes pequenos, principalmente ornamentais.

Camalotes e aquapés


 Tetra Black Phanton - Hyphessobrycon megalopterus

 
 Mato Grosso - Hyphessobrycon eques

 Tetra green fire - Aphyocharax rathbuni

Apistogramma trifasciata

 
 Apistogramma borelli - fêmea

 Apistogramma commbrae

Cascudo - Hypostomus sp.

 
Ituí cavalo - Apteronotus albifrons


 Cichlassoma dimerus

 Pyrrhrulina australis 


Tuvira - Brachyhypoppomus sp. 

 Tetra Olho de Fogo - Moenkhausia forestii

 Tetragonopterus argenteus

Ancistrus sp.

E na calha do rio prevalecia os grande peixes, que por sinal foram várias espécies,

 Bico de pato - Sorubim lima

Raia motoro - Potamotrygon motoro

 
Piranha caju - Pygocentrus nattereri

 
Joaninha - Crenicichla lepidota

 Bagre 

Traira
Depois de uma semana em pleno Pantanal, percebemos como a natureza é bela e completa, sempre mostrando suas jóias a todos nós, sejam elas no ar, na terra ou na água.


 
Como vimos nas fotos, a preservação do Pantanal é algo muito importante para o equilíbrio da vida. Sem preservação, não existiria essa grande biodiversidade. Além dos vários animais aqui mostrados, o Pantanal ainda esconde grandes animais como a onça pintada e mais de 650 espécies de aves, centenas de peixes e centenas de insetos, sendo essa fauna inferior apenas à da Amazônia.

Desse lugar, fica na memória todas suas belezas e esperamos que ela sempre possa existir.

 

Ricardo Britzke © Copyright 2012 ©